Fui ontem assistir à peça de revista "Arre Potter, que é demais!" em exibição no Teatro Maria Vitória, no Parque Mayer.

Três particularidades faziam com que a minha curiosidade estivesse ao rubro, alimentando uma série de expectativas em relação à peça.

1ª Trata-se da estreia de Herman José como autor de textos para a chamada Revista à Portuguesa.

2ª Do elenco faz parte Odete Santos, política e parlamentar do PCP.

3ª Foi a minha primeira ida ao Teatro em anos, mesmo muitos anos!

Em relação à capacidade de Herman José para escrever textos para este meio tão específico, sinceramente, fiquei na mesma. Não descobri quaisquer referências a quais os textos por si assinados, logo, não sei quais os sketches da sua autoria. De qualquer forma, o formato não permite grandes invenções, pelo que os textos andam, basicamente, à volta da sátira politica e da brejeirice mais ou menos disfarçada. Achei de mestre a exclamação que passou tão despercebida à plateia: "...mas, turvam-me!".

Odete Santos surpreendeu, e muito, pela positiva. Não só pela sua prestação mas, sobretudo, pela coragem que demonstra ao assumir, sem rodeios, a pele de artista de palco. Os dois textos em que participa encontram-se entre os três melhores de toda a peça. É capaz de dar um dramatismo aos textos de cariz mais socio-político digno de uma verdadeira actriz. Ou talvez o resultado seja tão bom apenas porque Odete Santos nem precisa de representar para transmitir o que realmente sente ao interpretar tais textos.

Fiquei com vontade de ver mais! Espero não voltar a estar tanto tempo sem ir ao Teatro. Recomenda-se.