Diversas fezes fui já acusado de arrogância pelo titulo do meu blog ou quando uso uma t-shirt com a mesma frase.

De facto, há quem interprete a expressão “Penso, logo, sou ateu” como um assumir de uma superioridade intelectual que não corresponde minimamente à verdade e que não pode ser deduzido a partir de uma frase tão simples. Outras vezes ficam-se pelo já clássico “Olha, este tem a mania que é esperto!”.

Gostava de deixar bem claro que titulo deste blog não implica necessariamente nem que acho que sou mais ou menos inteligente que os outros e muito menos que ache que sou esperto.

Em relação à inteligência, eu diria que não importa se se é muito inteligente ou não. Importa, isso sim, o que fazemos com a nossa inteligência. Ser inteligente não é sinónimo de ser virtuoso seja no que for. Muito dos serial killers mais famosos são - ou eram - altamente inteligentes, assim como muitos dos ditadores ao longo da história.

Em relação à esperteza diria que esta tem muito mais a ver com o sentido de oportunidade do que com a inteligência. É algo de que, sinceramente, não me posso gabar (caso contrário teria optado por criar um blog porno e obter daí alguns dividendos ;) ).

Já a questão do pensar implica um acto voluntário. Avaliar e raciocinar sobre a informação que temos disponível e chegar (ou não) a conclusões.

É por isso que eu escolhi a frase “Penso, logo, sou ateu”. Porque ao analisar e reflectir sobre toda a informação que tenho disponível sobre a existência de deus(es) concluo que eles nunca existiram, não existem, nem existirão. Duvido que alguém tenha informação disponível para poder chegar a uma conclusão diferente.

Comentários

14 Respostas a “A Arrogância de Pensar e Ser Ateu”

  1. Luis Pestana em 16 Abril, 2007 16:27

    Chateiam-te muito na rua com isso?

  2. Helder Sanches em 16 Abril, 2007 19:22

    Não. Este tipo de comentários é feito habitualmente por aqueles conhecidos que não são amigos propriamente ditos. Os amigos já me conhecem e sabem que as minhas intenções são benignas. ;-)

    Se alguma vez for chateado na rua por alguém que desconheço não sei qual será a minha reacção; ou começo a gritar “Vade Retro!” ou então convido a pessoa para um café e tento fazer-lhe uma lavagem cerebral.

  3. Marco Sanches em 17 Abril, 2007 0:52

    É, amigo Helder, não é lá tarefa das mais fáceis assumir que se usa a inteligência para pensar, ainda mais diante de mais de 2000 anos de cristalização de idéias repetidas e aceitas como verdadeiras sem questionamento algum, pela maioria absoluta das pessoas.
    Veja, durante uma reunião na empresa em que trabalho me perguntaram por que eu nunca me manifestei sobre religião. Devolvi a pergunta querendo saber se a empresa por acaso era um templo. E completei dizendo que não tenho religião, sou ateu.
    Daí pra frente, só crentes querendo me converter, chamando-me pra debater bíblia, deus, essas coisas todas…
    Quem sabe, um dia, eles acordam…

  4. António em 17 Abril, 2007 11:56

    Vade Retro??? Vade Retro!?!?!? :-)

  5. Diogo em 15 Novembro, 2007 14:45

    “…toda a informação que tenho disponível sobre a existência de deus (es) concluo que eles nunca existiram, não existem, nem existirão….”

    Onde é que está essa informação?? A que é vendida pelos media?? Aquela que cada um de nós filtra, utilizando apenas a que melhor justifica a nossa ideia ou os nossos ideais? Ou simplesmente aquela informação de toda a gente desconhece mas que toda a gente diz conhecer?

    Não há informação nenhuma concreta de que ele existe… Mas há muito menos informação de que ele não existe.

    De facto comprovo… Ter Fé é um dom… E de facto… Não para todos!!!!

  6. Diogo em 15 Novembro, 2007 14:50

    Tenho uma t-shirt que diz: “Não tenhas medo… De acreditar”.
    É uma t-shirt que celebra os 25 anos de pontificado do Papa João Paulo II.

    Tem graça… Porque também me chateiam quando uso essa t-shirt.
    Pelos vistos… Já somos dois… E por razões verdadeiramente contrárias… E esta hem!!

  7. Diogo em 15 Novembro, 2007 14:52

    Só o facto de existir alguém que tem um blog com esse titulo… É facto mais que suficiente para comprovar a existencia de Deus…
    … Ninguém acredita nele… Mas toda a gente o ataca… Toda a gente o culpa… Toda a gente fala dele…

  8. Helder Sanches em 15 Novembro, 2007 19:16

    Diogo,

    Substitua deus pelo Pai Natal. Já conseguiu? Agora substitua os argumentos de uma criança de cinco anos pelos seus. Surpresa! Vê como funciona?

  9. Diogo em 19 Novembro, 2007 12:59

    Dá-me especial prazer constatar que dificilmente consegue ter uma resposta minimamente “conseguida”.
    Principalmente porque responde como uma criança de 5 anos.

  10. Diogo em 19 Novembro, 2007 13:06

    Dá-me especial prazer constatar que dificilmente consegue ter uma resposta minimamente “conseguida”.

    Principalmente porque responde como uma criança de 5 anos. Quantos tem?

    Agora substitua os argumentos de um pseudointelectual egocentrico pelos seus… Vê como é facil?

  11. Diogo em 19 Novembro, 2007 13:12

    Deve ser uma felicidade enorme não saber o que anda a fazer por cá, nem qual o significado de uma vida inteira.
    Acha mesmo que a sua vida acaba no vazio?? Deve ser triste!!

  12. Xiquinho em 19 Novembro, 2007 14:32

    Aparece aqui com cada cromo… é o que faz ter porta aberta… enfim…

  13. Helder Sanches em 20 Novembro, 2007 21:51

    Quando a caderneta estiver completa, aviso-te!

  14. Leda Claro em 28 Novembro, 2007 23:24

    Quando leio frases de grandes pensadores e até anônimos no espaço de atéismo, consigo enxergar como fui tola, nestes 50 anos de vida. Primeiro fui batizada (ai de quem não fosse, se morresse criança não teria direito a lugar no céu. Depois a primeira comunhão, também um rito seguido por que todos na escola o faziam, eu não podia ser diferente. Depois, minha vida tão sofrida, tive que crer, pela família agora convertida ao kardecismo (o consolador - cada religião tem o seu) que tudo de mal era consequencia de existencias passadas, eu tinha sido, com certeza, uma péssima pessoa, e merecia passar por aquilo. Fui a igrejas evangélicas e, sempre a mesma história, o “inimigo” era o culpado, eu deveria ser dizimista para melhorar de vida, principalmente a financeira e, a coisa mais imprtante era a “sacolinha” (e coitado de quem não tivesse para dar). Tentei o budismo, lá são um pouco mais coerentes, achei, mas a salvação está em reictar o mantra, por alguns até cinco, seis horas/dia e ler (claro, comprar) o jornal. Francamente, “se é certo que esse mundo foi feito por um deus, não queria eu ser esse deus, pois as dores do mundo dilaceriam meu coração” - Shopenhauer. É isso, quanto aos religiosos, por favor, respeitem os ateus, pois conheço dezenas que fazem o bem, e muito, sem esperar recompensas celestiais.

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