Todas as crenças são iguais, mas umas…

Nes­tas dis­cus­sões sobre ateísmo e afins, das coi­sas todas que me fas­ci­nam, nada me parece mais fas­ci­nante do que os cren­tes reli­gi­o­sos acha­rem que as suas cren­ças são mere­ce­do­ras de um tra­ta­mento dife­ren­ci­ado de outras cren­ças isen­tas de raci­o­na­li­dade tais como a bru­xa­ria, a fei­ti­ça­ria, a mito­lo­gia grega, o yeti, o mons­tro de Loch Ness ou a macumba. Do ponto de vista de um ateu, todas essas cren­ças se encon­tram ao mesmo nível e faz para mim tanto sen­tido raci­o­na­li­zar a crença reli­gi­osa como fará para um crente reli­gi­oso raci­o­na­li­zar qual­quer destas.

Igual­mente fas­ci­nante é a obses­são em sepa­rar a fé indi­vi­dual das reli­giões orga­ni­za­das. Todos os ateus res­pei­tam — se não res­pei­tam, deve­riam res­pei­tar —  o direito de cada indi­vi­duo à sua fé e ao exer­cí­cio da sua reli­gião, em locais apro­pri­a­dos, sem impo­si­ção aos demais cida­dãos das regras que aque­les adop­tem inter­na­mente. Mas todas as orga­ni­za­ções são um reflexo dos seus mem­bros. E, ainda mais fas­ci­nante, é a con­fu­são per­ma­nente entre fé e crença.

Se não fosse dema­si­ado iró­nico, o que me ape­te­ce­ria dizer aos cren­tes seria algo do género: assumam-se, saiam do armá­rio, há muita gente a acre­di­tar em coi­sas dis­pa­ra­ta­das. Vocês não estão sós na vossa esquizofrenia.