Leituras para o fim de semana

Aqui fica a reco­men­da­ção de algu­mas lei­tu­ras para um fim de semana que desejo que seja exce­lente para todos:

What does a free soci­ety require of beli­e­vers and non-believers alike? — Exce­lente texto no Guar­dian Unli­mi­ted sobre as dife­ren­ças entre secu­la­rismo, ateísmo e a neces­si­dade da con­vi­vên­cia em soci­e­dade dos cida­dãos de diver­sas sensibilidades.

The Thought Police — Será que os jul­ga­men­tos morais não pas­sam, afi­nal, de jul­ga­men­tos sobre o pensamento?

The Cult-like Cul­ture of Atheism Cri­tics — Qual o maior culto? O ateísmo ou considerá-lo como tal?

Diário Ateísta: 4 anos

O Diá­rio Ateísta come­mora hoje 4 anos de vida. Juntei-me à equipa muito recen­te­mente, tendo até então vivido o site ateismo.net/DA ape­nas como lei­tor e comen­ta­dor aqui e ali no antigo fórum.

É ine­gá­vel a impor­tân­cia do tra­ba­lho que os fun­da­do­res e pri­mei­ros cola­bo­ra­do­res do DA colo­ca­ram num blog que é actu­al­mente dos mais visi­ta­dos em Por­tu­gal. Para eles vai o meu sin­cero reco­nhe­ci­mento pela cora­gem e opor­tu­ni­dade demonstradas.

Para­béns, DA.

Reencarnação sob referendo

Segundo noti­cia o Times Online, o Dalai Lama coloca a hipó­tese de con­sul­tar os seus segui­do­res num refe­rendo sobre a sua reen­car­na­ção. Basi­ca­mente, pre­tende saber se os seus cerca de 14 milhões de segui­do­res em todo o mundo pre­ten­dem que ele reen­carne ou não! Se a mai­o­ria achar que não, ele sim­ples­mente não renas­cerá; caso con­trá­rio, que­brará a tra­di­ção cen­te­ná­ria e nome­ará ele pró­prio um reen­car­nado. Parece com­pli­cado, mas não é. Afi­nal, é ape­nas reli­gião… e tudo é possível!

Jesus Christ Superstar

Nem sei como foi pos­sí­vel ainda não ter feito uma refe­rên­cia a este musi­cal nas pági­nas deste blog. Jesus Christ Supers­tar é a minha ópera rock favo­rita; pro­vo­ca­tó­ria, ima­gi­na­tiva e com uma música soberba, auto­ria de Andrew Lloyd Web­ber e Tim Rice. O filme é tam­bém uma inter­pre­ta­ção quase psi­ca­dé­lica dos evan­ge­lhos e transformou-se, à data da sua pro­du­ção (1973), o alvo pre­fe­rido das crí­ti­cas cristãs.

Con­ti­nue reading…

A lata de deus (ou deus enlatado)

Real­mente, para algu­mas coi­sas é pre­ciso ter lata. De iní­cio até pen­sei que se tra­tasse ape­nas de uma brin­ca­deira do Fri­en­dly Atheist. Mas não.

God Can é um pro­duto à venda online que faz… nada! Uma lata com uma ranhura — tipo mea­lheiro — para colo­car pre­ces, rezas e ora­ções, enfim, tudo aquilo que se queira dizer “para o boneco”. Por $2.75 ($3.75 na ver­são deluxe, pois claro), obtem-se uma lata de fei­jão sem fei­jões e com um rótulo de um pés­simo mau gosto.

Con­ti­nue reading…

Reflectir o meu ateísmo — Parte 4

A des­ne­ces­si­dade de crer

Um dos argu­men­tos mais uti­li­za­dos pelos cren­tes é a feli­ci­dade que encon­tram ao des­co­bri­rem deus; tal des­co­berta enche-os de ale­gria, completa-os, enfim, adqui­rem um pro­pó­sito para a vida. Não con­sigo dei­xar de sen­tir alguma angús­tia sem­pre que tento alcan­çar o sig­ni­fi­cado de tais afir­ma­ções. Não con­sigo dei­xar de sen­tir alguma revolta quando insi­nuam que sem a tal des­co­berta de deus a vida de qual­quer um é des­pro­vida de propósito.

Encon­trar um pro­pó­sito para a vida numa fan­ta­sia mile­nar, isso sim, é doen­tio e, não fos­sem os con­ven­ci­o­na­lis­mos cul­tu­rais, digno de mere­cer um exame psi­quiá­trico urgente.

Crer” e “ter fé” não pas­sam de for­ma­lis­mos cul­tu­rais para a acei­ta­ção do des­co­nhe­cido e do medo da morte; não pas­sam de más­ca­ras obso­le­tas com um selo de garan­tia para a vida eterna, esse desejo simul­ta­ne­a­mente tão humano e despropositado.

A mim, o que me enche de ale­gria, com­pleta e dá pro­pó­sito para a vida são cir­cuns­tan­cias muito mais ter­re­nas e rea­lis­tas. Não pre­ciso de vidas eter­nas nem de recom­pen­sas post-mortem.  Estou muito mais perto de um macaco, de um cão ou de um lacrau do que de deus e essa cons­ta­ta­ção deixa-me seguro quanto à minha sani­dade mental.

No entanto, a per­gunta pre­va­lece: mas, qual é o mal em “Crer”? Nenhum, se quem crê tiver noção de que se trata de uma fan­ta­sia e guar­dar essa para­nóia para si pró­prio. Mas, tem todo o mal quando essa crença força que eu tenha que viver pelos padrões morais de quem crê ou quando a fé move mon­ta­nhas de des­trui­ção no for­mato de guer­ras ditas santas.

The Golden Compass

Nas últi­mas sema­nas, a para­nóia cristã tem andado alta­mente cris­pada para os lados da terra do Uncle Sam. Em causa está a apro­xi­ma­ção da estreia do filme “The Gol­den Com­pass” (“A Bús­sola Dou­rada” em por­tu­guês), rea­li­zado por Chris Weitz, base­ado na pri­meira parte da tri­lo­gia “His Dark Mate­ri­als”, de Phil­lip Pull­man.

De facto, Pull­man nunca negou que esta tri­lo­gia tinha sur­gido da neces­si­dade que ele pró­prio sen­tiu de dar uma res­posta à pro­pa­ganda cristã na obra de C.S. Lewis, The Chro­ni­cles of Nar­nia. Agora que a obra de Pull­man é adap­tada ao cinema, um for­mato muito mais cati­vante para as cri­an­ças e ado­les­cen­tes dos dias de hoje, eis que sur­gem todo o tipo de opi­niões doen­tias, fun­da­men­ta­lis­tas e aber­ran­tes que supor­tam a ideia de que per­mi­tir que as cri­an­ças vejam este filme é uma espé­cie de pecado mor­tal que lhes abrirá as por­tas ao mundo herege do ateísmo! Inde­pen­den­te­mente da qua­li­dade do filme ou dos livros (Car­ne­gie Medal, 1995), não deixa de ser bas­tante sin­to­má­tico esta reac­ção dos con­ser­va­do­res cris­tãos. Uma escola no Canadá teve mesmo o des­plante de remo­ver a obra de Pull­man da sua bibli­o­teca por o autor ser um ateu con­fesso! A suges­tão de PZ Meyers demons­tra bem onde se che­ga­ria se essa regra fosse levada a sério.

The Gol­den Com­pass” é uma his­tó­ria de fan­ta­sia que se ini­cia em Oxford, mas num uni­verso para­lelo. O equi­va­lente às almas chamam-se dae­mons e parece que foram tra­du­zi­dos para por­tu­guês como génios. Ao con­trá­rio das fan­ta­sias do nosso uni­verso, estas habi­tam fora dos cor­pos e são ani­mais conhe­ci­dos de todos nós. Até já des­co­bri o meu pró­prio génio. Agora, só me falta des­co­brir o filme assim que estrear. Eu e a res­tante famí­lia tam­bém, claro!

Houston Church of Freethought

E hoje tenho um rebu­çado para os cren­tes que visi­tam este blog; pois é, vou cri­ti­car alguns… ateus!

Não vou pro­cu­rar gran­des jus­ti­fi­ca­ções, uma vez que o alvo da minha cri­tica soa-me tão abso­lu­ta­mente ridí­culo que nem me quero dar ao tra­ba­lho de per­der muito tempo com o assunto. Basi­ca­mente, a ques­tão é esta: não che­ga­vam já as reli­giões, igre­jas, cul­tos e sei­tas exis­ten­tes com cren­ças fan­tás­ti­cas em his­tó­rias da caro­chi­nha? Era mesmo neces­sá­rio criar uma igreja de “livre pen­sa­do­res”? Pelos vis­tos, a res­posta a esta última per­gunta é afirmativa.

No Texas, Esta­dos Uni­dos (where else?), existe a Hous­ton Church of Fre­ethought (Igreja de Livre Pen­sa­mento de Hous­ton), local que, apa­ren­te­mente, serve para os encon­tros men­sais de ateus, agnós­ti­cos, cép­ti­cos, etc. Com alguns ser­vi­ços de índole social à mis­tura, salta à vista a isen­ção fis­cal como uma van­ta­gem em rela­ção a outros for­ma­tos asso­ci­a­ti­vos que ser­vi­riam per­fei­ta­mente os mes­mos interesses.

Como diria um per­so­na­gem conhe­cido: não havia necessidade!

Enfim, ame­ri­ca­ni­ces…