A AAP e o futuro do ateísmo em Portugal

Ateísmo, Portugal | 3 Junho, 2008

Na passada 6ª feira, 30 de Maio, foi criada a AAP - Associação Ateísta Portuguesa, conforme anunciámos aqui no Portal Ateu.

Esta será, certamente, uma oportunidade de ouro para todos os ateus no nosso país. Mesmo com a importância que alguns blogues nacionais possam ter na divulgação da visão ateísta do mundo, nada como uma organização oficial para que se possa dar voz aos anseios que acima expressei.

Esta associação tem, de acordo com os seus estatutos e o seu manifesto, a responsabilidade de atingir objectivos concretos. Objectivos esses com os quais eu não poderia estar mais de acordo. Por enquanto, ainda não são claros os métodos e formatos que virão a ser utilizados. Parece-me que o sucesso da AAP estará altamente dependente das opções que se virão a tomar na metodologia a utilizar para atingir os objectivos propostos.

Neste aspecto, existem algumas confusões frequentes que poderão deixar confusos os mais distraídos em relação à posição ateísta ou que poderão servir de base sólida para a argumentação de quem se opõe a uma maior visibilidade do ateísmo na nossa sociedade. Muitas vezes - e aqui faço também mea culpa - confunde-se o mau carácter de um individuo com a doutrina religiosa que o mesmo preconiza; confunde-se desonestidade intelectual com dogma religioso; outras, confunde-se mesmo Fé com ignorância…

Espero que a nova associação não vá pelo caminho mais fácil e simplista. Para além da inevitável perda de credibilidade, seria também o caminho menos interessante do ponto de vista intelectual.

4 Comentários »

  1. Caro Helder,
    Este seu texto é uma lufada de ar fresco neste portal. Mas ninguém lhe pegou! Gostaria de saber porquê.

    Saudações,

    Alfredo Dinis

    Comentário por alfredo dinis — 3 Junho 2008 @ 23:41

  2. Não faço ideia, caro Alfredo. Pode ser que ainda estejam a reflectir sobre a matéria.

    Cumprimentos.

    Comentário por Helder Sanches — 4 Junho 2008 @ 10:23

  3. Viva!

    Gostei muito das suas palavras.

    Não comungamos ideias em relação ao universo em questão pois sou católico militante. No entanto gostei da sua abordagem que me pareceu intelectualmente honesta e esclarecida.

    Tenho viajado pelos sítios de pendor assumidamente ateu no trabalho de preparação das minhas aulas - neste momento lecciono os valores religiosos e a perspectiva ateísta da questão parece-me essencial ser também oferecida aos alunos.

    No entanto tenho ficado surpreendido pelo nível de discurso da associação ateísta que me parece muito pouco razoável, preconceituoso, muito emotivo e até pouco livre no pensamento pois fracamente dialogante.

    Sempre pensei que o ateísmo estaria para além do anticlericalismo e da simples negação da religião…

    Fiquei agradavelmente surpreendido pelo seu discurso, pois não me pareceu que as convicções toldassem a abertura de espírito para a correcta fundamentação.

    O dogmatismo não é exclusivo dos crentes pois não? Eu conheço bastantes ateus muito dogmáticos.

    Parece-me que o dogmatismo em termos filosóficos deva ser entendido como a aceitação de verdades inquestionáveis sem recurso à crítica, à fundamentação racional, à abertura ao diálogo. E isso não conhece posição ideológica, pode estar muito universalmente distribuído.

    Naquilo que me der oportunidade de me questionar, e às minhas convicções, no que me possibiltar em alargar horizontes, agradeço desde já. As convicções contrárias e diversas não me parecem nunca ameaçadoras se o Homem ficar salvaguardado nos seus direitos.

    Acima de tudo não me parece que as pessoas se possa diferenciar essencialmente em virtude das suas convicções, mas é inquebrável a teia que a todos nos une enquanto humanidade sempre em percurso.

    Comentário por carlos reis — 9 Junho 2008 @ 12:16

  4. Caro Carlos Reis,

    Muito obrigado pelo seu comentário. Ao contrário do que o senso comum nos dita, todas as convicções só são válidas se não forem suficientemente fortes para nos cegar.

    Cumprimentos.

    Comentário por Helder Sanches — 9 Junho 2008 @ 13:23

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