Educação Ateia

Educação religiosa ou educação ateía?No meu artigo de ontem, o comentador de nome Lucas perguntava-me se eu educo as minhas filhas para serem ateias. É, sem dúvida, uma questão interessante que merece uma resposta mais elaborada do que a que dei na caixa de comentários.

Certamente, não é fácil concentrar numa só palavra os objectivos de qualquer pai (ou mãe) para os seus filhos. No entanto, eu arriscaria dizer que o principal objectivo que eu tenho para as minhas filhas é que elas sejam felizes. De que maneira? Isso terão que ser elas a descobrir e a escolher, competindo-me e à mãe mostrar-lhes os caminhos e as alternativas para atingirem esse tal patamar de felicidade.

A forma como esses caminhos e alternativas são apresentados é que é importante. É óbvio que as personalidades – tanto a minha como a da mãe – desempenharão um papel importante na apresentação desses caminhos. Eu considero que é fundamental que elas desenvolvam um espírito crítico e que pensem pela sua própria cabeça, que obtenham o máximo de informação e tirem as suas próprias conclusões sobre as mais diversas matérias. Se isso é dar uma educação ateia, então, seja.

O Lucas questiona-se, também, sobre como será dar uma educação fora dos moldes tradicionais do cristianismo. Não entendo a questão do Lucas; bastaria olhar para quase todo o mundo não ocidental para poder obter a resposta a essa questão. Naturalmente que as crianças filhas de pais não cristãos também são educadas.

Como o Lucas refere, não vejo nenhum paralelismo entre educação religiosa e moral. Ou, dito de outra forma, não encontro à minha volta nenhuma evidência de que uma educação baseada em princípios religiosos resulte com maior frequência em pessoas de bem ou em maior civismo.

Em jeito de conclusão, diria que tento educar as minhas filhas para poderem vir a desempenhar a sua cidadania com tranquilidade, sendo muito felizes nesse processo e contribuindo para a felicidade dos que as rodeiem. Que elas atinjam esse objectivo enquanto ateias, cristãs, góticas, muçulmanas, agnósticas ou panteístas não me interessa. Mas, penso que como ateias seria mais fácil e coerente!

This entry was posted on Quinta-feira, Maio 3rd, 2007 at 10:05 and is filed under Ateísmo, Pessoais . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

29 Responses to “ Educação Ateia ”

  1. Rosario Andrade diz:

    Bom dia!
    Descobri o seu blog atraves do DA.

    Concordo. Se algum dia eu tiver filhos ser-lhes-á explicado que os deuses sao personagens ficticias, assim como o rato Mickey, a Bela Adormecida e os Power rangers e que algumas pessoas acreditam que ele existe e outras não, assim como algumas pessoas acreditam na Toth fairy e outras não, não porque seja uma realidade mas porque se trata apenas de uma escolha pessoal. O mais importante é desenvolver um espirito critico e saber que não há dogmas e esse sentido crítico pode e deve ser aplicado a qualquer área. Ser-lhes-a explicado que a biblia e os outros livros ditos “sagrados” sao peças de literatura tal como a Eneida, a Odisseia, etc (apenas com menos qualidade).
    Cumprimentos

  2. Lucas diz:

    Não existe ciência definitiva. Ela sempre está a caminho. Por isso, nenhum cientista sério afirma que Deus não existe, pois pode ser que um dia a ciência venha a prová-Lo.

  3. Lucas diz:

    ““Um dos maiores atos de fé acontece quando uma pessoa decide que não é Deus””.

  4. Lucas diz:

    ““É incompreensível que Deus exista, mas é mais incompreensível que Deus não exista”. “

  5. Lucas diz:

    Helder, muito obrigado pela resposta completa!
    Fico grato pela sua dedicação.
    Quanto as minhas dúvidas realmente deixei de levar em conta o mundo não ocidental. Eu tinha lido aquele post seu sobre a moral e li também os sites que você postou no sábado em inglês.
    Eu levei mais em conta a minha experiência achando que falar do mundo sem um Deus seria super difícil. Um exemplo um filho perguntando sobre questões da vida e você dando respostas fora de um contexto religioso como – acaso, evolução etc.
    Muito obrigado novamente.
    Abraços

  6. Alexandre diz:

    Interessante esse assunto. Acredito que o principal mesmo não é dizer pro filho “deus existe” ou “deus não existe”. Mostre aos poucos a realidade pra ele, mostre as religiões.. alimente-o com informação e ele fará a escolha dele, seja lá qual for.

    Falei sobre isso aqui nesse fórum há um tempinho.

  7. Helder Sanches diz:

    Pela análise dos i.p.’s, o último comentador de nome Lucas é que se trata do mesmo Lucas a quem respondi no artigo. Os outros comentários também em nome de Lucas penso que não se tratam da mesma pessoa. Como diz a expressão, há muitas Marias na terra! Portanto, esse é o Lucas. O outro passa a ser o Lucas 2. Só para não confundir. ;)

    Lucas,

    Não encontro respostas às questões da vida na religião. As questões da vida, como você chama, deverão ser respondidas principalmente com verdade e sinceridade, consoante a experiência de vida de cada um, os valores que defende, os caminhos que traça e os objectivos que tem.

    Caro Lucas 2,

    Em relação ao primeiro comentário, sugiro que leia os “Pressupostos” deste blog. Pode encontrar o link lá em cima no cabeçalho desta página que está a ler.
    Quanto aos seus outros dois comentários, vou brincar com eles:
    “Um dos maiores actos de sobriedade acontece quando uma pessoa decide que deus não existe”. Nota: a existência de qualquer deus não depende da nossa decisão; ou se prova que existe ou não!
    “É compreensível que deus não exista, mas é incompreensível que acreditem na sua existência”.

    Abraços.

  8. Ludwig Krippahl diz:

    Não existe ciência definitiva. Mas existe preponderância de evidências. E neste momento as evidências indicam que o tabaco faz mal, e por isso é isso que eu explico aos meus filhos. Não lhes vou dizer para fumar só porque os cientistas não conseguem provar com certeza absoluta que o tabaco faz mal.

    E por isso também lhes digo que não existe nenhum dos milhares de deuses que as pessoas inventam.

    Mas o meu papel não é fazer com que não fumem nem acreditem. Como o Helder, acho que o mais importante é prepará-los para poderem decidir por eles com responsabilidade e conhecimento.

  9. Eva diz:

    ““Um dos maiores atos de fé acontece quando uma pessoa decide que não é Deus””.

    Mas, isso se decide?, daquela eu decido que sou Deusa, Lucas, vai colhendo umas táboas que vou ditar um par de mandamentos….sim, sim ,sim, pois vou-lhe colhendo o gosto a esto…..

    Lucas !!!! ainda aí, ? ainda nom colhi-che as tabuinhas??? ai ,ai ,ai…estas-me obrigando a te mandar sete pragas!!!!!!

  10. Steve diz:

    se eu governasse, baniria eni]sino religioso do pais…tomaria todas escolas religiosas

  11. João Ribeiro diz:

    Realmente há aqui muita confusão….uma coisa é ter dificuldades em aceitar um Deus de uma determinada religião, outra coisa é ter dificuldade em aceitar a possibilidade de um Deus criador do Universo (independentemente das suas intenções) …

    O próprio Stephen Hawkings diz que não sabe ainda se é preciso Deus (entidade criadora) ou não para o universo existir… portanto vocês quando dizem que não existe Deus estão a dar um enorme salto (irracional) . E provavelmente, com o devido respeito, não estão a perceber a complexidade do tema..

  12. Helder Sanches diz:

    Caro João,

    Ao longo da História, forma atribuidas imensas razões para a inevitabilidade de deus ou deuses. Ao longo da História, todas essas inevitabilidades têm sido desmascaradas pela ciência e pelo bom senso.

    Falta apenas um pequeno clique para ficar tudo resolvido. Esse clique acontecerá quando e se a ciência explicar os mecanismos do aparecimento do universo.

    Enquanto tal não acontecer, aposto na hipótese menos provável. E digo menos provável porque, de facto, é a menos provável. Ou seja, a probabilidade de deus existir é tão imensamente pequena que, para mim, nem merece ser levada em consideração.

  13. João Ribeiro diz:

    Helder, para começar é preciso entender que quando estás a explicar como um determinado fenómeno ocorre, não estás a mudar nada quanto à possibilidade da existência de Deus.
    Deus poderia perfeitamente ter usado processos físicos para criar o mundo, não tinha de ser nada de mágico.

    Depois tens de lembrar que estás a abordar uma posição positivista, ou seja que percebes o mundo como ele o é.
    A física quântica demonstra variados problemas quanto a esta posição.

    Mas abordemos o problema de uma posição positivista.

    Há duas possibilidades para a explicar a existência do Universo:
    1) Sempre existiu, que já foi refutado as mais diversas vezes. Se bem que pode ainda ser verdade.
    2) Ou teve um início. A partir de alguma “coisa” que existiu sempre. E provavelmente esta “coisa ” não pode obedecer às leis físicas e materiais conhecidas, ou estaríamos a voltar a 1).

    E não vejo nenhuma razão para dizeres que 1 ou 2 é mais provável…
    O richard dawkins, também diz que deus para existir teria de ser muito complexo, pelo que o torna improvável..o que é um grande salto lógico também. Para além disso nós também somos muito complexos, as leis da física também são…e existimos

  14. Helder Sanches diz:

    O que eu digo é que não vejo a necessidade da existência de deus para justificar seja o que for.

    Partindo até da premissa da sua existência, continuaria a ser completamente desnecessário. Pelo menos para mim.

  15. António diz:

    “Porque é que não se viram cartazes a perguntar ao tal deus ou à sua virgem concubina porque deixaram que a pequena e inocente Maddie desaparecesse, assim, sem mais nem menos? ”

    “Em jeito de conclusão, diria que tento educar as minhas filhas para poderem vir a desempenhar a sua cidadania com tranquilidade, sendo muito felizes nesse processo e contribuindo para a felicidade dos que as rodeiem. Que elas atinjam esse objectivo enquanto ateias, cristãs, góticas, muçulmanas, agnósticas ou panteístas não me interessa. Mas, penso que como ateias seria mais fácil e coerente! ”

    Chamar “virgem concubina” ,com total falta de respeito pelas convicções de fé dos católicos,é uma curiosa forma de exercício de cidadania,de que certamente as suas filhas não se orgulharão…

  16. Helder Sanches diz:

    Do que as minhas filhas se orgulham ou deixam de orgulhar é lá com elas. Nem eu nem muito menos o caro comentador temos alguma coisa a ver com isso.

    Quanto ao respeito… Você acha que a religião é mais merecedora de respeito que o bom senso (para não dizer lucidez). Eu não sou dessa opinião. Uma vez mais você quer que eu me regule pelos seus valores. Uma vez mais você está enganado. Mas, eu até o compreendo; essa necessidade de impor valores e regras de conduta aos outros tem sido o alicerce do proselitismo bacoco. Há hábitos que custam a morrer.

  17. António diz:

    Não me caro…lá está você no alto da burra a botar discurso petulante e obtuso sobre as intenções que presidirão aos meus comentários.
    Eu acho que nenhum pai que tenha reais intenções de educar os seus filhos no exercício da cidadania incorre na falha grosseira de chamar “virgem concubina” à Mãe de Cristo.
    Se você estivesse verdadeiramente interessado nesse exercício educacional,começaria por dar âs suas filhas exemplo de tolerância cívica na forma de abordar a dialéctica entre Teísmo e Ateísmo.
    Assim,o seu discurso está ao nivel dos fautores do proselitismo bacoco e reaccionário,em que não me revejo e verbero.

  18. Helder Sanches diz:

    Então, diga-me lá: você acredita mesmo que a jovem era virgem? Responda-me a isto com sinceridade, por favor.

    Quando você questiona se eu estou “verdadeiramente interessado nesse exercício educacional” volta – uma vez mais – a fazer juízos de valor sobre o que eu acho que é importante transmitir às minhas filhas! Já se está a tornar repetitivo.

    Eu quero é que elas pensem pela cabecinha delas, não pela minha e, seguramente, não pela sua. Se elas algum dia vierem a acreditar que a tal jovem era virgem, será uma opção delas que eu, obviamente, respeitarei. Chamar à tal jovem “virgem concubina” não belisca em absolutamente nada o meu respeito pela opção que elas, eventualmente, venham a tomar.

    Isso é que é tolerância cívica, meu caro. Já agora, você para ser coerente, deve ter dado razão aos muçulmanos que se insurgiram contra os famosos cartoons de Maomé… ou não?

  19. António diz:

    Acredito em milagres,como sinaléctica do sobrenatural e,por isso,considero absolutamente plausível que Maria de Nazaré tivesse concebido Cristo virgem.Mas não alinho na concepção absurda de “Pecado Original” que,para mal civilizacional,foi introduzida por Santo Agostinho.Não sou católico,embora reconheça em Cristo um homem divino e não aceito que Maria de Nazaré tivesse concebido virgem os outros irmãos de Jesus,de que a Bíblia fala no Novo Testamento.Você acha normal apelidar Maria de “virgem concubina”.Eu acho desrespeitoso.Ponto final.Quanto aos cartoons de Maomé,que,francamente,não conheço,direi que a liberdade de expressão deve ter sempre por limite não afrontar grosseiramente a sensibilidade dos outros.Você não gosta que o ofendam ou insultem,pois não ?…

  20. Rodrigo diz:

    GOSTARIA DE SABER SE VOCÊ PODE ME INDICAR OU MANDAR ALGUM MATERIAL PARA A ELABORAÇÃO DE ARTIGO CIENTÍFICO NO QUAL O PROBLEMA PROPOSTA É : COMO SERIA A EDUCAÇÃO SEM AS BASES DO PENSAMENTO CRISTÃO/MONOTEÍSTA.
    OBRIGADO

  21. Augusto Cesar dos Santos diz:

    Sinceramente, devia ser considerado crime ensinar religião a crianças. Essa porcaria de ensino torna o homem um ser cada vez mais irracional. Já estou estressado com a “noção de Deus”, acho que as pessoas deveriam ler mais e abrir mais a cabeça. DEUS NÃO EXISTE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  22. João Ribeiro diz:

    idiota…

  23. VSantos diz:

    Caro,
    Descobri o seu blog apenas hoje. Não sou ateu mas sim deista, mas o que nos une é muito mais do que o que nos separa. Quanto à educação posso-lhe dizer que tenho um filho de 15 anos e que durante todo este tempo nunca fiz qualquer tipo de proselitismo ao meu filho. Apenas lhe dou pistas, ideias, i.e., o mais importante é deixar que ele pense pela própria cabeça. Isto em termos religiosos, políticos ou outros. Estes têm de ser uma opção individual, fruto do livre pensamento. Curiosamente, com apenas 15 anos ele define-se como ateu.
    VSantos

  24. Helder Sanches diz:

    Caro VSantos,

    É isso mesmo. No papel de pais, devemos, tanto quanto possível, fornecer-lhes as ferramentas para que eles possam chegar às suas próprias conclusões e escolher os seus próprios caminhos, sem condicionalismos de qualquer espécie.

  25. Everton Tiago diz:

    Olá,antes de mais nada desculpem os erros ortograficos.

    Resumindo a ideia de como o uiniverso surgio,ficam apenas duas altenativas logicas.
    1ºSempre existio alguma “coisa”.
    2ºEm algum momento tudo surgio do “nada”.

    De fato é impossivel dizer se é uma ou outra,a resposta neste contesto é impossivel de ser alcançada.Conhecemos as leis fisicas mas não podemos afirmar que elas são validas em todo o universo,talves em algum lugar do universo(ao que parece infinito),elas não sirvão e outras leis se apliquem.

    De modo geral é facil perceber que em ambas as probabilidades,uma ideia de infinito se torna cada vez mais forte,mas isto não leva a crer que as forças iniciais,ou origem,tenham de partir de alguma coisa cônciente,pois de fato o acaso existe e querendo ou não coisas acontecem por mero acaso todos os dias,como tropeças em uma pedra.

    Sou ateu,e acho desnecessario o ensino de uma relião,so presisamos ensinar as criançãs a terem “empatia”,e alguns adultus deveriam saber melhor o que isto siguinifica.

    Obrigado.

  26. gil diz:

    Todos vocês,
    ACORDEM
    Existe um Deus que tudo fez e que é seu criador…
    O homem é indesculpável quando nega a existência de um Deus que quer se relacionar com sua criatura e torná-la, agora, seu filho, mas por causa do pecado (natureza caída que me afasta de Deus) O negamos.
    Sejam sinceros consigo mesmos e perguntem-se EXISTE UM DEUS?
    Leiam a bíblia, que, ao contrário do que foi escrito não é uma obra literária de baixa qualidade (me poupe).
    Busquem o Senhor, enmquanto ainda podem achá-lo.
    Graça e paz
    Gil

  27. gil diz:

    você precisa de Deus urgente…..
    Deus tem muita misericórdia…..

  28. gil diz:

    UMA EDUCAÇÃO SEM AS BASES CRISTÃS/MONOTEÍSTAS, SERIA O CAOS PURO….PENSA, PESQUISE AS CIVILIZAÇÕES POLITEÍSTAS E SEM UMA BASE MONOTEÍSTA….SOMEM DO MAPA…O HOMEM PRECISA DE SENTIDO PARA SUA VIDA, SABE RQUE VEIO DE ALGUÉM, SE NÃO O QUER HÁ ALGO MUITO ERRADO, É INERENTE AO SER HUMANO.

  29. Helder Sanches diz:

    Somem do mapa mesmo? Pense lá qual é a civilização mais antiga do planeta. Vou-lhe dar uma dica: Olimpíadas 2008. Isso mesmo! A China, cuja religião mais tradicional é politeísta e é ainda hoje praticada por mais de 800 milhões de pessoas.

    Você pode dizer as baboseiras que quiser, mas se as disser nas caixa de comentários deste blog, é bom que se informe primeiro e deixe de pensar que a realidade é aquilo que você gostaria que fosse.

    Se eu preciso de Deus, você precisa de uma enciclopédia… Acredita, você ficaria muito mais bem servido. Passe bem…



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