A fé per si não é o que mais me surpreende na crença religiosa. O que mais me custa a entender é como é que os crentes não se interrogam sobre a multiplicidade de crenças existentes por esse mundo fora. Vou aqui conceder - talvez demasiado - o flanco e partir do princípio que todos os crentes o são convictamente, com a melhor e mais honesta das intenções.

Como é que essa honestidade não os leva a interrogarem-se sobre a plausibilidade da sua crença face à existência de outras? Vejamos, agarremos em dois crentes de quaisquer duas religiões; um deles estará, necessariamente,  enganado! Como esta confrontação é válida para quaisquer duas religiões que se escolham, não é muito mais provável estarem todas erradas?

Tentei explicar este raciocínio à minha filha mais nova quando ela ainda tinha apenas 7 anos e ela percebeu. Como é que gente crescida não entende?

Comentários

2 Respostas a “Noves fora… nada!”

  1. António em 22 Outubro, 2007 19:00

    Mas como é que você se permite dar por adquirido que “os crentes”,assim genericamente considerados como uma massa humana indiferenciada,”não se interrogam sobre a multiplicidade de crenças existentes por esse mundo fora” ?
    E em que cartilha aristotélica é que você leu isso ?
    E o que lhe permite-você que tanto se diz insurgir contra critérios de avaliação moral-duvidar das convicções alheias,em matéria de adesões religiosas,ao ponto de ter que conceder magnânimamente o flanco do benefício da dúvida ?
    Você alguma vez fez no seu blogue processos de intenção sobre as convicções ateístas de todos os ateus que nelas se revêem ?
    Cada um acredita no que quer e no que acha mais logicamente convincente.
    A mim,por exemplo,o Islamismo não me convence,mas respeito quem,sem fundamentalismos terroristas,aderiu a essa religião.
    Do Budismo,religião intrinsecamente ateísta,respeito e admiro a ênfase na vertente da Bondade Humana,e acredito logicamente na teoria da reencarnação.
    Do Hinduismo,revejo-me na noção divina panteísta,contida no Bhagavad-Ghita.
    No Zen e no Taoismo,admiro a busca incessante do Conhecimento,por via da introspecção interior.
    O seu raciocínio é absolutamente falacioso, Helder,na parte em que pretende concluir a probabilidade de todas as religiões estarem erradas,quando não tem que existir uma só versão religiosa,redutora da realidade.
    Você provavelmente acha lógico que exista um Universo sem uma causa primordial,a que eu chamo Deus.
    Eu não acho.Estou convicto de que a forma mais racionalmente lógica de conceber a Vida é admitir a coexistência de um princípio Absoluto com um princípio Relativo.
    Cada um terá a sua Verdade.E já agora,se você quer colocar as coisas tal como as equaciona,entre um teísta e um ateísta,um dos dois está certo e outro errado.
    Pois que existe Deus ou não existe.
    Eu estou convicto de que estou certo.Você também.
    Mas um de nós está errado…

  2. Nuno Azevedo em 24 Outubro, 2007 16:20

    Caríssimo Helder e demais participantes neste tão intelctualmente estimulante blog, devo dizer que estou deveras interessado nele.
    Cá estou eu de novo, bom passando ao tema.
    Helder eu até concordo consigo quando diz que os “crentes” não se interrogam sobre as diferentes religiões, o problema é exactamente esse, nao generalizando há mto boa gente que acaba por dizer que sim sem saber ao que vai nem como vem…isso para mim é uma lacuna que, particularmente a minha Igreja (enquanto pedras vivas) deveria combater vivamente. Religiões como as vejo há 4…3 delas acreditam e professam o mesmo Deus, tanto o Judeismo como o Catolicismo como o Islamismo professam o mesmo Deus e em todos os livros sagrados esse mesmo Deus aparece da mesma forma. A Biblia e o Corao partilham senao uma transcriçao pelo menos uma adaptaçao fidedigna do Antigo Testamento com a Tora, a diferença da-se quando o Cristianismo surge, Todos os Cristão primordiais eram Judeus…o proprio Jesus era Judeu. Ele proprio disse que não vinha para mudar a lei mas para a tornar perfeita, no sentido de juntar a mensagem de amor para com o proximo à ideia de justiça (por vezes cega) que dominava o Judeismo de entao. No Corão fala-se de Jesus, como sendo um dos mais importantes profetas, a linha que nos (Catolicos) separa dos Muçulmanos não é mais espessa que um fio de pesca. Budismo para mim é uma Ideologia mais do que uma religiao (com o maior respeito e admiraçao) o Hinduismo esse sim é notoriamente diferente ate pelo facto de ser a unica religiao politeista.
    Portanto as diferenças nao sao assim tantas, os que as torna maiores é a ignorancia e pior do que a ignorancia é o comodismo das pessoas…nao ha nada que diga que nao podemos questionar, pelo contrario questionar é fundamental para se compreender ou pelo menos tentar compreender em que acreditamos e principalmente porque é que acreditamos.

    Isto e perdoem-me a comparaçao é como nos partidos politicos, à partida e inocentemente falando :), todos eles querem o melhor para o povo, mas cada um tem a sua maneira de ver as coisas. Claro que na religiao acaba por ser um assunto mais delicado porque envolve outras coisas que nao sao tao lineares quanto isso.

    Paz e Bem

    Abraço

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