Arquivo da Categoria 'Ateísmo'

O Meme Ateísta

Ateísmo, Portugal Sem Comentários »

Na blogosfera ateísta em inglês começou a circular um “meme” com 10 perguntas sobre ateísmo. Vou tentar espalhar o “meme” também em português.

Q1. Como definirias “ateísmo”?
Na sua forma mais simples, a ausência de crença em deuses.

Q2. Tiveste uma educação religiosa? Se sim, de que tipo?
Não. Os meus pais fazem parte do grande clube dos “não praticantes” e tive a sorte, ainda muito novo, de conhecer algumas pessoas que me estimularam a colocar questões em vez de encontrar respostas fáceis.

Q3. Usando apenas uma palavra, como descreverias o “design inteligente”?
Hilariante.

Q4. Que campo científico mais te interessa?
Macro interesse: viagens espaciais

Micro interesse: o estudo do genoma humano

Q5. Se pudesses mudar algo na “comunidade ateísta”, o que seria?

Quase tudo. Penso que a maioria dos ateus não sabem distinguir as pessoas das suas crenças e se concentram demasiado na critica fácil em prejuízo de um maior investimento na divulgação do racionalismo e humanismo.

Q6. Se um filho teu te dissesse que tinha optado pela vida clerical, qual seria a tua primeira resposta?
Deve ser 1 de Abril!

Q7. Qual o teu argumento teístico favorito e como é que o refutas?
Não tenho um argumento favorito, mas reconheço que há uns muito engraçados.

Q8. Qual o teu ponto de vista mais controverso (na perspectiva dos outros ateus)?
Que passar a vida a dizer mal das religiões e dos crentes é absolutamente infrutífero para o ateísmo.

Q9. Dos “quatro cavaleiros do ateísmo” (Dawkins, Dennett, Hitchens and Harris) qual é o teu preferido e porquê?
Não tenho um favorito, mas Hitchens é seguramente alguém com quem não simpatizo.

Q10. Se pudesses convencer apenas um teísta a abandonar as suas crenças, quem seria?

Ninguém! Não me compete convencer ninguém a mudar as suas crenças. Se, através do estímulo ao pensamento crítico, algumas pessoas revirem as suas posições, tanto melhor para elas.

Nomeia outros 3 blogs para espalharem o meme:

1. Que Treta!
2. Random Precision
3. Filosofia Ateísta

O Mercado das Almas

Ateísmo, Religião Sem Comentários »

Enquanto ateu, não me passa pela cabeça que não exista liberdade religiosa. Cada individuo deve ter o direito de escolher se quer fazer parte de uma religião e de qual.  Quis começar por aqui porque tenho noção que o que vou escrever vai soar a alguns como exactamente o contrário. Mas não é!

O maior favor que se pode fazer às religiões é permitir essa liberdade religiosa, deixá-las competir entre si, criando uma espécie de economia de “mercado das almas”; ao contrário da regra do “dividir para reinar”, neste caso pode-se mesmo dizer “dividir para proliferar”.

A predisposição para a crença tem um habitat ideal nesta sociedade onde se respeita a liberdade religiosa: quem já não se convence com o que uma tem para oferecer - ou vender, na maioria dos casos -, depressa encontrará alternativas de oferta e preço no vasto “mercado das almas”.

São óbvias as técnicas comerciais utilizadas por alguns agentes deste prolífico mercado: canais de televisão, programas de rádio ou mesmo emissoras próprias, cerimónias religiosas que mais lembram concertos rock de mau gosto e, finalmente, a promessa do bem mais apetecido: a vida eterna!

Realmente, quem no seu perfeito juízo pode resistir a tamanha oferta?

O que não deixa de ser curioso é que quem mais defende a liberdade religiosa (ateus, agnósticos, humanistas, laicos, etc) são exactamente aqueles que menos têm a ganhar com ela; mas, a razão é simples: sabemos que a democracia, a igualdade e a liberdade de escolha são muito mais importantes e indispensáveis do que a vida eterna, a moeda de troca do “mercado das almas”.

Reflectir o meu ateísmo - Parte 5

Ateísmo Sem Comentários »

Sistemas amorais

É inevitável a conotação moralista com que os sistemas de crenças impregnam as suas doutrinas. O “Bem” e o “Mal” transformam-se, pois, em caprichos divinos onde a razão e a liberdade individual não têm lugar, sujeitando-se a valores de outros, quase sempre antepassados pouco credíveis e eles próprios tantas vezes exemplos de uma conduta questionável.

A questão dos falsos moralismos é talvez a que mais me aborrece nas religiões. Sem respeito pela liberdade pessoal de cada um conduzir a sua vida como muito bem entender, criam-se balizas artificiais para a conduta individual em contradição com o argumento oportunista do livre arbítrio. Note-se que eu sou um defensor do livre arbítrio e não dou muita credibilidade às teorias deterministas, mas tudo na religião aponta no sentido do determinismo, excepto quando se tem que desresponsabilizar deus e responsabilizar a Humanidade. Por isso critico o oportunismo da argumentação do livre arbítrio na religião.

A ideia de que cada um de nós terá que se sujeitar às opções de vida, à conduta comportamental ou às regras éticas de outros por “razões” metafísicas trata-se do maior atentado à liberdade pessoal, incentiva ódios e a ostracização social de quem não segue a norma.

Para um ateu, ao contrário do que nos querem fazer crer – no caso de Portugal, a ICAR e, lamentavelmente, o Ministério da Educação -, religião e moral não cabem no mesmo saco. A conduta moral de cada um é totalmente independente do resto da sociedade enquanto aquela não interferir com a liberdade dos outros. E por interferência não se podem entender os afrontamentos a conceitos de decência, vergonha ou respeito ideológico/religioso.

A confusão surge muitas vezes por se confundirem valores como moral e civismo. São coisas diferentes. Viver com padrões de ética diferentes da norma ou diferentes dos nossos não significa que se vive sem padrões de ética.

Assim, a moral imposta pela religião não só é castradora da liberdade individual, como também contribui para a intolerância e o desrespeito por outras opções de conduta pessoal, factores que tantas vezes conduzem à homofobia, ao sexismo, ao racismo e à xenofobia, etc. Por outro lado, adquirir um determinado padrão ético através de um processo de chantagem face a um sistema de punição versus recompensa, parece-me, em si, pouco abonatório para a capacidade intrínseca de saber distinguir o “Bem” do “Mal”.

Finalmente, ser-se ateu – como ser-se religioso – é, por si só, uma definição completamente amoral. Não é no não acreditar ou no acreditar que residem os factores que nos transformam em agentes morais ou imorais.

Reflectir o meu ateísmo:

  1. O que o meu ateísmo não implica
  2. As insuficiências do agnosticismo
  3. Promover uma laicidade pró-activa
  4. A desnecessidade de crer

A AAP e o futuro do ateísmo em Portugal

Ateísmo, Portugal 6 Comentários »

Na passada 6ª feira, 30 de Maio, foi criada a AAP - Associação Ateísta Portuguesa, conforme anunciámos aqui no Portal Ateu.

Esta será, certamente, uma oportunidade de ouro para todos os ateus no nosso país. Mesmo com a importância que alguns blogues nacionais possam ter na divulgação da visão ateísta do mundo, nada como uma organização oficial para que se possa dar voz aos anseios que acima expressei.

Esta associação tem, de acordo com os seus estatutos e o seu manifesto, a responsabilidade de atingir objectivos concretos. Objectivos esses com os quais eu não poderia estar mais de acordo. Por enquanto, ainda não são claros os métodos e formatos que virão a ser utilizados. Parece-me que o sucesso da AAP estará altamente dependente das opções que se virão a tomar na metodologia a utilizar para atingir os objectivos propostos.

Neste aspecto, existem algumas confusões frequentes que poderão deixar confusos os mais distraídos em relação à posição ateísta ou que poderão servir de base sólida para a argumentação de quem se opõe a uma maior visibilidade do ateísmo na nossa sociedade. Muitas vezes - e aqui faço também mea culpa - confunde-se o mau carácter de um individuo com a doutrina religiosa que o mesmo preconiza; confunde-se desonestidade intelectual com dogma religioso; outras, confunde-se mesmo Fé com ignorância…

Espero que a nova associação não vá pelo caminho mais fácil e simplista. Para além da inevitável perda de credibilidade, seria também o caminho menos interessante do ponto de vista intelectual.

Portal Ateu estreia videocast

Ateísmo 4 Comentários »

Foi hoje publicado o primeiro videocast do Portal Ateu. É com muito orgulho que faço parte do painel desta iniciativa inédita em Portugal.

As responsabilidades

Ateísmo, Humor Sem Comentários »
Gosto em especial do último parágrafo.
clipped from www.iamanatheist.com
As a moral atheist you have a number of rights and responsibilities. These include (but are not limited to):

  1. Have no gods.
  2. Don’t worship stuff.
  3. Be polite.
  4. Take a day off once in a while.
  5. Be nice to folks.
  6. Don’t kill people.
  7. Don’t cheat on your significant other.
  8. Don’t steal stuff.
  9. Don’t lie about stuff.
  10. Don’t be greedy.

Remember, theists may condemn you for living by this code because you are doing it of your own free will instead of because you’re afraid that if you don’t a supreme being will set you on fire.

blog it

Carta aberta aos crentes

Ateísmo, Pessoais 13 Comentários »

Eu não escolhi ser ateu. Apenas acontece que não creio em nada dessas coisas que, segundo vocês próprios, vos trazem tanta Paz e Alegria. Nem consigo - sequer - conceber que para se ser feliz e viver em paz se tenha que acreditar nessas coisas que vocês acreditam.

Sou, acreditem, um homem bastante feliz. Tenho momentos em que só de pensar que alguém possa ser mais feliz do que eu me parece impossível! Não me passa pela cabeça que alguém possa ser mais feliz apenas por ser bafejado por essa abstracção a que dão o nome de Fé. Fé em quê? No desconhecido? No incógnito? No misterioso? Não entendo…

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Os aplausos dos distraidos

Ateísmo, Sociedade 1 Comentário »

Ainda no rescaldo do programa “As Tardes da Júlia”, tive uma conversa mais acalorada com alguém que muito respeito, me é muito querida e se enquadra no leque  - e que leque - dos católicos não praticantes. Tudo começou a propósito de eu ter admitido que uma frase do Ricardo Silvestre poderia ter sido evitável, embora ele tivesse razões para afirmar o que afirmou, uma vez que hostilizou um pouco a assistência. Refiro-me à passagem em que a assistência aplaude entusiasticamente uma argumentação do padre presente no programa e em que o Ricardo se sai com um estonteante “as pessoas aplaudem porque são ignorantes”. Seguiu-se, claro está, um leque de apupos vindos da bancada.

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