Anomalias ou o ateu embrionário

Hoje, a pro­pó­sito de qual­quer coisa sem impor­tân­cia, recordei-me de que há uns anos atrás escrevi pela pri­meira vez publi­ca­mente sobre o meu ateísmo no fórum do site Ano­ma­lies Network. Tinha-me sido reco­men­dado aquele fórum por causa de uma suposta polé­mica que decor­ria então (2003) online sobre um via­jante do tempo, um tal de John Titor. Recordo-me que na altura dei uma “vol­ti­nha” pelo fórum e fiquei de tal forma cho­cado com os dis­pa­ra­tes na sec­ção de reli­gião (está­va­mos ainda no res­caldo do 11 de Setem­bro com tudo o que isso impli­cava) que resolvi intervir.

Con­ti­nue reading…

DsA 3 — They should have sent a poet

Este é um dos momen­tos altos do filme “Con­tacto”, base­ado no best-seller de Carl Sagan e pro­ta­go­ni­zado por Jodie Foster.

Esta sim­ples cons­ta­ta­ção “They should have sent a poet!” (Deviam ter envi­ado um poeta!) é um exce­lente ponto de par­tida para vários pos­sí­veis deba­tes e levanta, desde logo, uma série de questões.

  • Por­que é que uma cien­tista cép­tica como a per­so­na­gem Ele­a­nor Arroway sugere que um poeta seria mais útil , dadas as circunstâncias?
  • Será que algu­mas pes­soas, por razões natu­rais ou soci­ais, pre­cisa de uma com­po­nente sobre­na­tu­ral para atin­gir este nível de deslumbramento?
  • Con­terá esta per­gunta a cons­ta­ta­ção de que a ciên­cia, devido à sua objec­ti­vi­dade intrín­seca, é inca­paz de trans­mi­tir (ou con­ter) fiel­mente qual­quer sen­ti­mento humano, intra ou extra gerado?

Matemática e Português

cnipe

Os resul­ta­dos dos exa­mes naci­o­nais do 9º ano de Por­tu­guês e Mate­má­tica regis­ta­ram uma des­cida nas médias e uma subida nas repro­va­ções. Um repre­sen­tante da CNIPE - Con­fe­de­ra­ção Naci­o­nal Inde­pen­dente de Pais e Encar­re­ga­dos de Edu­ca­ção — mostrou-se indig­nado com o grau de exi­gên­cia dos exa­mes! Mas que raio de repre­sen­tan­tes são estes que que­rem criar uma gera­ção de incul­tos e analfabetos?

O que estes “repre­sen­tan­tes” não per­ce­bem é que um sis­tema de ensino faci­li­tista que pro­teja os cábu­las e os irres­pon­sá­veis acaba por ape­nas favo­re­cer os filhos das clas­ses soci­ais mais ele­va­das e com capa­ci­dade para colo­car os seus filhos em esco­las em que o faci­li­tismo não seja a norma e os graus de exi­gên­cia obri­guem a nive­lar todos por cima.

Dito por outras pala­vras, a maior parte dos estu­dan­tes de ori­gem social mais humil­dade tem mais hipó­te­ses de poder melho­rar a sua con­di­ção em rela­ção aos seus pro­ge­ni­to­res atra­vés de um ensino mais exi­gente, menos faci­li­tista e que esti­mule e pro­mova o mérito indi­vi­dual e cole­tivo do que atra­vés de um sis­tema que impli­ci­ta­mente fil­tre os filhos dos mais ricos para as esco­las mais eficientes.

DsA 2 — Serão todas as religiões igualmente “loucas”

Lanço aqui o meu segundo tema para dis­cus­são no grupo “Deba­tes sobre Ateísmo” do Face­book. Desta vez o tema é

Serão todas as reli­giões igual­mente” loucas”?

Have­rão reli­giões mais peri­go­sas para as soci­e­da­des em que estão inse­ri­das do que outras? Ou depen­derá sem­pre de um ponto de vista pes­soal? Será a que esti­ver mais pró­xima de nós sem­pre a mais “vene­nosa”, para­fra­se­ando o sub­tí­tulo do best-seller de Chris­topher Hit­chens (God is not great — How reli­gion poi­sons everything)? Ou serão todas igual­mente per­ver­sas e perigosas?

Deixo-vos dois tex­tos com posi­ções dife­ren­tes sobre o tema. No pri­meiro caso, trata-se de um texto de uma visão budista sobre a maté­ria: Are All Reli­gi­ons the Same?
No segundo caso, temos um texto do Huf­fing­ton Post, da auto­ria de Phi­lip Gold­berg, um deno­mi­nado minis­tro inter-fé(!), inti­tu­lado “Who Says All Reli­gi­ons Are the Same?”.

Bom debate!

Estante herege

Uma reor­ga­ni­za­ção das pra­te­lei­ras cá de casa dá nisto: uma sec­ção para os cren­tes se arre­pi­a­rem e se ben­ze­rem. Por detrás de “A His­tó­ria do Ateísmo” está — bem escon­di­di­nha — uma Bíblia de capa dura!

Por cima, fica­ram os de ciên­cia e filo­so­fia e por baixo os de bar­ten­ding, Bea­tles e outros generalistas.

Rezar de olhos fechados

Hoje foi-me dada a conhe­cer uma frase do pri­meiro 1º minis­tro e Pre­si­dente do Qué­nia, Jomo Kenyatta. Antes que me venham com a cha­mada da aten­ção, já sei que o senhor depois se trans­for­mou num daque­les líde­res afri­ca­nos inca­pa­zes de levan­tar as náde­gas do banco do poder. Só que, tal como no enten­der dos cató­li­cos os atos de pedo­fi­lia de alguns padres em nada dimi­nuem o valor das homi­lias de que estes pro­fe­rem, tam­bém neste caso a ati­tude polí­tica deve ser afas­tada da aná­lise histórica:

Quando os Bran­cos che­ga­ram a África, nós tínha­mos ter­ras e eles tinham a Bíblia. Eles ensinaram-nos a rezar com os olhos fecha­dos: no momento em que abri­mos os olhos, os Bran­cos tinham as ter­ras e nós a Bíblia.”

Nonsense

Às vezes somos obri­ga­dos a ouvir con­ver­sas  quer quei­ra­mos, quer não. Foi o que me acon­te­ceu hoje no café… A con­versa entre pai e filha foi a seguinte:

Filha: Então, pai, já tomou o com­pri­mido?
Pai: Tomei… Tomei com o pequeno almoço.
Filha: E, então, já se sente melhor?
Pai: Já… Já me sinto bem!
Filha: Ah, gra­ças a Deus!

Sem comen­tá­rios!