Adjectivo ou Nome Próprio?

O meu amigo Antó­nio, lei­tor regu­lar deste blog, chamou-me a aten­ção para o facto de eu não ser coe­rente na uti­li­za­ção do “d” maiús­culo quando me refiro a deus. Ora, para que fique claro, o prin­ci­pio que tenho uti­li­zado cons­ci­en­te­mente é o de escre­ver “deus” quando me refiro a uma enti­dade abs­tracta e escre­ver “Deus” quando me refiro ao deus cris­tão, uma vez que é suposto ser esse o seu nome pró­prio (embora, admito, não tenha a cer­teza, uma vez que nunca me foi apre­sen­tado formalmente).

Con­tudo, o Antó­nio diz que não tenho usado esse cri­té­rio uni­ver­sal­mente, algo que eu não con­testo por três razões que passo a citar:

  • Sei que não sou muito cui­da­doso nesse tipo de pormenores
  • O Antó­nio parece-me ser mais cui­da­doso que eu nes­ses pormenores
  • Não me dei ao tra­ba­lho de con­fe­rir a obser­va­ção do António

Isto deu-me que pen­sar! Bolas, tenho que ser coe­rente na uti­li­za­ção (ou não) da maiús­cula. E, então, pen­sei, pen­sei, pen­sei… e che­guei à con­clu­são que daqui para a frente será sem­pre uti­li­zado o “d” minús­culo em qual­quer situ­a­ção. Eis o meu raciocínio:

  • Se deus não existe — esse é um dos pres­su­pos­tos deste blog — não posso dar cober­tura a um nome dado por outros a algo que não existe;
  • Sendo assu­mi­da­mente calão (que o sou!) para quê ter que car­re­gar na tecla shift desnecessariamente?
  • É muito mais fácil ser coe­rente no futuro se dimi­nuir as minhas alternativas.

Por­tanto, daqui para a frente, “deus” reinará!

Lei­tura reco­men­dada: God or god?

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4 Respostas a Adjectivo ou Nome Próprio?

  1. António diz:

    O seu a seu dono!

    Con­si­dero que as tuas razões são 100% váli­das o teu raci­o­cí­nio 100% lógico e a tua con­clu­são 100% dis­pa­ra­tada!
    Estava a pen­sar no que escre­ve­ria a seguir mas a lei­tura do artigo que reco­men­das, em si, con­tra­ria a tua conclusão!

    Ex.1: “Either works, but we capi­ta­lize God in the lat­ter sen­tence because we are essen­ti­ally using it as a pro­per name — just as if we were tal­king about Apollo, Mer­cury, or Odin. ” — Penso que se explica a si próprio.

    Ex.2: “The same holds true if we are spe­a­king very gene­rally about Chris­tian, Jewish, Mus­lim, or Sikh beli­efs.” — Vê como o autor capitalizou.

    As cita­ções acima são do artigo refe­rido na “Lei­tura Reco­men­dada” de Aus­tin Cline.

    Por­tanto, nem que seja para ser gra­ma­ti­cal­mente certo, deve­rias reconsiderar.

    Mas, tal como come­cei, o seu a seu dono; con­ti­nu­a­rei a visi­tar o teu blog mesmo que o acesso de pre­guiça se mantenha.

    Um Abraço.

  2. Helder Sanches diz:

    Caro Antó­nio,
    Con­ve­ni­en­te­mente, por omis­são ou dis­trac­ção não citaste o último pará­grafo: ;)

    Thus, they and other monotheists might be taken aback at fin­ding peo­ple who don’t pri­vi­lege their par­ti­cu­lar god con­cept and so refe­rence it in a gene­ral man­ner, just as they do with everyone else’s god. It’s impor­tant to remem­ber in such cases that it is not an insult sim­ply to not be privileged.”

    De qual­quer forma, colo­quei o link por­que abor­dava a ques­tão e não por con­cor­dar ou não com a tese lá defen­dida. As minhas razões escrevi-as no meu post, não neces­si­tava de “back­ground” do Aus­tin Cline. ;)

    Um abraço para ti também.

  3. cândida diz:

    tanta eru­di­ção, deus meu!
    :)

  4. José Bizarro diz:

    Eu estou do lado do Antó­nio, e con­cordo com a posi­ção ini­cial do Hél­der, o deus cató­lico tem o nome pró­prio de Deus e como tal devia ser escrito com a pri­meira letra maius­cula inde­pen­den­te­mente de ele exis­tir ou não, por­que é assim que se escre­vem nomes pró­prios. Mas eu não fico cha­te­ado quando escre­vem o meu nome josé em vez de José, por­que eu mui­tas vezes tam­bém o faço, por nem sem­pre dar toda a minha aten­ção a tais pormenores.

    Escre­ver sem­pre com minus­cula deus pro­po­si­ta­mente quando se está a refe­rir ao nome pró­prio é incorrecto.

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