BCP e BPI: nas mãos de deus

Atra­vés do seu porta-voz, o BCP anun­ciou ontem a recusa à pro­posta de fusão apre­sen­tada pelo BPI. Para mim, que não per­cebo nada des­tas gran­des nego­ci­a­tas, o comu­ni­cado pareceu-me equi­li­brado e cau­te­loso, pre­ca­vendo pos­sí­veis espe­cu­la­ções sem, no entanto, fechar a porta a novas negociações.

Fiquei deve­ras espan­tado, con­tudo, quando o porta-voz do BCP, ao ser inter­ro­gado sobre o futuro, res­pon­deu que “o futuro a deus per­tence”! Ima­gino que outra frase pos­sí­vel fosse “o futuro está nas mãos de deus”. Para o efeito tam­bém fun­ci­o­na­ria… Se fosse inves­ti­dor do BCP esta­ria muito preocupado.

Missão cumprida

Carlos Costa, vencedor do 2º Concurso de Karaoke do Palpita-meChe­gou ontem ao fim o 2º Con­curso de Kara­oke do Palpita-me. O nível desta final foi impres­si­o­nante, sur­pre­en­dendo mesmo os mais opti­mis­tas. O ven­ce­dor foi o jovem Car­los Costa que, se tiver juízo e o q.b. de sorte indis­pen­sá­vel, tem todas as con­di­ções para vir a ser um caso sério na música portuguesa.

A noite da final é como que o sumo de uma parte do meu tra­ba­lho durante o ano ante­rior. Face à qua­li­dade desta final, em todos os aspec­tos, só me resta ficar muito feliz. Obri­gado a todos os par­ti­ci­pan­tes, júris, patro­ci­na­do­res, cli­en­tes, cole­gas e ami­gos que, de uma forma ou de outra, con­tri­bui­ram para o sucesso deste evento. E um agra­de­ci­mento muito espe­cial à minha mulher e às minhas filhas pela com­pre­en­são e pachorra demons­tra­das ao longo das últi­mas semanas.

Práticas de boa gente

Já por diver­sas vezes fui sur­pre­en­dido nas cai­xas de comen­tá­rios pela visita de velhos ami­gos e conhe­ci­dos com quem, devido às vol­tas da vida, havia per­dido o con­tacto. O epi­só­dio mais recente acon­te­ceu com o Nuno Aze­vedo que eu já não vejo há algum tempo. Gos­tei que ele apa­re­cesse e comen­tasse. Gos­tei, tam­bém, de saber que ele encon­trou o seu lugar e des­co­briu nele lugar para as suas convicções.

O Nuno ter­mina um dos seus comen­tá­rios com a seguinte ideia que penso resu­mi­rem, de alguma forma, a sua postura:

Mais impor­tante para mim do que acre­di­tar ou não acre­di­tar é fazer o Bem, ser Humilde e ser Sério…basta isso para, acre­di­tando ou não, viver em comu­nhão com a men­sa­gem que me é trans­mi­tida pelo “meu” Deus.

Bem, não sei onde é que o Nuno encon­tra esses atri­bu­tos no “seu” deus. Não será cer­ta­mente na Bíblia. O Antigo Tes­ta­mento é fér­til em prá­ti­cas do Mal, Arro­gân­cia e Injus­ti­ças, onde a falta de res­peito pela vida humana é levada a extre­mis­mos doentios…

Note-se que eu con­cordo com a afir­ma­ção do Nuno; fazer o Bem, ser Humilde (q.b.) e ser Sério são vir­tu­des reco­men­dá­veis. Agora, não é pre­ciso nenhum deus no pro­cesso para se alcan­ça­rem esses valo­res. Basta ser bem for­mado, res­pei­tar o pró­ximo e ter noção dos limi­tes. Enfim, prá­ti­cas de boa gente.

Resumindo

“Here there comes a prac­ti­cal ques­tion which has often trou­bled me. Whe­ne­ver I go into a foreign coun­try or a pri­son or any simi­lar place they always ask me what is my religion.

I never know whether I should say “Agnos­tic” or whether I should say “Atheist”. It is a very dif­fi­cult ques­tion and I dare­say that some of you have been trou­bled by it. As a phi­lo­sopher, if I were spe­a­king to a purely phi­lo­sophic audi­ence I should say that I ought to des­cribe myself as an Agnos­tic, because I do not think that there is a con­clu­sive argu­ment by which one prove that there is not a God.

On the other hand, if I am to con­vey the right impres­sion to the ordi­nary man in the street I think I ought to say that I am an Atheist, because when I say that I can­not prove that there is not a God, I ought to add equally that I can­not prove that there are not the Home­ric gods.

None of us would seri­ously con­si­der the pos­si­bi­lity that all the gods of homer really exist, and yet if you were to set to work to give a logi­cal demons­tra­tion that Zeus, Hera, Posei­don, and the rest of them did not exist you would find it an awful job. You could not get such proof.

The­re­fore, in regard to the Olym­pic gods, spe­a­king to a purely phi­lo­sophi­cal audi­ence, I would say that I am an Agnos­tic. But spe­a­king popu­larly, I think that all of us would say in regard to those gods that we were Atheists. In regard to the Chris­tian God, I should, I think, take exac­tly the same line.”

Ber­trand Rus­sel, reti­rado daqui.

Chamem os bombeiros

Estão-se a pas­sar. O homem tem que ser rapi­da­mente dado como santo e, então, há que fabri­car uns mila­gres quanto antes!

Está a fazer furor em deter­mi­na­dos meios cató­li­cos que, apa­ren­te­mente, incluem a TV do Vati­cano, a foto de uma fogueira que, nas men­tes per­meá­veis e facil­mente suges­ti­o­ná­veis de alguns cató­li­cos, dizem tratar-se da ima­gem de João Paulo II!

Por­que é que o ante­rior Papa have­ria de apa­re­cer numa fogueira e não numa san­des de tor­res­mos é um assunto sobre o qual não me quero debru­çar. Mas, pergunto-me, o que terá visto um obser­va­dor da mesma fogueira des­vi­ado 45º para a esquerda?

Por outro lado, não seria esta uma men­sa­gem de deus a suge­rir um maior apoio à Pales­tina? Cada um vê o que lhe parece mais con­ve­ni­ente… mas, não passa de ilusão.

 Bill Maher dá outras suges­tões neste vídeo:

Noves fora… nada!

A fé per si não é o que mais me sur­pre­ende na crença reli­gi­osa. O que mais me custa a enten­der é como é que os cren­tes não se inter­ro­gam sobre a mul­ti­pli­ci­dade de cren­ças exis­ten­tes por esse mundo fora. Vou aqui con­ce­der — tal­vez dema­si­ado — o flanco e par­tir do prin­cí­pio que todos os cren­tes o são con­vic­ta­mente, com a melhor e mais honesta das intenções.

Como é que essa hones­ti­dade não os leva a interrogarem-se sobre a plau­si­bi­li­dade da sua crença face à exis­tên­cia de outras? Veja­mos, agar­re­mos em dois cren­tes de quais­quer duas reli­giões; um deles estará, neces­sa­ri­a­mente,  enga­nado! Como esta con­fron­ta­ção é válida para quais­quer duas reli­giões que se esco­lham, não é muito mais pro­vá­vel esta­rem todas erradas?

Ten­tei expli­car este raci­o­cí­nio à minha filha mais nova quando ela ainda tinha ape­nas 7 anos e ela per­ce­beu. Como é que gente cres­cida não entende?

O que fazer aos outros?

Não faças aos outros aquilo que não gos­ta­rias que te fizes­sem a ti”.

Esta é uma máxima que parece ser basi­lar, pelos menos em teo­ria, para grande parte dos segui­do­res da dou­trina cristã. Parece-me que este prin­cí­pio, por mais justo e sau­dá­vel que pareça, encerra em si pró­prio todo o poten­cial para o desen­vol­vi­mento de uma cul­tura egoísta e into­le­rante. Não fazer­mos aos outros o que não gos­ta­ría­mos que nos fizes­sem é uma forma de que­rer­mos impor os nos­sos cri­té­rios morais a terceiros.

Parece-me muito mais justo, cor­recto, sau­dá­vel, tole­rante e demo­crá­tico o seguinte raci­o­cí­nio: “Não faças aos outros aquilo que eles não qui­se­rem que lhes façam”.

Tudo isto a pro­pó­sito deste artigo, onde o comen­ta­dor Antó­nio se acha no direito de ava­liar o que é ou deixa de ser moral­mente acei­tá­vel para ter­cei­ros. Por­que o Antó­nio se choca com deter­mi­nada maté­ria, não só entende que os outros tam­bém se devem cho­car como, indo mais longe, se ques­ti­ona, inclu­si­va­mente, sobre a lega­li­dade do pro­duto e da sua expo­si­ção (pelo menos entendi assim, o Antó­nio que me cor­rija se eu esti­ver equivocado).

Não vejo como pode­rei con­tri­buir para a feli­ci­dade alheia limi­tando ter­cei­ros aos meus valo­res morais. O limite será sem­pre a lei em vigor e, nos casos em que esta já não se ade­quar à rea­li­dade e ao evo­luir dos tem­pos, há que fazer tudo para a mudar. Claro está que não estou a falar da lei de qual­quer deus; quem se qui­ser limi­tar por essa é livre para o fazer sem a ten­tar impor aos outros.

Estou no hi5

O hi5 parece estar na moda. Gra­ças à pres­são do pes­soal fre­quen­ta­dor do Palpita-me, tive que me ren­der às evi­dên­cias e “inves­tir” algum tempo a pro­lon­gar esse rela­ci­o­na­mento atra­vés do hi5. É sim­pá­tico e às vezes até con­se­gue ser sur­pre­en­dente! Fica aqui a minha página no hi5 e a da comu­ni­dade Palpita-me

Tam­bém exis­tem pelo menos dois gru­pos de ateus no hi5 mas pare­cem estar moribundos!

Quando este artigo se “per­der” nos arqui­vos, podem sem­pre ace­der ao meu hi5 atra­vés do link na barra da esquerda (por baixo da foto).