A Falta de Pachorra

Estou a atra­ves­sar a fase do “que se lixe!”. Não tenho pachorra para argu­men­tar com os obce­ca­dos cris­tãos que por aqui pas­sam que, na sua pre­sun­ção ego­cen­trista, acham que sou ateu ape­nas em opo­si­ção à reli­gião deles. Puro disparate.

Encontro-me, por­tanto, numa fase que me parece de tran­si­ção. Já referi ante­ri­or­mente que não subs­crevo um ateísmo estilo imprensa cor-de-rosa. Agora, sinto-me des­mo­ti­vado, mais ou menos pelas mes­mas razões, em argu­men­tar com os comen­ta­do­res bea­tos que ape­nas sabem refu­tar as minhas ideias em par­ti­cu­lar ou o pen­sa­mento ateu em geral com tex­tos bíbli­cos, per­fei­ta­mente desen­qua­dra­dos e cheios de bolor… Será que acham que ao cita­rem excer­tos da bíblia pas­sam a ter mais credibilidade?

Assim, gos­ta­ria que, de uma vez por todas, os cris­tãos de pas­sa­gem se men­ta­li­zas­sem que neste blog a sua crença é tra­tada por mim como uma entre várias, não tendo qual­quer lugar de des­ta­que, uma vez que se trata de ape­nas mais uma das fan­ta­sias que assola o mundo com men­ti­ras, obs­cu­ran­tismo e estagnação.

Barcelona

Uns dias em Bar­ce­lona sou­be­ram a pouco. Para resu­mir, diga­mos que se tivesse menos 20 anos teria ficado por lá. Ao con­trá­rio de Madrid, por exem­plo, dá um enorme pra­zer cami­nhar pelas ruas de Bar­ce­lona, sem des­tino, ape­nas pelo pas­seio. Esta com­pa­ra­ção com Madrid nem faz muito sen­tido por­que, pra­ti­ca­mente, nunca senti que esti­vesse em Espa­nha! Não sei se a sen­sa­ção seria exten­sí­vel ao resto da Cata­lu­nha, mas em Bar­ce­lona, segu­ra­mente, não se res­pira uma atmos­fera espanhola.

Con­ti­nue reading…

Até à próxima segunda

Vou estar por aqui…

6 anos depois

Há seis anos atrás, tam­bém a uma terça-feira, o mundo assis­tia, incré­dulo, a um acto ter­ro­rista que viria a trans­for­mar as rela­ções e os equi­lí­brios internacionais.

Na ori­gem des­tes actos esti­ve­ram, não só mas tam­bém, moti­va­ções reli­gi­o­sas. Moti­va­ções movi­das por uma cegueira que afecta o dis­cer­ni­mento, o bom senso e qual­quer tipo de res­peito pela vida humana. A reli­gião pode ser muita coisa, mas tam­bém é isto. Nela — exclu­si­va­mente nela — se encon­tram as razões para as guer­ras san­tas, as tais guer­ras que pre­ten­dem ani­qui­lar e con­quis­tar todos os que não sofrem da mesma espé­cie de lou­cura, jus­ti­fi­ca­das por pala­vras “sábias” de indi­ví­duos gas­tos de velhos e ultrapassados.

Infe­liz­mente,  mui­tos dos paí­ses oci­den­tais, em vez de apro­vei­ta­rem esta exce­lente opor­tu­ni­dade para pro­mo­ve­rem os bene­fí­cios das soci­e­da­des secu­la­res, opta­ram pela pos­tura popu­lista ao, tam­bém eles, incen­di­a­rem os seus dis­cur­sos polí­ti­cos e de Estado com ima­gens reli­gi­o­sas con­tri­buindo, assim, para uma maior “bea­ti­fi­ca­ção” das guer­ras, das cri­ses e das injus­ti­ças que se segui­ram a 2001.

Ainda é muito cedo para saber­mos ao certo as con­sequên­cias des­tas opções. Tenho espe­rança que a reac­ção das soci­e­da­des oci­den­tais não che­gue tarde de mais.

Fé e Crença: descubra as diferenças

No Teo­lo­gia (repa­rem que a url tem uma sequên­cia de três setes quando seria muito mais engra­çada a sequên­cia de três seis!), o autor Til­leul escre­veu um artigo inti­tu­lado “Fun­da­men­ta­lismo Ateu” acu­sando a grande mai­o­ria do ateísmo pra­ti­cado em Por­tu­gal ser um ateísmo anti-clerical e, por­tanto, fundamentalista.

Já ante­ri­or­mente referi neste blog o que penso sobre a eti­que­ta­gem de “fun­da­men­ta­lis­tas” aos ateus. Tam­bém já referi o que penso sobre esse tal ateísmo pouco cons­tru­tivo, base­ado no bota-abaixo.

O que o autor Til­leul parece que­rer igno­rar — e não o deve­ria fazer — é que existe uma grande dife­rença entre a sua fé e a sua crença. Enquanto ateu, não me sinto com o mínimo direito de ques­ti­o­nar a sua fé seja ela em deu­ses bar­bu­dos, em uni­cór­nios bran­cos ou nou­tros chi­fru­dos de lín­gua bifur­cada patro­ci­na­dos pelo SLB. A fé do Til­leul é lá com ele e nin­guém tem nada a ver com isso!

Já em rela­ção à sua crença, acho-me no total direito de a ques­ti­o­nar. Por­que enquanto a fé indi­vi­dual nasce e morre den­tro do indi­ví­duo, os sis­te­mas de cren­ças têm uma ten­dên­cia peri­gosa de se trans­for­ma­rem em fenó­me­nos epi­dé­mi­cos de trans­mis­são de aldra­bi­ces infan­tis sobre as expli­ca­ções do mundo que nos rodeia, o sen­tido da vida ou um suposto sen­tido da morte.

Muito do que aquilo que o Til­leul acusa de anti-clericalismo é, antes sim, anti-proselitismo. E se o Til­leul quer — e acho muito bem que o queira — con­ti­nuar a ter o direito à sua fé indi­vi­dual, tem que, quanto antes, dei­xar de ten­tar impor essa mesma fé aos outros e com­pre­en­der que há quem, de facto, não pre­cise da fé para nada.