O Definhar da Religião

O debate inter­blo­gues em curso coloca a seguinte ques­tão: “Será a Reli­gião Eterna e Ine­vi­tá­vel?”. Fica aqui a minha resposta.

As diver­sas reli­giões, ou melhor, as diver­sas for­mas de reli­gião (mitos, len­das, cren­ças, reli­giões moder­nas, etc…) têm cum­prido diver­sos papéis nas soci­e­da­des onde se desen­vol­vem. Desde as ten­ta­ti­vas tos­cas e com­pre­en­si­vel­mente limi­ta­das de expli­car o mundo que nos rodeia até à cimen­ta­ção e orga­ni­za­ção de gru­pos soci­ais, são mui­tos os que só encon­tram van­ta­gens nes­tes pro­ces­sos reli­gi­o­sos para o desen­vol­vi­mento social.

Não vou neste artigo explo­rar o cami­nho fácil de contra-argumentar estas ideias com exem­plos de como a reli­gião tem sido, por outro lado, um empe­ci­lho ao desen­vol­vi­mento, ao conhe­ci­mento e ao pro­gresso ou como tem sido uma das prin­ci­pais pro­mo­to­ras de guer­ras e geno­cí­dios da His­tó­ria. Vou assu­mir que, mesmo com todos esses con­tras, as reli­giões terão cum­prido o seu papel deter­mi­nante na ten­ta­tiva (falhada) de enten­der a realidade.

Con­tudo, pelo menos soci­al­mente, a reli­gião já não cum­pre um papel de relevo nas soci­e­da­des moder­nas. A reli­gião não tem nada para ofe­re­cer que não possa ser encon­trado nou­tras ofer­tas com mais efi­ci­ên­cia e qualidade.

A com­pre­en­são da rea­li­dade do mundo que nos rodeia é-nos ofe­re­cida pela ciên­cia a qual, se não tivesse demais vir­tu­des, não nos pro­cura enga­nar com ver­da­des abso­lu­tas ou dog­mas inques­ti­o­ná­veis; o apoio social é-nos dado pelo estado e por orga­ni­za­ções não lucra­ti­vas que che­gam pra­ti­ca­mente a todos os pon­tos do globo e, cada vez mais, as gran­des empre­sas apercebem-se de um novo papel que têm que desem­pe­nhar e envolvem-se em ques­tões de índole social.

O apoio espi­ri­tual – para quem pre­cisa – parece ser o único aspecto em que as reli­giões ainda desem­pe­nham algum papel, por mais ilu­só­rio que este seja. Mas, mesmo este, tem uma ten­dên­cia a ir dimi­nuindo à medida que o conhe­ci­mento cien­tí­fico pro­li­fera e as novas gera­ções vão sendo melhor edu­ca­das e for­ma­das aca­de­mi­ca­mente, optando, ten­den­ci­al­mente, para pro­cu­rar con­forto em deci­sões lógi­cas e sus­ten­ta­das na realidade.

Existe uma linha de cien­tis­tas que pro­cura uma razão gené­tica (David Sloan Wil­son, Lewis Wol­pert, entre outros) para a reli­gi­o­si­dade. Basi­ca­mente, as razões da pre­dis­po­si­ção para a reli­gião, ou melhor, para a crença, teriam uma jus­ti­fi­ca­ção evo­lu­tiva. O pro­cesso, para ser expli­cado rapi­da­mente, seria o seguinte: ao longo da evo­lu­ção de milhões de anos que viria a con­du­zir ao homo sapi­ens moderno, as cri­an­ças que se ten­tas­sem afas­tar do grupo eram adver­ti­das pelos mais velhos para não o faze­rem pois sujeitavam-se a um encon­tro desa­gra­dá­vel com um pre­da­dor. Os que acre­di­tas­sem na pala­vra dos mais velhos mesmo sem verem, sen­ti­rem ou chei­ra­rem o pre­da­dor teriam mais pro­ba­bi­li­da­des de sobre­vi­vên­cia do que aque­les que arris­cas­sem e se afas­tas­sem do grupo. Esta apli­ca­ção do prin­cí­pio da selec­ção natu­ral teria levado a que os mais novos tives­sem gene­ti­ca­mente gra­vada a pre­dis­po­si­ção para acre­di­ta­rem sem evi­dên­cias na pala­vra dos pais o que, mais tarde, já adul­tos, faci­li­ta­ria a crença reli­gi­osa e o fas­cí­nio pelo sobrenatural.

Não tenho dúvi­das que evo­lu­ti­va­mente, de facto, é pre­fe­rí­vel uma cri­ança acre­di­tar nos mais velhos, pre­su­mindo a boa inten­ção des­tes. Tenho, con­tudo, mui­tas dúvi­das quanto à pre­dis­po­si­ção gené­tica para a crença. Se as con­sequên­cias do exem­plo dado tives­sem ficado gra­va­das no nosso código gené­tico isso impli­ca­ria a eli­mi­na­ção, ao longo do tempo, dos meca­nis­mos que nos fazem res­pon­der a deter­mi­na­dos estí­mu­los com curi­o­si­dade, essa carac­te­rís­tica que não é exclu­siva dos seres humanos.

Con­cluindo, parece-me que, uma vez afas­ta­das as con­di­ci­o­nan­tes bio­ló­gi­cas, e diluindo-se as moti­va­ções soci­ais por outras solu­ções que a nossa soci­e­dade ofe­rece, fica­mos com uma reli­gião que ape­nas ser­virá aque­les que temem a morte como um pre­nún­cio de algo mais e que pro­cu­ram nela – reli­gião – a busca da eter­ni­dade. Uma vez des­mis­ti­fi­cada a morte a reli­gião pas­sará a ser uma curi­o­si­dade his­tó­rica como as pin­tu­ras rupes­tres ou a mito­lo­gia grega. Demo­rará, cer­ta­mente, muito tempo…

Par­ti­lhar este artigo:

Outros arti­gos idênticos:

  1. Sam Har­ris, Idea City 2005
  2. Debate Inter­blo­gues: Será a Reli­gião Eterna e Inevitável?
  3. Uma Reli­gião a Considerar
  4. DsA 1 — A Reli­gião como pro­duto da Evolução
  5. A Doença da Religião
Esta entrada foi publicada em Debates, Religião. ligação permanente.

18 Respostas a O Definhar da Religião

  1. on diz:

    Um dia ter­mi­na­rão as reli­giões.“
    “Um dia vive­re­mos numa soci­e­dade sem clas­ses. “
    “O Dia do Juízo Final está à nossa espera.”

    Três de actos de fé!
    Uma nova San­tís­sima Trindade?

    Caro Hel­der, con­cor­da­mos em dis­cor­dar?
    PS: Não apos­tou comigo por­que sabia que eu ia ganahar:)

  2. Pingback: Helder Sanches » Debate Interblogues: Actualização

  3. Helder Sanches diz:

    Caro On,

    Eu con­cordo sem­pre em dis­cor­dar. De tal forma, que não veja a cor­re­la­ção entre as suas pro­pos­tas para novos actos de fé. Enquanto que as duas pri­mei­ras pro­pos­tas são objec­ti­vos dese­já­veis e, even­tu­al­mente, alcan­çá­veis, con­tri­buindo para uma soci­e­dade muito mais justa e equi­li­brada, a ter­ceira pro­posta faz parte daquela para­nóia ame­dron­tada do fim do mundo, na qual não me revejo, e que em nada con­tri­bui para a qua­li­fi­ca­ção da soci­e­dade em que vive­mos, antes pelo contrário.

    Não apos­tei con­sigo por­que não aposto, simplesmente.

  4. AnaB diz:

    Na minha opi­nião, a reli­gião vai ser eterna. Enquanto exis­ti­rem Homens e civi­li­za­ções, é ine­vi­tá­vel! Acho que, mesmo que a reli­gião evo­lua (seja lá para onde for) irão come­çar a apa­re­cer novas ide­o­lo­gias e cren­ças, liga­das a outros mitos. Acho que a crença não está no nosso codigo gené­tico, está no nosso cere­bro, na nossa pró­pria edu­ca­ção. Conheço pes­soas que por qual­quer razão dizem “gra­ças e Deus”. O que quer dizer isso: nada. É com­ple­ta­mente des­pro­vido de con­teudo. Mas a ver­dade é que a asso­ci­a­ção cog­ni­tiva vai de ime­di­ato “bus­car” essas pala­vras. Se uma pes­soa é resis­tente à mudança, ima­gi­nem os anos lon­gos para mudar a men­ta­li­dade de civi­li­za­ções.
    Por outro lado, quanto mais vou conhe­cendo pes­soas, e quanto mais vou cres­cendo, mais observo na inca­pa­ci­dade dos Homens assu­mi­rem que as coi­sas acon­te­cem, ou por­que erra­ram ou por­que sim­ples­mente exis­tiu um desen­ca­dear de acon­te­ci­men­tos que os leva­ram a um deter­mi­nada situ­a­ção. É muito mais fácil acre­di­tar que alguma coisa (que não tem nada a ver com eles) quis que tal acon­te­cesse. Mais uma vez acho que o cere­bro humano é incri­vel. E acre­dito que, o rumo da civi­li­za­ção moderna vai levar a que apa­re­çam novas for­mas de reli­gião. Quem qui­ser acre­di­tar em algo, vai ter muito por onde esco­lher… aliás já tem!

    PS: Não conhe­cia a página, mas gos­tei muito. Obri­gado por ainda exis­tir sitios inte­res­san­tes de ler.

  5. clau diz:

    Reli­gião uma muleta psi­co­ló­gica, para os cegos que vivem na escu­ri­dão da igno­ran­cia.
    Mas o homem evo­luido não parece mais se refu­giar na sua soli­dão, pro­cu­rando abrigo nos bra­ços de uma figura de pai divi­ni­zado que ele mesmo criou.
    Uma vez que o conhe­ci­mento, a liber­dade explode na mente de um homem, con­tra este homem nada mais podem os deuses.….….….….….…..

  6. António diz:

    Caro Helder…o seu blogue,que muito aprecio,pela indis­cu­ti­vel qua­li­dade que lhe sub­jaz e as suas con­si­de­ra­ções ateís­tas ‚de que não partilho,são imen­sa­mente rele­van­tes para quem,como eu,procura o melhor sen­tido de uma reli­gi­o­si­dade fun­da­men­tada e consequente.Não creio que exis­tam coincidências,na sig­ni­fi­cân­cia pro­funda dos acontecimentos,que a todos nos ligam,pelos fios eté­reos e invi­sí­veis da Humanidade.Ocorrerá,presumo,um defi­nhar de dog­mas e prá­ti­cas antireligiosas,travestidas de religiosas,mas a ver­da­deira dimen­são espi­ri­tual pre­va­le­cerá sobre todos os pre­con­cei­tos e será ela que,igualmente,conferirá cabal sen­tido à zona mis­te­ri­osa e inex­pli­cá­vel da Vida,que a Ciência,por si só, nunca con­se­guirá alcançar.

  7. José Bizarro diz:

    Viva Hél­der, só agora escrevi algo a res­peito do tema, deixo aqui o link, pois sei que o objec­tivo des­tes deba­tes é mesmo a troca de ideias, e sendo assim mais vale tarde que nunca.

    http://tinyaleph.blogspot.com/2007/09/ser-religio-eterna-e-inevitvel.html

  8. João Ribeiro diz:

    Boas tar­des, na minha opi­nião está-se a cair num erro comum. O fenó­meno reli­gi­oso é muito mas muito mais com­plexo
    do que a mai­o­ria das pes­soas pen­sam.
    Um pres­su­posto bas­tante comum é que o aumento de conhe­ci­mento tende a afas­tar as pes­soas da reli­gi­o­si­dade. Que ainda nem entendi muito bem o que é que uma coisa tem a haver com outra.
    Mas este pres­su­posto mostra-se insu­fi­ci­ente, quando vê-mos génios, pes­soas que atin­gem níveis de edu­ca­ção ele­va­dís­si­mos, que cons­troem bom­bas para reben­tar con­sigo mesmos.

  9. Nuno Azevedo diz:

    Caro Hel­der não sei se se lem­bra de mim, em todo o caso deixo-lhe um grande abraço de Saudade.

    Eu sou Cató­lico (não vale a pena dizer que sou pra­ti­cante por­que não há no meu enten­der outra forma de o ser), acho este seu blog deve­ras inte­res­sante por varios moti­vos, mas prin­ci­pal­mente por­que me ajuda a for­ta­le­cer a minha fé (sendo inte­li­gente ou não…não sou eu quem vai deci­dir isso) Não acre­dito por acre­di­tar acre­dito por­que O vivo em todas as minhas acções. A frase que enverga na sua t-shirt acho-a fan­tas­tica sin­ce­ra­mente, eu so dei­tava agora um pedaço de madeira para a fogueira (para isto nao ser so um reen­con­tro paci­fico eheh), “Penso logo sou Ateu” parece-me inte­res­sante mas pen­sar nao nos leva obri­ga­to­ri­a­mente a conclusões…eu, em con­tra­ponto uti­li­za­ria outra frase…“Compreendo logo sou Cristão”

    Um forte abraço em breve espero poder ser hon­rado pela sua com­pa­nhia de novo tenho que mel­gar o André para irmos ao Bairro. Lamento que o meu comen­ta­rio seja somente uma “lam­bi­dela” sobre o tema mas pro­meto apa­re­cer mais por estas ban­das

    PAz e Bem!
    Nuno Azevedo

  10. Helder Sanches diz:

    Olá Nuno,

    Bem vindo por estas ban­das here­ges! Lembro-me per­fei­ta­mente de ti. Espero que con­ti­nues dedi­cado ao baixo como da última vez que soube notí­cias tuas.

    Dizes tu que pen­sar não nos leva obri­ga­to­ri­a­mente a con­clu­sões… Bem, pergunto-te a quanta con­clu­sões já che­gaste sem pen­sa­res pri­meiro nos assun­tos. Essa tua frase do “com­pre­endo, logo sou cris­tão” pode pare­cer muito bonita e poé­tica mas, des­culpa lá, não diz nada. Outros dirão, com­pre­endo, logo sou muçul­mano ou outra coisa qualquer.

    Para mim é, de facto, a pen­sar que chego a con­clu­sões. Pode­mos pen­sar de maneira dife­rente e che­gar a con­clu­sões dife­ren­tes, mas, nesse caso, um de nós estará neces­sa­ri­a­mente errado ou no método ou na aná­lise dos dados.

    Espero que vol­tes sem­pre. Um abraço!

  11. Nuno Azevedo diz:

    Sau­da­ções

    É um facto que é a pen­sar que che­ga­mos a con­clu­sões, e sendo a minha for­ma­ção em cien­cias se dis­sesse o con­tra­rio esta­ria a ser no minimo inco­e­rente, o que digo é que, nao é somente a pen­sar que che­ga­mos a con­clu­soes. Até ha bem pouco tempo, 4 ou 5 anos a minha posi­ção era uma posi­çao assu­mi­da­mente de con­fronto prin­ci­pal­mente com a Igreja mais do que com Deus, no entanto tomei uma deci­são que foi, ten­tar com­pre­en­der por­que é que eu acre­di­tanto (ainda que de forma pouco defi­nida) tinha uma repug­nan­cia tao grande pela Igreja. Bom, para tal entrei num grupo de jovens como obser­va­dor, e aca­bei por ver, nao que me ten­tas­sem con­ver­ter a qual­quer coisa, mas depois de reflec­tir aca­bei por enten­der que eu fazia parte da Igreja que rejei­tava, o meio influ­en­cia sem duvida (no meu enten­der) as nos­sas acçoes, se viver­mos num local em que a Igreja é fria, de pedra, humida, parca em actos…sim as duvi­das entranham-se em nós e aca­ba­mos por rele­gar para segundo plano os ensi­na­men­tos que nos foram mos­tra­dos, agora se a Igreja nos recebe de bra­ços aber­tos, se vemos tra­ba­lho a ser feito, se vemos pes­soas a ser aju­da­das, ai sim, ai compreendemos…dai eu dizer com­pre­endo logo sou Cristao…poderia dizer com­pre­endo logo acre­dito em Deus (que para nós Cris­taos é o mesmo, o Deus em que acre­dito é par­ti­lhado pelas 3 reli­gi­oes mono­teis­tas exis­ten­tes).
    Mais impor­tante para mim do que acre­di­tar ou nao acre­di­tar é fazer o Bem, ser Humilde e ser Serio…basta isso para, acre­di­tando ou não, viver em comu­nhao com a men­sa­gem que me é trans­mi­tida pelo “meu” Deus.

    Paz e Bem

    Nuno Aze­vedo

  12. Pingback: Deus, religião e o sentimento religioso em Freud | LOG de MSN

  13. Daniel diz:

    “Na tua forma de pen­sa­res, a espe­rança sim­ples­mente não existe, por­que não existe sal­va­ção senão na capa­ci­dade pes­soal e indi­vi­du­a­lista de con­tro­lar a situ­a­ção e domi­nar os acon­te­ci­men­tos” “tu és des­ti­tuído de qual­quer emo­ção em espe­cial, além de uma grande frieza”.o teu objec­tivo é.. “pre­ju­di­car o cris­ti­a­nismo e pro­mo­ver o ateísmo.” Quero que sai­bas que a Cris­tan­dade está pre­pa­rada para tudo…”seremos per­se­gui­dos, mas nunca desamparados.Seremos aba­ti­dos, mas não destruidos…pois se qui­ser­mos viver em CRISTO tere­mos de sofrer a per­se­gui­ção e os tor­men­tos. Mas quero-te lem­brar …que nem morte, nem vida, nem anjos, nem prin­ci­pa­dos, nem pre­sente, nem futuro, nem poder, nem altura, nem pro­fun­di­dade, nem qual­quer outra cri­a­tura, poderá jamais separar-nos de JESUS CRISTO FILHO DE DEUS.” Por­que há um só Senhor, uma só Fé, um só Bap­tismo e um só DEUS,
    Pai de todos, que está acima de todos, que age por meio de todos e está pre­sente em todos”
    Amigo Hel­der, o que tu não darias para dizer o que eu digo…sentindo e vivendo cada palavra…mas no teu cora­ção só tens lugar para o ódio por­que nele habita as trevas…e é nas tre­vas que em breve te encon­tra­rás.
    Ps: quero-te dizer que nin­guem te obriga, nem Deus a seguir a reli­gião Cato­lica
    ou outra qualquer…

  14. Jairo Francisco diz:

    Onde estava a igreja de B16, quando foram exter­mi­das as civi­li­za­ções: MAIA-INCAS-ÍNDIOS do BRASIL E AMÉRICA do SUL,JUDEUS do HOLOCAUSTO,AFRICANOS(hoje)?. Creio que as reli­giões têem sido bené­fi­cas para seus líde­res e polí­ti­cos que se escon­dem nelas para atin­gi­rem seus obje­ti­vos pes­so­ais, ocor­rên­cia regis­trada pela História.

  15. REIS diz:

    SABES HELDER QUE TENS RAZÃO QUANDO DIZES QUE AS RELIGIÃES ƒO DEFINHAR, ESTÁ ESCRITO.
    ƒO SEI A ONDE FOSTE BUSCAR ISSO,MAS ACERTASTE.
    DEUS BREVEMENTE VAI ACABAR COM ESTAS DIVISÃES TODAS,PORQUE AS RELIGIÃES ŠKM PROVADO AO LONGO DOS SÉCULOSSEREM UM EXEMPLO, CAUSANDO DERRAMAMENTOS DE SANGUE E DIVISÃES DE CULTURASHIPÃCRESIAS DISFARÃADAS DE BONDADES.
    O deus DESTE MUNDO ƒO PÁRA EM SERVIÇO,E O ARMAGEDOM,ESTÁ Á PORTA,E OS ESCOLHIDOS DO ÚNICO DEUS VERDADEIRO É QUE ƒO SER BENEFICIADOS,QUER ACREDITEM OU ƒO.

  16. Haddammann diz:

    O Mais Ter­rí­vel Mêdo e Sen­ti­mento do Ser Humano.

    Recue. Puxe o fôlego para enca­rar. Este é o texto do desen­lace. Um docu­mento de deci­são da cons­ci­ên­cia. O ser humano se encon­trará agora diante de seu mais temí­vel, e jamais son­dado, ŠDO, que está den­tro, frio, calado; mas que esma­gaça suas entrân­cias. Por­que esse mêdo soma um sen­ti­mento quase intra­du­zí­vel que reúne a um só tempo: o sentir-se sozi­nho, impo­tente, sem abso­lu­ta­mente o que possa referenciá-lo. E esse sen­ti­mento está recôndito no mais cruel fato, no mais duro pen­sa­mento; que só em se insi­nuar perto da cons­ci­ên­cia estre­mece um cala­frio de pavor, e o ser humano se esconde e faz tudo para não ter de vê-lo; por­que ele agita até toda sua iden­ti­dade, e ele pre­fere a exclu­são do pen­sar do que depa­rar com tal embate psi­co­ló­gico … por­que não é dor … é o encon­tro com o não ser … de não ser encon­trado como exis­tên­cia, de não ver refe­rên­cia que dê sutento ao seu existir.

    Existe algo estra­nho numa jor­nada de vida, não há como saber quanto está ali­nha­vado cada nó do bor­dado onde cada um de nós toma e retoma sua linha de his­tó­ria; e é esse esquivo fenômeno que fêz neste exato momento essas linhas que você lê.

    Um frio, um vazio na bar­riga … não há casa para você (ter tran­qui­li­dade), você não tem casa, a casa em que vc está não é segura, ama­nhã você não terá casa … quem suporta isso uma vida inteira? Esse é o sen­ti­mento vivido sem tré­gua pelo pen­sa­dor; até, por uma incrí­vel pujança da espé­cie, escre­ver este texto que vai aqui …

    Os olhos huma­nos vêem niti­da­mente o ciran­dar dos rumos, o voleio dos ven­tos, tomando o volume do assom­bro repen­tino, e vê o cor­rer espa­vo­rido e galo­pante do des­gra­çado arro­gante e do covarde a enca­rar o relâm­pago estam­pado diante de seu lívido olhar sem mais tempo algum diante de seu mon­tante de estu­pi­dez e inú­til futilidade.

    Nos dias idos nos­sos ances­trais se apa­vo­ra­vam com o temor de não ter onde pisar, o que o cobrir, o que o sus­ten­tar. E ao pen­sar que a Terra seria um platô, um “pla­no” sem fim, só lhes cabia ver o “em cima” como céu; e ima­gi­nar que quando o chão se revol­via debaixo de seus pés, que lá em cima pode­ria estar a segu­rança. “O que sou?” … “Como pode­rei asse­gu­rar minha vida?”. Esse tor­mento psi­co­ló­gico terá se insi­nu­ado antes mesmo de qual­quer um de nós ter tido a con­quista do falar, ou, do claro pen­sa­mento expresso no falar.

    O relâm­pago ris­cava assom­bro­sa­mente no céu, a Terra se enfu­re­cia abrindo chan­fros enor­mes nos solos que pare­ciam tão cal­mos e segu­ros. “Onde estou?” …

    E foram-se os tem­pos … E uns ruma­ram pros con­fins do mar e não vol­ta­ram; “Caí­ram num abis­mo” …
    Uma nova infe­rên­cia sur­gia; “O que há mais que não sabemos” …

    Mêdo. “Eu posso falar, e per­gunto, e nós nos per­gun­ta­mos”; “Que segu­rança há pra nós nesse solo, que abrup­ta­mente nos sur­pre­ende? “E vemos catás­tro­fes e fúrias de fogo e água e gêlo” …

    Assim nos­sos genes em nos­sos pais se impreg­na­vam de impres­sões de cui­da­dos e inse­gu­rança. Tínha­mos que pro­cu­rar amai­nar nossa jor­nada de vida. E nós nos arru­má­va­mos soci­al­mente e come­çá­va­mos a mon­tar nos­sas casas e a ter os mes­mos sen­ti­men­tos de tê-la em segu­rança como os que tínha­mos em espe­rança dum amai­nar de TEMPERAMENTO do ambi­ente (às vezes repen­ti­na­mente hos­til) que nos inquietava.

    Que­ría­mos o con­forto psí­quico do sos­sêgo. E inven­ta­mos um “regen­te” que se comi­se­rasse de nosso temor e no qual pudés­se­mos apla­car nosso receio de corte de vida sem­pre imi­nente. E inven­ta­mos nos­sas super­ti­ções. E sim­bo­li­za­mos nosso Mẽdo. E cri­a­mos um “deus” ter­rí­vel. Total­mente asso­ci­ado ao nosso sofri­mento e nos­sas frus­tra­ções e espe­ran­ças. E as infe­rên­cias se pro­pa­ga­ram e tornaram-se cren­ças. Come­ça­mos a dotar nos­sas soci­e­da­des de ritu­ais de consôlo, e vía­mos que era bom que fosse assim. Éramos tri­bais. Rudes. Infan­tes como seres vivos; infla­ma­dos de vio­len­tos temo­res e sentimentos.

    Quando alcan­ça­mos o está­gio da polis, das cida­des, à medida que rom­pía­mos o cor­dão da rudeza sel­vá­tica e nômade tam­bém já dei­xá­ra­mos a cru­eza da caça aberta e retí­nha­mos em con­trole o que domes­ti­cá­va­mos e o que come­ría­mos. Apla­cá­va­mos aos pou­cos nosso maior mêdo; mas tam­bém já não o dis­cu­tía­mos, e o per­día­mos no nosso sub­cons­ci­ente. E nos­sos sím­bo­los tornavam-se seve­ra­mente cruéis. Des­co­bría­mos que por eles então podía­mos escra­vi­zar nos­sos pró­prios seme­lhan­tes; e torná-los como reses, como bichos ame­dron­ta­dos. Já não endeu­sá­va­mos nos­sos sím­bo­los para protegermo-nos de nos­sos receios e pres­sen­ti­men­tos; criá­ra­mos a men­tira acin­tosa, usur­pa­dora de todos os direi­tos de nossa liber­dade civil: Inven­tá­ra­mos a Reli­gião. Uma pan­to­mima de efeito civil catas­tró­fico, tão mais dani­nho à soci­e­dade do que todas as catás­tro­fes naturais.

    Hoje temos os polí­ti­cos esco­ra­dos em um auge do embuste dessa pan­to­mima; ávidos por nos man­te­rem cega­dos; cui­dando sem­pre do domí­nio de nosso estado civil escravo (far­ta­mente açu­lado pelas fra­ses insa­nas dos manu­ais de embus­tes); mas de maneira nenhuma cui­dando da melho­ria de nossa soci­e­dade. Todos os desen­vol­vi­men­tos genuí­nos emper­ram com entra­ves esta­pa­fúr­dios vene­ra­dos pelo açu­la­mento de nossa pró­pria escra­vi­dão psi­co­ló­gica. Sucum­bi­mos gera­ção após gera­ção, degenerando-nos como espé­cie, enfeiando-nos como seres, e já com­pro­me­tendo gra­ve­mente a Terra com nossa pró­pria inven­ci­o­nice, que se trans­for­mou numa arma­di­lha psí­quica de alto dano civil.

  17. Carlos Cardoso diz:

    A reli­gião não é eterna nem ine­vi­tá­vel e sem­pre houve quem assim pen­sasse.
    Já Lucré­cio dizia, no século I, que “a reli­gião é sublime para o cam­po­nês, útil para o polí­tico e ridí­cula para o filo­sofo”.
    O filó­sofo árabe Al-Ma’arri disse, por volta do ano 1000, que havia “dois tipos de pes­soas: as inte­li­gen­tes sem reli­gião e as reli­gi­o­sas sem inte­li­gên­cia”.
    Outro filó­sofo, Georg Chris­toph Lich­ten­berg, escre­via a mea­dos do séc. XVIII que “o nosso mundo será um dia tão refi­nado que será tão ridí­culo acre­di­tar num deus como o é hoje acre­di­tar em fantasmas”.

    É ine­vi­tá­vel as reli­giões que hoje exis­tem irem um dia juntar-se às outras mito­lo­gias num capi­tulo do com­por­ta­mento humano cha­mado “superstições”.

    O erro de alguns diri­gen­tes polí­ti­cos foi o de pen­sar que se podia decre­tar a abo­li­ção da reli­gião. A pri­meira expe­ri­ên­cia foi durante a revo­lu­ção fran­cesa mas rapi­da­mente tive­ram que subs­ti­tuir deus pelo “ser supremo”. As dita­du­ras comu­nis­tas do séc. XX foram outros tan­tos exem­plos que falharam.

    As reli­giões não podem ser abo­li­das por decreto mas pela edu­ca­ção. Eduquem-se as pes­soas e elas aban­do­na­rão a reli­gião natu­ral­mente. Há uma taxa de cor­re­la­ção nega­tiva muito forte entre a reli­gi­o­si­dade de um lado e os níveis de ins­tru­ção e de desen­vol­vi­mento por outro.

  18. Pingback: DsA 1 — A Religião como produto da Evolução (I) | Helder Sanches

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Pode usar estas tags HTML e atributos: