E então, nada!

Este post é uma resposta a este artigo de um amigo por quem tenho elevada consideração e respeito, mas que se enquadra dentro daquele grupo-fenómeno de pessoas que são simultaneamente inteligentes e crentes.

Caro José,

Fico contente por ter sido catalisador da inspiração para escreveres este artigo. ;)

Em relação à questão que colocas no titulo do mesmo a resposta é muito simples. “E então?”, nada! Nada, porque és livre de seres aquilo que quiseres. Nada, porque enquanto não quiseres impor as tuas escolhas aos outros és livres de ser o que quiseres. Nada, porque num país laico é tão importante ser ou não ser religioso como ser ou não ser do Benfica, ter ou não ter os olhos azuis ou gostar ou não gostar de Tony Carreira.

No entanto - embora tu faças (e bem) a distinção entre religião e igreja, não te deves abstrair do facto de todas as religiões acabarem por, mais tarde ou mais cedo, se organizarem. Nem te deves abster do facto de que, uma vez organizadas, as religiões disputarem o poder entre si e disputarem também a influência com que operam junto dos órgãos efectivos de poder público e privado.

Dizes que já te sentes como que o único não ateu no teu circulo social. Óptimo, andas com boas influências! ;)

Numa determinada passagem do teu artigo pode-se ler: “Uma coisa que tenho a dizer a respeito de quase todos os ateus com quem interajo que assumem ser ateus, são pessoas deselegantes no seu discurso e dotados de uma arrogância fantástica a respeito da Humanidade.”

Este teu parágrafo é fantástico! Deselegante e arrogante q.b. para um não ateu, não te parece?

Em relação aos ateus que consideram a religião uma virose memética, isso deves ter ouvido da boca de alguém que aprendeu o que são memes há muito pouco tempo e acha o termo engraçado. Podia-te falar das vantagens evolutivas da religião, mas isso dava pano para mangas. Prefiro fazê-lo pessoalmente, isto claro, se prometeres não entrar em modo “causar-lhes danos profundos na zona do maxilar de forma a causar-lhes dor física de cada vez que o movam para conseguir que só o façam para se alimentarem”! Repara, não me espanta essa tua atitude porque, afinal, ambos sabemos que é dessa forma que as religiões tentam resolver os seus problemas ao longo da história.

Quanto às tuas dúvidas demagógicas em relação à ciência fiquei seriamente preocupado; repara, não te imagino a ires ao cura da freguesia para tratares da dor de dentes, a rezar um terço para o carro não avariar, a dizer o Pai-Nosso para te proteger o computador de vírus ou a tomar a hóstia para te aliviar a ressaca!

Ao contrário da religião, amigo José, a ciência promove o conhecimento e não a ignorância. O que o poder politico faz com esse conhecimento já está para além do domínio dos cientistas. Também ao contrário da religião, não encontras exemplos dos apóstolos da ciência tentarem ser promíscuos com o poder politico.

Em relação às diferenças entre o fundamentalismo religioso e o extremismo ateu, remeto-te para este meu artigo para te explicar as diferenças entre um e outro.

Tentas colocar o ónus da prova do lado errado ao questionar por que é que o facto de algo não provado implica a sua inexistência. Esse é um argumento que coloca o teu deus ao nível de em bule de chá em órbita do Sol entre Úrano e Neptuno, para utilizar um exemplo popular. Afinal, então, o que distingue o teu deus de todos os outros desuses em relação aos quais também és ateu? Nunca se provou a inexistência de Zeus, pois não? Ou de Rá, Osiris ou Júpiter… Que credibilidade dás aos crentes nesses deuses tão inexistentes como o teu? Em que é que o teu deus é diferente? Porque cresceste numa zona do globo de influência judaico-cristã? Não é suficiente, não te parece?

Dizes que acreditar em Deus é procurar ser melhor. Onde é que encontras essa evidência? Em que é que tu (ou qualquer outro crente) consideras que podes ser melhor que eu (ou qualquer outro ateu) pelo facto de acreditares em Deus? E melhor segundo que parâmetros? Morais? Económicos? Intelectuais? De que lado está a arrogância, afinal?

Mas, numa coisa estamos de acordo: David Guilmour é infinitamente superior a Roger Waters! Valha-nos isso. Una-mo-nos pela música, então…


 
 
 

36 Respostas a “E então, nada!”

  1. José
    14 Maio, 2007 às 07:29

    Bem bom, o meu post no meu blog também foi originado por um comentário a um post no teu blog, que acabei por o converter em post.

    Quanto ao querer partir o maxilar, não tem a ver com ser religioso, tem a ver com o meu interlocutor, como eu disse, tenho variadissimas discussões muito acesas sobre variadissimos temas com variadissimas pessoas, e alguns temas “dos quais a religião é o campeão” (isto foi uma citação do artigo) dão origem a querer causar dano. Não tem a ver com ser religioso, tem a ver com os intervenientes da discussão. Btw, este comentário foi extremamente deselegante.

    Quanto ao procurar ser melhor, eu quando digo que procuro ser melhor, não é em termos indivudais, nunca disse que era melhor por acreditar, disse que por acreditar tinha procurava ser melhor, enquanto que alguem que não acreditar em algo superior, tem no minimo uma meta pouco definida. Normalmente quando quero atingir algo, formulo este algo, não ando às cabeçadas até ver se chego lá.

  2. Xiquinho
    14 Maio, 2007 às 13:09

    Acho que já tive a oportunidade de aqui referir, mas vou ter que me repetir pois parece que a ideia não ficou bem interiorizada: só existem duas espécies de crentes, ou tolos ou oportunistas, de forma que isto de chamar a uma pessoa simultaneamente inteligente e crente é coisa que pura e simplesmente só existe no mundo da ficção mentirosa.

    Agravada fica a coisa, quando se rotula de inteligente este jovem Bizarro, do qual não é só o pseudónimo. Não me lembro de deparar na internet com tanta diarreia mental concentrada em tão poucos bytes.

    Ao contrário dos idiotas úteis que enchem a Cova de Iria aos domingos, na sua maioria tecnocologicamente analfabetos e superticiosos por vocação afectados pela virose memética, o jovem (que de outra idade não o imagino a avaliar pelos disparates que escreve) Bizarro condena a Ciência, mas não se coibe de a utilizar para fazer a apologia de uma instituição, que depois de passar vinte séculos a practicar as maiores ignomias, dedica-se agora à assistência social para melhor camufular o vazio que é a sua utilidade; já nasceu com os memes estragados.

    Mas a cereja em cima do bolo, que o ateu (mole) Helder parece não reparar é que o jovem Bizarro não compreende que o amor existe porque se sente, ao contrario de deus que não se sente e só existe na cabeça dos tolos que nasceram com os memes corrompidos. Waters definiu-os bem, no poema que lhes dedicou: “There’s a kid who had a big hallucination Making love to…”

    Mas o melhor mesmo é ficar-me por aqui, antes que arrange algum problema nos maxilares….

    Beijinhos a todos

  3. José
    14 Maio, 2007 às 13:58

    “parece não reparar é que o jovem Bizarro não compreende que o amor existe porque se sente, ao contrario de deus que não se sente e só existe na cabeça dos tolos que nasceram com os memes corrompidos.”

    Tás a ver… por isso me escuso muitas vezes de tais discussões, até porque ninguem nasce com memes corrompidos.

  4. Helder Sanches
    14 Maio, 2007 às 20:50

    Caro Xiquinho,

    Muito me apraz saber que chegaste bem ao oriente longínquo.

    Embora partilhe da tua incompreensão relativamente a como é que pessoas inteligentes se assumem simultâneamente como crentes e as coloque naquilo a que chamo de grupo-fenómeno, não me parece que as coisas sejam tão simples como tu pretendes fazer crer. Sabes, essa tua teoria de que os membros desse grupo ou são tolos ou oportunistas é demasiado semelhante à teoria do Bush “either or with us or you’re with the terrorists”! As razões que podem a levar à fé são mais complexas do que isso, não deixando, no entanto, de ser contraditório.

    José,

    Se ninguém nasce com memes corrompidos ou não é pouco importante. O que é um facto é que ninguém nasce crente. Isso é irrefutável.

  5. José
    14 Maio, 2007 às 23:49

    A moral não é um verniz que se dá por cima do bruto do homem, nasce com ele, e como a religião está associada à moral, acho que todos nascem crentes… É refutável e de que maneira.

    Quanto ao não ser importante, ou ser pouco importante, novamente discordo, esta frase não significa apenas o que está escrito, abrange o que disse a respeito de quase todos os ateistas que conheço, por isso é muito importante.

  6. Helder Sanches
    15 Maio, 2007 às 05:29

    Por acaso utilizas uma imagem com a qual eu não podia estar mais de acordo: a moral é, de facto, como um verniz que se dá por cima de qualquer ser humano! É dado durante todo o processo chamado endoculturação. Por isso é que se tivesses nascido em Mosul provavelmente tinhas assistido ou participado serenamente nestas cenas sem deixares de dormir à noite, com toda a normalidade.

    Se a religião está ligada à moral como apregoas, como é que justificas que as religiões sejam as mesmas de há 500 anos e, no entanto, tanta coisa tenha mudado nas regras de boa conduta moral (passo o relativismo). Curiosamente, nos EUA, talvez o país mais religioso do eixo Europa/América, a população católica é de cerca de 75% e a população ateia é de 10%. A população prisional nos EUA é 75% católica e 0,2% ateia! Lá se vai a superioridade moral dos crentes, digo eu!

    Em relação aos memes… Memes, de acordo com o seu “definidor”, Richard Dawkins (O Gene Egoísta, 1976) é a mais pequena unidade de informação registada no cérebro (ideias, valores estéticos ou morais, língua, etc, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida e retransmitida). Logo, ao nascer, ninguém nasce com os memes avariados simplesmente porque é no nascimento que eles começam a ser adquiridos. Nem crentes, nem religiosos sofrerão jamais de algum problema de memes à nascença. É durante o tal processo de endoculturação, que se inicia com o nascimento e que só termina com a morte, que os memes são adquiridos, processados, armazenados e retransmitidos.

  7. José
    15 Maio, 2007 às 09:51

    Afinal então é importante e relevante a asneira de dizer que “nasceu com os memes corrompidos”, afinal eu sabia o que dizia.

    Darwin ao dizer que a “moral era um verniz que se dava por cima do homem” estava enganado, toda a humanidade tem interinsecas a si um conjunto de regras de conduta, gosto muito de citar esta frase “Not by genes alone” que por acaso é o titulo de um livro muito interessante. No entanto no codigo genetico de todos nós está a capacidade ou pré-disposição para a linguagem (ou memes de linguagem) por exemplo, enquanto que não existe a pré-disposição para não adquirir memes de anti-linguagem. A capacidade para a moral está interinseca a todos, e a religião não é mais do que um conjunto de regras morais que se assimilam todas no mesmo conceito de Deus.

    Quanto aos EUA, duvido que um assassino, ladrão ou burlista seja religioso, talvez seja a religião do crime, mas não é a minha nem outra religião que conheça.

  8. Rosario Andrade
    15 Maio, 2007 às 10:14

    Dizer-se que a Moral está associada a religiao é absolutamente redutor por necessitar de um carrasco mor, que sabe de tudo e de todos, mantém um registo de todos os actos e castiga se as accoes dos pobres coitados dos Homens, mesmo se essas acçoes fazem parte da natureza humana. A moral nao esta relacionada com a religiao uma vez que ha aspectos na nossa sociedade que sao moralmente aceites e que a Igreja condena como imorais (ex. o sexo antes do casamento, a fertilizacao In vitro, o divorcio, a homossexualidade, a contracepçao, o direito das mulheres a auto-determinaçao, etc, etc, etc).
    A Moral tem a ver sobretudo com a sociedade e evolui nao com o contributo activo das religioes (que fazem exactamente o oposto) mas com o desenvolvimento humano. E ainda bem que assim é, se a Moral fosse determinada apenas pela religiao, estavamos ainda a queimar bruxas.
    A Moral é uma imposicao exógena e pode, por isso, facilmente tornar-se em falsa moral, em que as pessoas fingem que seguem as regras mas na intimidade comportam-se de outro modo. Mais que pela moral, sigo-me por valores éticos que me fazem actuar de modo igual quer esteja so ou em sociedade.

    Bjicos

  9. José
    15 Maio, 2007 às 10:36

    “moral nao esta relacionada com a religiao uma vez que ha aspectos na nossa sociedade que sao moralmente aceites e que a Igreja condena como imorais”

    Rosário, eu quero enfatizar que separo de forma muito distinta o que diz a Igreja e o que diz a religião. Apesar de concordar consigo (ou acho que concordo) que a Igreja controla a religião, não considero, nem nunca vou considerar que a religião é um factor de impedimento de nada, já das instituições que vivem da religião não se pode dizer o mesmo.

  10. Helder Sanches
    15 Maio, 2007 às 11:59

    José,

    Existem alguns casos relatados dos chamados “meninos-selvagens”. Não me recordo de que tenha sido detectado em algum deles valores morais ou que o seu vocabulário fosse maior que meia dúzia de sons sem nexo aparente.

    Se duvidas que um assassino, ladrão ou burlista seja religioso estás, novamente, a cometer o pecado ateu da arrogância ao quereres salvaguardar para ti uma superioridade moral que te permite essa experiência sobrenatural de religiosidade. Por acaso nunca ouviste falar em “matar em nome de deus”?

    No nosso código genético não existe nenhuma predisposição para não matarmos. Aliás, geneticamente faz muito mais sentido essa predisposição ser bastante aguçada. É durante o processo de endoculturação que aprendes a estimular as potencialidades aceites e úteis à sociedade em que nasceste. É também durante esse processo que aprendes a reprimir as potencialidades não aceites ou maléficas para a mesma sociedade.

  11. José
    15 Maio, 2007 às 12:25

    Helder, estas pessoas que matam em nome da religião ou em nome de Deus, não compreendem a religião pela qual estão a matar. Deus não precisa que matem em nome dele. Como eu disse acreditar que as guerras são pela religião é ingenuidade, quem começa as guerras apenas usa a religião como forma de convencer massas a lutar. Eu nunca jamais combateria em nome de um religião, quando qualquer religião prega paz e amor.

    Mas com isso gostaria de saber qual a percentagem de priosioneiros catolicos americanos que mataram em nome de Deus, certamente não será 100%… A culpa dos homicidios é sempre de quem os comete, não é culpa da religião ou do ateismo. Tudo pode ser deturpado Helder, e a religião por afectar mais pessoas por razões históricas é normal que seja a maior vitima de deturpações por oportunistas (que não são religiosos). A religião não nasceu com os aminoacidos, foi criada pela humanidade por ser util e talvez ainda seja (pelo menos para mim). Se não é util para ti não te peço para seres religioso, mas também não me peças para ser ateu.

    Sim nós temos todos uma predisposição genetica para eliminar concorrencia, até os ateus tem a predisposição genetica para vencer a concorrencia religiosa.

  12. Helder Sanches
    15 Maio, 2007 às 12:35

    José,

    Em relação ao teu último parágrafo, uma vez mais, não é isso que a história nos ensina. Pelo contrário, os “hereges” sempre foram dos alvos mais apetecidos pelas mais diversas religiões.

    Isso de qualquer religião pregar paz e amor é treta. Basta ler a Bíblia para ficarmos ao corrente das mais bárbaras sugestões de infanticídio, genocídio, etc…

    É óbvio que não te posso pedir para seres ateu. E para seres coerente, posso? ;)

  13. Rosario Andrade
    15 Maio, 2007 às 13:29

    Caro José,
    A Igreja é exactamente um exemplo de uma instituiçao que vive da religiao! Religiao e Igreja sao exactamente a mesma coisa, a Igreja é o rosto da religiao católica. Dizer que a religiao nao é um impedimento para nada é nao saber ou nao querer saber das politicas assasinas da Igreja, por exemplo, na cruzada contra o preservativo, na cruzada contra a experimentacao com celulas estaminais (e nao me venham com a historia dos fetos, as celulas estaminais podem obter-se de celulas adultas!), etc.
    O que considero diferente de religiosidade é espiritualidade, em que as pessoas sao livres para escolher o que quiserem para concentrar as suas energias, seja o sol, um piriquito, um bule a volta do sol, um gato, Zeus, Camoes, Dom Sebastiao, seja o que for. Qualquer religiao organizada, tal como a Igreja catolica, é perigosa porque é um intrumento de controle sobre as pessoas e um impecilho ao desenvolvimento humano.

    Cumprimentos.

  14. José
    15 Maio, 2007 às 14:26

    Cara Rosário

    “Qualquer religiao organizada, tal como a Igreja catolica”

    Talvez o que esteja mais correcto seja organização religiosa como a Igreja Católica e nao religião organizada. A religião é a espiritualidade, lamento que acreditem que todas as pessoas religiosas sejam metidas no mesmo saco que a Igreja Católica, mas as duas coisas são diferentes apesar de interligadas, pode haver religião sem Igreja e o contrário já não é verdade. Eu nunca poderia ser católico sem ser religioso, mas fácilmente podia ser cristão sem ser católico. O conceito de Igreja é diferente de religião por definição de ambos os conceitos. Querer misturar as duas coisas é um direito que lhe assiste, mas as duas não são iguais. E novamente digo que não estou aqui a defender o Deus X,Y,Z ou outro qualquer, defendo o conceito de Deus e não um Deus em si, e por isso e apenas por isso sou religioso. De coisas más todos são capazes bem como todas as instituições e todas os cultos, sejam elas religiosas ou ateistas.

  15. Catellius
    15 Maio, 2007 às 14:52

    A ciência ter propiciado a Bomba Atômica não a torna falsa. Ela é verdadeira. E a verdade nem sempre é boa.

    Para alguns idiotas, se ateus são bondosos, então não existem deuses, se os religiosos são bondosos, então existem deuses, se Darwin era eugenista, os animais não evoluíram, se Darwin não era eugenista, os animais evoluíram, etc.

    Ora, deus existir ou não existir independe do comportamento dos ateus e religiosos. Uma discussão é a bovinidade de religiosos à mercê de representantes divinos com poderes temporais, outra é a existência de Odin, Baal, Thor, Jeová ou o diabo. Normalmente, os deuses existem quando há crentes que reclamem sua existência. Como não existem mais adoradores de Thor, é consenso que ele não existe. E se ele existir e agora estiver lá no Walhalla chorando pela ingratidão dos homens, em especial os escandinavos, tão descrentes em deuses? E se for ele o causador dos temporais que fazem com que o Al Gore perca o sono?

  16. Catellius
    15 Maio, 2007 às 15:05

    “Tentas colocar o ónus da prova do lado errado ao questionar por que é que o facto de algo não provado implica a sua inexistência. ”

    Um amigo me perguntou se eu passaria a acreditar em espíritos se eu visse um na minha frente.
    E eu lhe fiz outra pergunta: e se você se deparasse com um Mickey pequenino, de carne e osso, a dançar sobre sua escrivaninha, acreditaria na existência do Mickey? Em ambos os casos a resposta é: Sim! Mas isto implica em eu ser “agnóstico” em relação à existência do Mickey? Não.

  17. Xiquinho
    15 Maio, 2007 às 15:34

    Estimado Helder

    Estás enganado. Um crente que o é, não pode ser verdadeiramente inteligente, pois se o fosse concerteza não era crente. Há contudo os que parecem ser, não o sendo verdadeiramente e restam os oportunistas que se aproveitam da tolice dos demais, vulgo, a padalhada. Mas se mesmo assim não estiveres convencido, peço-te que me indiques um (crente inteligente e não oportunista), que imediatemnte me farás mudar de opinião. Por muito que custe a aceitar, a realidade é que o mundo está infestado de tolos e oportunistas e contra isto pouco à a fazer.

    Apreciado José

    “A religião … foi criada pela humanidade por ser util…”

    Sem dúvida nenhuma que é bastante útil para encher os bolsos dos parasitas que se aproveitam dos otários que neles têm fé, mas para o cidadão comum, concretamente, é útil em quê?

    Ainda não percebi se afinal a sua religião é católica, evangélica, jeová, Flying Spaghetti Monster ou independente? Talvez se pudesse comprender melhor se o revelar.

  18. Rosario Andrade
    15 Maio, 2007 às 15:50

    Ola José.
    A religiao é a espiritualidade ORGANIZADA, sob uma hierarquia poderosa, que dita regras de conduta aprovadas por “deus”, que tenta interferir na laicidade do estado e que afirma categoricamente que ela propria é o único caminho para a “verdade” e “salvaçao”. Qualquer organizacao que se diga o “unico caminho” para qualquer coisa é perigosa.
    Poderia ser cristao sem ser catolico seguramente, a Igreja anglicana, a baptista,etc lá estao para o receber de braços abertos. E claro que ha religiao sem Igreja, todas as outras religioes tem a sua propria hierarquia.
    A verdade é que a religiao é um negocio demasiado rentavel para deixar ao “deus dará”!
    Concordo consigo quando diz que “De coisas más todos são capazes bem como todas as instituições e todas os cultos, sejam elas religiosas ou ateistas. ” E isto porque o Homem (e nao deus) é a medida de todas as coisas, o Bem e o Mal nao estao pre-determinados, todos temos o ceu e o inferno dentro de nos e todos carregamos o peso da mesma Humanidade. E por tal é errado defender que quem é a religiosidade está ligada a um sistema moral mais substancial do que quem nao o é.
    Na minha opiniao, deus devia ser um produto de supermercado de uso pessoal, tipo penso higiénico ou fragancia ambiental. O pessoal ia, lia o rotulo, escolhia aquele com as caracteristica mais adequadas a sua vida, e quando quisesse mudar, mudava. Sem o esfregar na cara dos outros ou sem guerras para ver qual o deus melhor ;-)

    Cptos

  19. José
    15 Maio, 2007 às 16:56

    Não podia estar mais de acordo com o seu ultimo paragrafo Rosário, concordo em tudo, e apenas não gosto de alguns termos, mas isso sou eu, e na sua essencia tudo o que foi dito é o que penso.

    A minha religião para dissipar duvidas, não é nenhuma conhecida não me enquadro na totalidade dentro de nenhuma religião conhecida, e ao mesmo tempo enquadro-me na sua essência dentro de quase todas as que conheço. Nunca esfreguei nada na cara de ninguem nem o pretendo fazer.

    Eu falo sempre por mim, e os meus principios morais funcionam melhor quando associados a uma religiosidade, e daí ter a sua utilidade, porque como eu há muitos (pelo menos as pessoas religiosas que conheço).
    Nem sempre pensei da mesma forma, considero que estou melhor assim.

  20. Rosario Andrade
    15 Maio, 2007 às 17:45

    (…quando dizia esfregar na cara dos outros nao me referia a si mas às religioes em geral…).

    Reconheço que a espiritualidade é para muitas pessoas uma necessidade sociologica e se se sentem melhor assim, como o José, nao vem grande mal ao mundo, até porque como defendo, a espiritualidade devia ser da esfera privada e nunca sair de lá. A grande questao é mesmo quando as coisas se tornam organizadas e as organizacoes se tornam poderosas e com influencia e se julgam no direito de se afirmarem melhores que as outras.

    Ate amanha.
    Cptos

  21. xiquinho
    17 Maio, 2007 às 05:18

    Hélder,

    Reconheço que não é fácil, Dawkins, salvo erro em God Delusion, ao compilar uma lista de prémios Nobel apenas encontrou um caso de um crente e mesmo assim parece que só frequentava a Igreja por razões puramente sociais. Mas mesmo assim não consegues indicar um caso?

    José,

    Ficam todas as dúvidas… Mas afinal qual é a sua religiosidade? Concretamente, qual é a utilidade da sua religião para os seus princípios morais?

    Rosário,

    Não vem grande mal ao mundo, porque o José seguramente não está predestinado a desempenhar grande papel nos destinos do universo. Mas concerteza já não diria o mesmo se ele se chamasse, por exemplo George W. Bush ou Mahmoud Ahmadinejad. É que para um ateu ver um crente acreditar em deus e religiosidades faz tanto sentido, como para um crente ver uma criança acreditar no Pai Natal. Até se sente uma certa ternura. O problema é quando a criança atinge uma certa idade e continua a insistir em acreditar em nessas fantasias…

    Ps. Subscrevo a blasfémia do penso higiénico…

  22. Helder Sanches
    17 Maio, 2007 às 08:50

    Caro Xiquinho,

    Vais obrigar-me a escrever um artigo sobre a relação inteligência/religiosidade. Está prometido para breve.

  23. Rosario Andrade
    17 Maio, 2007 às 09:37

    Xiquinho,
    Tem razao. Eu estava mesmo apensar no pressuposto de que a religiao é um assunto da esfera privada, o que como é obvio (e infelizmente) nao acontece.

    Cptos

  24. Helder Sanches » Fé e Inteligência
    17 Maio, 2007 às 09:48

    [...] Nos comentários a este artigo, o Xiquinho defende a teoria de que é impossível alguém ser simultaneamente inteligente e religioso. Parece-me que é uma posição demasiado arriscada. Seria como dizer que é impossível alguém ser inteligente e gostar de futebol. Ou alguém ser inteligente e fumar. [...]

  25. Xiquinho
    17 Maio, 2007 às 13:57

    “…o Xiquinho defende a teoria de que é impossível alguém ser simultaneamente inteligente e religioso…”

    Eu disse isso? Às vezes digo com cada coisa… Também não se pode levar a sério tudo o que digo.

    Mas mesmo com todo grau de subjectividade acerca do que significa ser inteligente ou não, eu próprio, reconheço, que me acho extraordinariamente inteligente para umas coisas (ex, a opinar sobre religião) e extremamente tolo para outras, (ex. a fumar). De forma que a inteligência e a tolice não devem ser coisas mutuamente exclusivas.

    Mas o que importa aqui sublinhar, é que um crente é tolinho, não tanto por uma questão de inteligencia ou por falta dela, mas sobretudo porque nenhum crente consegue explicar a sua crença de forma racional, que possa ser entendida por uma pessoa de inteligência mediana. Ora que nome se pode dar a um adulto que acredita em divindades, virgens Marias, duendes e fadas madrinhas e afins sem conseguir apresentar qualquer evidência que consubstancie aquilo em que acredita?

    A diferença está em que eu fumo, sei que é uma tolice, mas mesmo assim continuo a fumar, mas era mais fácil um camelo passar por um buraco de uma agulha que um crente reconhecer: Aquilo que acredito é uma tolice, mas mesmo assim continuo a acreditar.

    Em última análise, um crente tolo, com a sua crença apenas prejudica os demais, eu como fumador só prejudico é a minha saúde…

    Moral da história: um crente que não fuma, é mais inteligente do que eu…

    Então até amanhã se eu quiser

  26. Helder Sanches » Debate Inter-Blogues: Será o Agnosticismo mais Racional que o Ateísmo?
    18 Maio, 2007 às 07:56

    [...] Já há muito tempo que andava a pensar em convidar alguns bloggers amigos para periodicamente escrevermos, cada um no seu próprio blog, artigos sobre um determinado tema. O recente e feliz episódio gerado com este artigo do José, fez com que ficasse realmente convencido de que se trata de uma ideia interessante. Eu reagi, o Ludwig Kripphal também e o José voltou a responder e andamos feitos felizes a escrever sobre os artigos dos outros! [...]

  27. Wanderley Veras
    21 Maio, 2007 às 03:16

    Caro Helder Sanches:

    Estou neste exato momento lendo o assunto que chamou tanta atenção de vocês ateus, sobre este artigo.

    Reparei que aqui, nesta sua resposta ao artigo, o caro amigo disse as seguintes palavras:

    “Nem te deves abster do facto de que, uma vez organizadas, as religiões disputarem o poder entre si e disputarem também a influência com que operam junto dos órgãos efectivos de poder público e privado.”

    As religiões ‘disputam o poder’ entre si, Helder?
    ‘Disputam também influência junto aos orgãos públicos’?

    Conhece a posição da organização das Testemunhas de Jeová?

    Pergunto isso porque é de conhecimento mundial que elas dificilmente se encaixariam na descrição citada pelo amigo Helder Sanches neste artigo.

    Se o que o caro Helder disse não se encaixa nem que seja numa só organização religiosa, pode-se dizer que suas palavras foram, no mínimo, impensadas.

    Melhor! À base desta conclusão minha, podemos deduzir que as palavras do Helder não tem sentido e, sendo assim, não explica nada.

    obrigado

  28. Wanderley Veras
    21 Maio, 2007 às 03:38

    Sobre estas palavras:

    “Ao contrário da religião, amigo José, a ciência promove o conhecimento e não a ignorância”, tenho a impressão de que ficaria melhor assim:

    “Ao contrário da grande maioria das religiões, amigo José, a ciência promove o conhecimento e não a ignorância”.

    Digo isto porque a Bíblia fala das nações como estando ‘mentalmente em escuridão e apartadas da vida que pertence a Deus, por causa da ignorância que há nelas’. (Efésios 4:18) Porém, é do conhecimento mundial que a organização de Jeová é um povo muito bem educados e estudam de tudo.

    Talvez o caro Helder Sanches diga estas coisas por que tem em mente a cristandade, como referência religiosa.

    Nunca leu, por exemplo, o livro “A Vida - qual a sua origem, a evolução ou a criação?”, publicado pela organização de Jeová.

    Este livro, entre outros da mesma organização, não poderia faltar em sua biblioteca, caro.

  29. kota
    21 Maio, 2007 às 11:43

    É isso aí, penso que você devia mandar uma cópia para o Helder.

  30. Xiquinho
    21 Maio, 2007 às 12:44

    Se não for abuso, pode fazer a gentileza de mandar uma cópia para mim também?

  31. Wanderley Veras
    21 Maio, 2007 às 22:06

    Caros “kota” e “Xiquinho”:

    Estão falando do livro “A Vida ▬ Qual a Sua Origem…”?

    Se for, é simples de se adquirir um exemplar. Basta solicitar às TJs quando estiverem pregando as boas novas e passarem em suas casas.

    Vejam aqui uma apresentação do livro, extraída do cap. 1:

    ………..“Não Está em Questão a Ciência

    “7 Antes de prosseguirmos, talvez seja útil um esclarecimento: Não se questionam aqui as consecuções científicas. Toda pessoa informada está a par das surpreendentes realizações dos cientistas em muitos campos. Os estudos científicos aumentaram de forma dramática nosso conhecimento do universo, da Terra, e das coisas vivas. Os estudos da anatomia humana resultaram em meios aprimorados de tratar doenças e lesões. Rápidos avanços na eletrônica introduziram a era do computador, que modifica nossa vida. Os cientistas realizaram surpreendentes façanhas, até mesmo mandando homens de ida e volta à lua. É somente correto respeitar as perícias que tanto contribuíram para nosso conhecimento do mundo ao redor de nós, desde as coisas infimamente pequenas até às infinitamente grandes.

    “8 Talvez também seja de proveito, nesta oportunidade, esclarecer definições: O termo evolução, segundo empregado neste livro, refere-se à evolução orgânica — a teoria de que o primeiro organismo vivo se desenvolveu de matéria abiótica. Daí, ao se reproduzir, diz-se que se transformou em diferentes espécies de coisas vivas, produzindo, por fim, todas as formas de vida que já existiram na Terra, incluindo os humanos. E crê-se que tudo isto foi realizado sem direção inteligente ou sem intervenção sobrenatural. O termo criação, por outro lado, é a conclusão de que o surgimento de coisas vivas só pode ser explicado pela existência de um Deus Onipotente que projetou e fez o universo, e todas as espécies básicas de vida sobre a Terra.”

  32. Xiquinho
    22 Maio, 2007 às 05:21

    Estimado Wanderlei,

    Então foi equívoco meu, que pensei que estavam distribuindo cópias grátis. É que aqui em Cacau, onde vivo, não temos TJ’s a passarem nas nossas casas… só mórmones. Quando ao livro, não precisa de se preocupar, que depois eu peço para o Hélder me emprestar a cópia dele.

  33. Helder Sanches
    22 Maio, 2007 às 12:16

    Não sei se empresto… ;)

  34. kota
    22 Maio, 2007 às 23:02

    Empresta…

  35. ezequiel
    23 Maio, 2007 às 00:00

    Se não quiseres emprestar, podes sempre eviá-lo a este site http://www.watchtower.org/ que tem as publicações deles quase todas.

    Saliento que não sou TJ, mas sei muita coisa sobre eles

    Um abraço

  36. Pedro Amaral Couto
    9 Dezembro, 2007 às 18:47

    Wanderley Veras,
    «Nunca leu, por exemplo, o livro “A Vida - qual a sua origem, a evolução ou a criação?”, publicado pela organização de Jeová.»

    Eu li, e tenho-o aqui na minha mão. Também li “Cosmos”, “Origem das Espécies” e “O gene egoísta”, podendo verificar que as citações são fraudulentas. LOL E até sei de muito argumento idiota no livro e omissão de informação, que posso refutar facilmente com livros de Biologia.

    Em http://clubecetico.org/forum/index.php/topic,13602.msg268848.html#msg268848 coloquei imagens do livro, e de livros citados, para comparar, e também de livros de Biologia para responder a omissões.

    Portanto, o livro não tem qualquer valor científico, muito pelo contrário. É só para doutrinar, e no final pode-se verificar que assim é.

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