Canto alentejano no Vox

No pas­sado sábado, acon­te­ceu um casa­mento VIP no Salão da Voz do Ope­rá­rio. Estava pre­visto que à che­gada dos noi­vos o grupo de canto alen­te­jano Almo­cre­ves fizesse o seu número, dando as boas vin­das aos mes­mos e aos con­vi­da­dos. Enquanto estes não che­ga­vam, o grupo esteve no Vox-Café a beber uma cer­ve­jas e a aque­cer a voz. Entre o final de uma reu­nião de cép­ti­cos e a che­gada das ban­das para o con­certo da noite, foi isto que aconteceu.

Alfredo Dinis, foi uma grande honra

Alfredo Dinis

Alfredo Dinis

Hoje fui sur­pre­en­dido com uma daque­las notí­cias inde­se­ja­das que nos dei­xam inca­pa­ci­ta­dos de dizer gran­des coi­sas para além de tri­vi­a­li­da­des banais e fra­ses fei­tas. Ainda assim, cons­ci­ente dessa bana­li­dade, não posso dei­xar de assi­na­lar o meu mais pro­fundo pesar pelo desa­pa­re­ci­mento pre­coce de Alfredo Dinis, sacer­dote jesuíta e, até recen­te­mente, direc­tor da Facul­dade de Filo­so­fia de Braga da Uni­ver­si­dade Cató­lica. Isso é o trivial.

Para além das fra­ses fei­tas, e ape­sar de ape­nas me ter encon­trado pre­sen­ci­al­mente com o Alfredo meia dúzia de vezes, sinto que me encon­trei com ele sem­pre que par­ti­lhá­mos os mais vari­a­dos espa­ços de debate online e onde, quase inva­ri­a­vel­mente, nos encon­trá­mos de lados opos­tos da “bar­ri­cada”. A ele­va­ção, a cor­di­a­li­dade e o res­peito com que o Alfredo sem­pre nos brin­dou, ten­tando per­ma­nen­te­mente o con­tri­buto sério para a dis­cus­são, nunca cedendo à arro­gân­cia ou ao argu­mento de auto­ri­dade, são exem­plos da gran­di­o­si­dade deste homem sim­ples com dúvi­das com­ple­xas e assumidas.

Recordo com espe­cial cari­nho a forma como rece­beu a “comi­tiva” do Por­tal Ateu, em Março de  2009, quando nos des­lo­cá­mos a Braga para o debate “Acre­di­tar em Deus – Por­que sim, por­que não”, rea­li­zado na Facul­dade de Filo­so­fia daquela cidade. Almo­çá­mos nas ins­ta­la­ções da Comu­ni­dade Pedro Arrupe e fomos tra­ta­dos com uma sim­pa­tia muito para além do que exi­gi­ria a sim­ples eti­queta social, fazendo-nos sen­tir, a nós ateus, como se esti­vés­se­mos em casa.

Mas, o que de maior guardo na memó­ria de Alfredo Dinis são as suas pala­vras em con­ver­sas pri­va­das — que foram pou­cas, é certo — mas que foram pre­ci­o­sís­si­mas e que opto, por uma ques­tão de res­peito à sua pri­va­ci­dade, por não reve­lar. Con­tudo, aquele que terá sido um dos seus últi­mos pen­sa­men­tos, deixa bem claro o seu âmago, na forma como res­ponde às suas mais pro­fun­das dúvi­das e ansiedades:

Pro­cu­rei como filó­sofo com­pre­en­der o mundo. Estra­nha­mente, sinto que o mundo tem um lado incom­pre­en­sí­vel. O mundo tal­vez exista não para ser com­pre­en­dido, mas para ser amado!

Obri­gado, Alfredo Dinis, por toda a arte e exce­lên­cia do teu exemplo!

Cornucópia

O cami­nho é sem­pre longo
O des­tino sem­pre incerto
Na vida,
Na noite,
Essa mor­daz cati­vante incer­teza
Atrai-me cada vez mais
Para relâm­pa­gos de lou­cura
Fei­tos de açú­car, como o teu beijo

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Música e filosofia

A música exprime a mais alta filo­so­fia numa lin­gua­gem que a razão não compreende.

- Arthur Schopenhauer

22

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Há 22 anos foi domingo e casámo-nos. Hoje tam­bém foi domingo e, como faze­mos todos os dias, celebrámo-nos.

Fado

Para quem escreve sobre fado, ser dis­lé­xico deve ser um martírio.

Feynman altamente

I can live with doubt, and uncer­tainty, and not knowing. I think it’s much more inte­res­ting to live not knowing than to have answers which might be wrong. I have appro­xi­mate answers, and pos­si­ble beli­efs, and dif­fe­rent degrees of cer­tainty about dif­fe­rent things, but I’m not abso­lu­tely sure of anything, and in many things I don’t know anything about, such as whether it means anything to ask why we’re here, and what the ques­tion might mean. I might think about a lit­tle, but if I can’t figure it out, then I go to something else. But I don’t have to know an answer. I don’t feel frigh­te­ned by not knowing things, by being lost in a mys­te­ri­ous uni­verse without having any pur­pose, which is the way it really is, as far as I can tell, pos­si­bly. It doesn’t frigh­ten me.

- Richard Feynman

A rua-metáfora

Mater­ni­da­des e cemi­té­rios deve­riam exis­tir sem­pre na mesma rua e um defronte ao outro. De pre­fe­rên­cia numa rua estreita, fácil de atra­ves­sar. Seria uma rua-metáfora e a metá­fora seria perfeita.

O grande mapa das religiões

Este é o mapa das reli­giões mais impres­si­o­nante que já vi. Não tenho conhe­ci­men­tos para poder veri­fi­car o seu grau de exac­ti­dão, mas acre­dito que a rea­li­dade estará bem repre­sen­tada nesta ima­gem. Para con­tra­riar esta sofis­ti­cada rede de cren­ças não basta o ateísmo cor-de-rosa, é pre­ciso muito mais.