Email para a Junta de Freguesia da Penha de França

O lixo acumula-se nos passeios

Teve que ser… Rara­mente tenho pachorra para estas coi­sas, mas há limi­tes que me dei­xam azul. Por isso, seguiu há momen­tos o seguinte email para a Junta de Fre­gue­sia da Penha de França. Se hou­ver res­posta, aviso.

Exmos. Senho­res,

Gos­ta­ria de vos aler­tar para a quan­ti­dade de lixo espa­lhado na Praça Antó­nio Sar­di­nha. Esta situ­a­ção verifica-se há já vários dias e, para além do aspecto esté­tico, repre­senta um risco para a saúde pública dos habi­tan­tes desta praça, espe­ci­al­mente para o ele­vado número de cri­an­ças que uti­liza o par­que exis­tente na mesma.

A pro­pó­sito do par­que infan­til, recordo que a informação

As obras de melho­ra­mento da sec­ção norte do par­que infan­til foram interrompidas

dis­po­ni­bi­li­zada no vosso site é falsa e as obras de melho­ra­mento do mesmo não se encon­tram con­cluí­das, uma vez que o lado norte do refe­rido par­que carece ainda de melho­ra­men­tos e, não estando devi­da­mente iso­lado, apre­senta sérios peri­gos para a inte­gri­dade física das cri­an­ças uti­li­za­do­ras deste parque.

Junto em anexo duas fotos demons­tra­ti­vas des­tas minhas pre­o­cu­pa­ções. Aguar­dando um escla­re­ci­mento de V. Exas., subscrevo-me,

Com os melho­res cum­pri­men­tos,
Hel­der Sanches

 

O bispo, a esquerda e a falta de blue-jeans

Quando toca a “cas­car” no governo encontram-se as ali­an­ças mais ines­pe­ra­das. Assis­tir ao espec­tá­culo de alguma esquerda a aplau­dir a inter­ven­ção do bispo das For­ças Arma­das, D. Januá­rio Tor­gal Fer­reira, na pas­sada terça-feira na TVI, parece dema­si­ado depri­mente para ser ver­dade. Para essa esquerda, é válido que qual­quer cida­dão se pro­nun­cie sobre poli­tica se for para “cas­car” no governo. Con­tudo, chamo a aten­ção de dois pormenores:

  • O entre­vis­tado foi anun­ci­ado como bispo das For­ças Arma­das e com o seu título de mem­bro da Igreja Cató­lica, enver­gando o pom­poso “Dom” antes do nome (ver aqui)
  • O entre­vis­tado não tra­java à civil, enver­gando as tra­di­ci­o­nais ves­tes do cargo que desem­pe­nha na hie­rar­quia a que pertence

Pergunto-me se, em iguais cir­cuns­tan­cias, essa mesma esquerda defen­de­ria tão con­vic­ta­mente a liber­dade de expres­são do refe­rido bispo em assun­tos como o aborto ou o casa­mento de pes­soas do mesmo sexo. Ou se virão a defen­der o papel de agente social da Igreja quando acon­te­cer um debate público e sério sobre a euta­ná­sia. Não me parece.

Ao con­trá­rio do que muita gente pensa, a sepa­ra­ção entre Estado e Igreja visa a pro­tec­ção de ambos. Ao pronunciar-se sobre assun­tos de Estado, o bispo abre um pre­ce­dente muito peri­goso, pois seria tão ou mais grave que, dora­vante, o Estado come­çasse a opi­nar sobre assun­tos inter­nos da Igreja.

Assim, mesmo que o cida­dão Januá­rio tenha todas as razões e mais alguma para dizer o que disse, não o pode fazer com o “Dom” antes do seu nome e tem que enver­gar uma t-shirt e blue-jeans quando o fizer, caso con­trá­rio comporta-se como mais um agente do trá­fico de influên­cias com que a imprensa e a Igreja Cató­lica tan­tas vezes nos pre­sen­teiam. Que a esquerda opor­tu­nista não queira ver isto é que é de lamentar.

A morte de Jon Lord e um “a propósito” para os ateus

Fale­ceu hoje, em Lon­dres, Jon Lord, fun­da­dor e teclista dos Deep Pur­ple, res­pon­sá­vel pela co-autoria de mui­tos dos hits da banda, nome­a­da­mente “Smoke on the Water”.

Estava eu a ler uma das notí­cias sobre a sua morte num site inglês quando me cru­zei com a pre­vi­sí­vel expres­são R.I.P. (Rest in Peace) e me inter­ro­guei sobre a mais que pro­vá­vel ori­gem da expres­são. Numa pes­quisa rápida, eis a res­posta na Wikipedia:

The phrase or ini­ti­a­lism is com­monly found on the grave of Catholics,[1] as it is deri­ved from the burial ser­vice of the Catho­lic Church, in which the fol­lowing prayer is said at its com­men­ce­ment and conclusion:

Anima eius et animæ omnium fide­lium defunc­to­rum per Dei mise­ri­cor­diam requi­es­cant in pace. ”

In English:[3]

May his soul and the souls of all the depar­ted faith­ful by God’s mercy rest in peace. ”

Assim sendo, evi­tem lá de colo­car o tão cató­lico RIP quando pre­ten­dem home­na­gear dis­tin­tos ateus. É deve­ras despropositado.

A indignação ilusória

Já não res­tam dúvi­das que o acesso à inter­net e a con­se­quente uti­li­za­ção de blogs, fóruns e outros sites soci­ais como o Face­book, demo­cra­ti­zam a pala­vra e a opi­nião, per­mi­tindo vir­tu­al­mente a qual­quer cida­dão expressar-se como muito bem enten­der. Claro que isso acar­reta os male­fí­cios ine­ren­tes a qual­quer mas­si­fi­ca­ção, tornando-se mais fre­quente o desin­te­res­sante e o monó­tono do que o pro­fundo e inovador.

Con­tudo, não me parece que seja esse o ver­da­deiro pro­blema desta mas­si­fi­ca­ção. O ver­da­deiro pro­blema reside na ilu­são que se cria em quem expõe as suas opi­niões de que elas con­tam. E não con­tam! Toda essa indig­na­ção exposta em entra­das do Face­book, umas mais sérias, outras mais sar­cás­ti­cas, pode con­tri­buir para o retrato do “estado de alma” do país, mas em nada con­tri­bui para melho­rar a fotografia.

Pre­ci­sa­mos de uma maior cons­ci­ên­cia cívica e de nos men­ta­li­zar­mos que existe uma alter­na­tiva ao “fado” de não con­se­guir­mos um melhor Estado. Essa alter­na­tiva passa por con­se­guir­mos menos Estado e isso só é pos­sí­vel com mais tra­ba­lho do que escre­ver uns tex­tos ou par­ti­lhar umas ima­gens com fra­ses fei­tas. É pre­ciso por em prá­tica o que se apre­goa e não ficar­mos ape­nas por pala­vras vãs. E faço já mea culpa.