DsA 1 — A Religião como produto da Evolução

Fica lan­çado o pri­meiro tema para os Deba­tes sobre Ateísmo (DsA): “A Reli­gião como pro­duto da Evolução”.

Até que ponto os sis­te­mas de cren­ças mais ou menos orga­ni­za­das trou­xe­ram van­ta­gens evo­lu­ti­vas aos indi­ví­duos e ao colec­tivo das soci­e­da­des que os adop­ta­ram? Estará esse pro­cesso esgo­tado? Ou tere­mos um “gene da reli­gião” que con­di­ci­ona as nos­sas opções? Onde ter­mina a pre­dis­po­si­ção gené­tica — se a hou­ver — e come­çam os pro­ces­sos de endo­cul­tu­ra­ção, no que diz res­peito às opções reli­gi­o­sas de cada um? Que van­ta­gens sócio-culturais são ainda pos­sí­veis de encon­trar nas soci­e­da­des devido às religiões?

Boa par­ti­ci­pa­ção e bom debate!

Par­ti­lhar este artigo:

Outros arti­gos idênticos:

  1. DsA 1 — A Reli­gião como pro­duto da Evo­lu­ção (I)
  2. O Defi­nhar da Religião
  3. Debate Inter­blo­gues: Será a Reli­gião Eterna e Inevitável?
  4. 6 anos depois
  5. Sam Har­ris, Idea City 2005
Esta entrada foi publicada em Ateísmo, Debates com as tags cultura, debates, evolução, genética. ligação permanente.

Uma Resposta a DsA 1 — A Religião como produto da Evolução

  1. Carlos Santos diz:

    As van­ta­gens evo­lu­ti­vas par­tem da orga­ni­za­ção em colec­ti­vos da parte dos seres e não dos sis­te­mas de cren­ças. Isto é, os seres vivos que con­vi­vem em comu­ni­dade alcan­çam pro­gres­sos no seu pro­cesso evo­lu­tivo quanto mais coesa e orga­ni­zada for essa comu­ni­dade.
    Neste con­texto, os sis­te­mas de cren­ças actuam como más­cara dado que se des­ti­nam a pre­en­cher o vazio de conhe­ci­mento dos seres que os criam e nesse aspecto a van­ta­gem apa­renta dever-se à cons­ti­tui­ção do sis­tema de crença e não à coo­pe­ra­ção dos indi­ví­duos da espé­cie, sendo no entanto devido a esse aspecto de coo­pe­ra­ção. Porém pode-se argu­men­tar que o sis­te­mas de cren­ças fun­ci­o­nam como moti­va­dor de cons­ti­tui­ção des­ses gru­pos comu­ni­tá­rios. Assim, pode exis­tir uma rela­ção sim­bió­tica devendo-se a van­ta­gem evo­lu­tiva em pri­meiro plano à comu­ni­dade e não à crença mas esta pode actuar como incen­tivo devido ao esta­ble­ci­mento de neces­si­da­des e objec­ti­vos comuns.
    Con­si­dero que este pro­cesso não está esgo­tado, no entanto já não se uti­liza os sis­te­mas de cren­ças no sen­tido reli­gi­oso mas sim outros sis­te­mas soci­ais, exem­plo máximo disso é a Inter­net e as redes soci­ais. Repa­re­mos que as revo­lu­ções árabes recen­tes leva­ram a uma evo­lu­ção posi­tiva da soci­e­dade devido a estes meios de comu­ni­ca­ção pois actu­a­ram como base de ini­ci­a­tiva das acções de rua dos povos. Assim, rejeita-se a ideia de um “gene da reli­gião”, dado que estes sis­te­mas sur­gem em res­posta a neces­si­da­des e objec­ti­vos soci­ais, logo são sis­te­mas soci­ais e não bio­ló­gi­cos.
    Como tal, o pro­cesso de endo­cul­tu­ra­ção está direc­ta­mente depen­dente do grau de evo­lu­ção social e não da aptên­cia de um indi­ví­duo para uma reli­gião ou outra. Isto é direc­ta­mente obser­vado nas pes­soas per­ten­cen­tes a clas­ses soci­ais com fra­cas pos­si­bi­li­da­des finan­cei­ras, dado que é nes­tas que encon­tra­mos mais cren­tes e menos acesso ao Conhe­ci­mento. Igual­mente, a neces­si­dade de uma vida melhor leva a estas pes­soas a esta­rem mais pro­pen­sas a pro­mes­sas do mesmo.
    É neste ponto que os sis­te­mas de crença entram em fun­ci­o­na­mento sejam eles de ordem reli­gi­osa, polí­tica ou cul­tu­ral. No entanto, a cons­ti­tui­ção dos sis­te­mas de ordem reli­gi­osa não fun­ci­ona como van­ta­gem ao con­trá­rio dos de ordem polí­tica ou cul­tu­ral, dado que nes­tes o dogma rapi­da­mente drena o pro­gresso evo­lu­tivo dessa comu­ni­dade e nos sis­te­mas polí­tico e cul­tu­ral existe a pos­si­bi­li­dade (não é um fac­tor certo) da ele­va­ção da cons­ci­ên­cia de classe e levar à Acção des­sas comu­ni­da­des con­tra a sua actual con­di­ção de vida.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Pode usar estas tags HTML e atributos: