Como melhor divulgar o ateísmo

Para qual­quer ateísta, o mundo ideal seria aquele em que a soci­e­dade e o espaço público esta­riam isen­tos de sim­bo­lo­gia, influên­cias, pres­sões e acti­vi­da­des reli­gi­o­sas. Para qual­quer ateísta, o mundo ideal seria aquele em que uma visão natu­ra­lista e huma­nista do mundo fosse norma, o estado laico e as ins­ti­tui­ções secu­la­res res­pei­ta­das e valo­ri­za­das. Con­tudo, esta­mos ainda muito longe desse mundo ideal. Sem o con­tri­buto de todos, essa dis­tân­cia entre o estado das coi­sas e o estado ideal das coi­sas irá manter-se durante muito tempo.

Esse con­tri­buto, no entanto, pode ser feito por todos nós, dia­ri­a­mente, sem esforço; basta boa von­tade e um pouco de gra­ti­tude. Senão, veja­mos: todos nós temos acesso gra­tuito a uma quan­ti­dade de con­teú­dos online sobre ateísmo. Feliz­mente, muito desse con­teúdo dis­po­ni­bi­li­zado para todos nós tem uma qua­li­dade con­si­de­rá­vel e faz-nos pen­sar, rir, apro­fun­dar e dis­cu­tir o nosso ateísmo e o ateísmo dos outros. Ora, se há tanta maté­ria online da qual nós gos­ta­mos, por que não con­tri­buir para a causa ateísta com o sim­ples acto de aju­dar a divul­gar esses con­teú­dos? Atra­vés do sim­ples acto de divul­ga­ção dos con­teú­dos ateís­tas a que dia­ri­a­mente ace­de­mos esta­re­mos a con­tri­buir de uma forma deci­siva para a divul­ga­ção do ateísmo.

A inter­net hoje em dia fun­ci­ona muito à base de esta­tís­ti­cas e de refe­rên­cias. Se arti­gos sobre ateísmo come­ça­rem a ser mais divul­ga­dos atra­vés das diver­sas redes soci­ais dis­po­ní­veis, os moto­res de busca não fica­rão alheios a esse facto e esses arti­gos pas­sa­rão a ter maior expo­si­ção. Assim, da pró­xima vez que se cru­za­rem com um artigo sobre ateísmo não se esque­çam de o par­ti­lhar em redes soci­ais como o Face­book, Twit­ter, Red­dit e por aí fora.

Este blog per­mite há já bas­tante tempo a refe­rên­cia auto­má­tica dos arti­gos em diver­sos sites soci­ais (ver ícones no final de cada artigo, antes dos comen­tá­rios), por­tanto se essa von­tade de cola­bo­rar para a causa ateísta for genuína não há des­cul­pas para que não sejam adqui­ri­das estas boas práticas.

(adap­tado de artigo ori­gi­nal­mente publi­cado no Por­tal Ateu:  Pro­mo­ver o ateísmo sem fazer nenhum)

Pergunta Legítima

Terá sido a expres­são “Não pode” inven­tada pelos polí­ti­cos e a expres­são “Não deve” pelos filósofos?

Espiritualidade ateísta

Paulo Borges

Paulo Bor­ges

Ontem estive pre­sente em mais uma ses­são da Aca­de­mia Popu­lar de Filo­so­fia que tem vindo a decor­rer na Voz do Ope­rá­rio em Lis­boa. O tema da ses­são de ontem era aquele que mais me inte­res­sava, tendo como mote a ques­tão “O que é a Espi­ri­tu­a­li­dade?”, sendo o ora­dor con­vi­dado Paulo Bor­ges que tem um vasto cur­ri­cu­lum nas áreas da filo­so­fia, reli­gião e polí­tica. Uma das razões do meu inte­resse par­ti­cu­lar por esta ses­são prendia-se com a abor­da­gem que seria feita à espi­ri­tu­a­li­dade enquanto pro­cesso reli­gi­oso e meta­fí­sico ou ao alcance de qual­quer um, inde­pen­den­te­mente das suas cren­ças ou não crenças.

Paulo Bor­ges muito cedo assu­miu a sua con­vic­ção de que a espi­ri­tu­a­li­dade não é uma expe­ri­ên­cia de cariz exclu­sivo dos fenó­me­nos reli­gi­o­sos e está — ou deve­ria estar — ao alcance de todos os seres huma­nos que, atra­vés da obser­va­ção, medi­ta­ção e cons­ci­en­ci­a­li­za­ção do mundo que nos rodeia (os outros e as coi­sas), lhes per­mita  atin­gir um plano de res­peito e inter­li­ga­ção com o Uni­verso que con­duza a uma con­duta ética exem­plar (pala­vras minhas, que pode­rão estar dema­si­ado influ­en­ci­a­das pela minha pró­pria inter­pre­ta­ção). Estes prin­cí­pios não esta­rão muito longe do que os prin­cí­pios do Huma­nismo pre­co­ni­zam e, tal como estes, pode­rão ser um passo essen­cial para a cons­tru­ção de um mundo melhor, mais soli­dá­rio, justo e feliz.

Con­tudo, é muito pouco habi­tual que os pró­prios ateus reco­nhe­çam neles pró­prios uma espi­ri­tu­a­li­dade que vá muito além da con­tem­pla­ção do uni­verso, da natu­reza, da vida… Tal­vez por­que o que se entende nor­mal­mente por “espi­ri­tu­a­li­dade” estar dema­si­ado estig­ma­ti­zado à uti­li­za­ção reli­gi­osa do termo. E, ao pen­sar nisto, ima­gino as van­ta­gens que teria para a divul­ga­ção do ateísmo se, em vez de se con­cen­trar ape­nas nos aspec­tos téc­ni­cos da ciên­cia e mesmo da filo­so­fia, este con­se­guisse tam­bém trans­mi­tir uma inter­pre­ta­ção mais sen­si­tiva do mundo, o que em nada con­tra­ri­a­ria os prin­cí­pios de rigor cien­ti­fico ou filo­só­fico e que iria ao encon­tro dos mais nobres objec­ti­vos do Humanismo.

Um blog é um blog

Eis que renasce em mim a von­tade de escre­ver neste blog outrora movi­men­tado e dinâ­mico. Um blog é um blog e não neces­sita de gran­des flo­re­a­dos para que as ideias fluam e as dis­cus­sões se mul­ti­pli­quem. Feita a neces­sá­ria tra­du­ção para o por­tu­guês, eis que o “Penso, logo, sou ateu” se rea­nima. Cui­dado, tenham muito cuidado…