Números do Ateísmo

Top 50 dos paí­ses não crentesNeste estudo inter­na­ci­o­nal sobre a per­cen­ta­gem de cren­tes e não cren­tes em cada país, Por­tu­gal encontra-se num assus­ta­dor 43º lugar, com núme­ros muito seme­lhan­tes aos Esta­dos Uni­dos e atrás de todos os seus par­cei­ros europeus.

Mais impor­tante do que enten­der as cau­sas para tais resul­ta­dos — embora tam­bém seja impor­tante — é ganhar­mos cons­ci­ên­cia de que vive­mos num dos paí­ses mais con­ser­va­do­res da Europa no que res­peita à impor­tân­cia do papel que a reli­gião desem­pe­nha na nossa soci­e­dade. É por isso urgente pro­vo­car e espi­ca­çar a soci­e­dade de modo a con­tri­buir para a alte­ra­ção desta realidade.

Embora eu não seja um defen­sor da “evan­ge­li­za­ção ateísta”, a des­mis­ti­fi­ca­ção da fé atra­vés da pro­mo­ção da ciên­cia e da divul­ga­ção do ideal secu­lar deverá ganhar novos impul­sos e per­der a ver­go­nha de ir à luta con­tra a igno­rân­cia e o ridículo.

A opo­si­ção clara a qual­quer infrac­ção à lai­ci­dade do Estado não é sufi­ci­ente. Mui­tos aspec­tos da nossa vida não estão depen­den­tes do Estado. Em cada um de nós, na nossa famí­lia, no nosso grupo de ami­gos, nos nos­sos cole­gas de tra­ba­lho, há sem­pre algo mais que pode ser feito. Fazer nada é con­tri­buir para que tam­bém nesta maté­ria nos man­te­nha­mos na tão fami­liar cauda da Europa.

(Diá­rio Ateísta / Penso, logo, sou ateu)

Ateísmo (e não só) na Net

Por­que hoje é sábado:

Is mora­lity God-given or sim­ply human intui­tion?, no Tai­pei Times — Um exce­lente artigo de Marc Hau­ser e Peter Sin­ger sobre uma temá­tica recen­te­mente por mim abordada

Reli­gion & Mora­lity: A Con­tra­dic­tion Explai­ned, no The Anti Natu­rals — Ainda sobre a moral da religião

Sanc­to­rum, de J.A.M. Mon­toya — O fotó­grafo espa­nhol J.A.M. Mon­toya esteve recen­te­mente envol­vido numa grande polé­mica no país vizi­nho quando veio a lume que a sua colec­ção deno­mi­nada “Sanc­to­rum” havia sido sub­si­di­ado pelo governo regi­o­nal da Extre­ma­dura. Esta colec­ção retrata figu­ras bíbli­cas em poses de cariz sexual.

Tune­Core — Tal­vez o futuro da dis­tri­bui­ção de con­teú­dos musi­cais esteja aqui

O Meu Amigo Victor (ou como evitar Testemunhas de Jeová)

O Vic­tor era um amigo meu, mais velho que eu nove ou dez anos, com o qual par­ti­lhei algu­mas noi­ta­das e outras lou­cu­ras. Pos­sui­dor de uma cul­tura geral invul­gar, era um exce­lente pro­tó­tipo daquela gera­ção que estava a che­gar ao final da ado­les­cên­cia quando acon­te­ceu o 25 de Abril de 1974; culto, de esquerda, rebelde e assu­mia publi­ca­mente que detes­tava tra­ba­lhar! Foi ele que me ensi­nou os pri­mei­ros acor­des dis­so­nan­tes e a impor­tân­cia de os conhe­cer e domi­nar. Com ele aprendi a gos­tar de jazz e bossa nova.

O Vic­tor, ateu con­victo que não supor­tava bea­ti­ces, tinha o hábito de dor­mir sem­pre nu. Um certo domingo, depois de uma noi­tada até perto das seis da manhã, o Vic­tor foi acor­dado às 8.30 pelo con­ti­nuo tocar da cam­pai­nha de sua casa. Con­tra­ri­ado, levantou-se e, sem ves­tir qual­quer roupa, dirigiu-se à porta e esprei­tou para ver quem seria que tocava tão insis­ten­te­mente. Viu duas senho­ras, ambas dos seus 50 anos, ves­ti­das com rou­pas de domingo e com umas revis­tas apoi­a­das nos bra­ços cru­za­dos. Abriu a porta, escancarando-a, e ficou, todo nu, em frente às bea­tas senho­ras. Na sua voz rouca de res­saca disse: “Ora, muito bom dia! Faz favor?”!

As senho­ras des­ce­ram as esca­das a cor­rer, sem olhar para trás. O Vic­tor nunca mais foi inco­mo­dado durante as manhãs de ressaca!

Sobre a Moral

Um dos argu­men­tos mais uti­li­za­dos pelos cren­tes na defesa da uti­li­dade reli­gi­osa é o argu­mento da neces­si­dade do mora­lismo reli­gi­oso como sus­tento de uma soci­e­dade moral. Segundo este prin­cí­pio, o mora­lismo reli­gi­oso é indis­pen­sá­vel ao fun­ci­o­na­mento da soci­e­dade, atra­vés da divul­ga­ção de valo­res de jus­tiça e de regras de boa conduta.

Con­tudo, este prin­cí­pio não tem qual­quer fun­da­mento. Os sis­te­mas reli­gi­o­sos são sis­te­mas fecha­dos, relu­tan­tes à influên­cia externa e só assi­mi­lam novos valo­res exte­ri­o­res quando lhes é con­ve­ni­ente, atra­vés de um sim­ples pro­cesso de sobre­vi­vên­cia ou, como quase sem­pre acon­tece, tar­di­a­mente, quando já toda a soci­e­dade assi­mi­lou as alte­ra­ções em causa.

Por serem sis­te­mas fecha­dos e, con­se­quen­te­mente, as nor­mas morais demo­ra­rem muito tempo a sofre­rem adap­ta­ções, as reli­giões per­ma­ne­cem pra­ti­ca­mente imu­tá­veis aos olhos de qual­quer gera­ção e as alte­ra­ções só se con­se­guem vis­lum­brar, mui­tas vezes, numa pers­pec­tiva histórica.

Assim, como se expli­ca­ria, baseando-nos no prin­cí­pio exposto no pri­meiro pará­grafo, que os valo­res morais de uma reli­gião sofram dessa imu­ta­bi­li­dade enquanto as soci­e­da­des, com o seu dina­mismo inde­pen­dente da reli­gião, alte­rem con­si­de­ra­vel­mente os seus valo­res em pro­ces­sos que mui­tas vezes duram escas­sos anos?

Se o prin­cí­pio da moral reli­gi­osa fosse válido vive­ría­mos ainda sob a mora­li­dade medi­e­val, uma vez que os prin­cí­pios morais reli­gi­o­sos dessa era ainda vigo­ram na sua maior parte; nos casos em que isso não acon­tece, a reli­gião foi sem­pre a rebo­que das alte­ra­ções impos­tas pela dinâ­mica da sociedade.

Não exis­tem razões de facto para sus­ten­tar a supe­ri­o­ri­dade de qual­quer moral reli­gi­osa. A moral é fruto desse enorme empre­en­di­mento que é – e con­ti­nu­ará a ser – a adap­ta­ção do ser humano ao mundo que o rodeia, pro­cu­rando equi­lí­brios de jus­tiça na busca da feli­ci­dade indi­vi­dual e colectiva.

(Diá­rio Ateísta / Penso, logo, sou ateu)

33 anos

25 de Abril - Cartaz alusivoEntre mui­tas coi­sas boas e alguns sobres­sal­tos, é hoje ine­gá­vel a impor­tân­cia do 25 de Abril de 1974.

Ter medo de falar é uma sen­sa­ção que, feliz­mente, só a con­sigo defi­nir no abs­tracto, uma vez que as memó­rias de cri­ança não me dei­xa­ram esse azedo gra­vado na minha personalidade.

O pra­zer de usu­fruir do direito de falar não me per­mite sequer equa­ci­o­nar outra rea­li­dade que não aquela em que vive­mos hoje em Por­tu­gal. Sou livre de dizer o que penso e penso livre­mente sobre o que os outros dizem.

Que nunca nos esque­ça­mos que hou­ve­ram tem­pos em que tal não era possível…

Uma Religião a Considerar

Qual será a melhor maneira de pro­var que a reli­gião é, de facto, um fenó­meno irra­ci­o­nal, de con­trole de mas­sas e de lava­gem cere­bral? Esta é uma per­gunta para a qual tenho che­gado a uma res­posta pos­sí­vel: criar uma reli­gião, alimentá-la com dog­mas e fan­ta­sias, pro­mo­ver a sua divul­ga­ção, colec­ci­o­nar segui­do­res e, pas­sado algum tempo, denun­ciar o embuste!

Dará tra­ba­lho, mas é capaz de ser uma expe­ri­ên­cia interessante.

Aceitam-se suges­tões para a deno­mi­na­ção, dog­mas, méto­dos para anga­riar segui­do­res e pos­sí­veis locais para onde fugir após a denun­cia. Obrigado.

Dia Nacional da Ilusão

Bush - a orar ou apenas de ressaca?O pre­si­dente dos Esta­dos Uni­dos e bea­tís­simo George W. Bush deci­diu criar o Dia Naci­o­nal da Ora­ção nos Esta­dos Uni­dos da Amé­rica. Será cele­brado a 3 de Maio e é um con­vite a todos os cida­dãos norte-americanos para agra­de­ce­rem a deus — seja ele quem for — pela sua pro­tec­ção, con­forto e gui­dance (que eu não me atrevo a traduzir)!

No apelo do beato — per­dão, do pre­si­dente — fica patente o con­vite a TODOS os norte-americanos, não ficando claro como deve­rão pro­ce­der ateus, agnós­ti­cos e outros não religiosos.

Não deixa de ser curi­osa a cri­a­ção de um dia dedi­cado à ora­ção, essa arte fan­tás­tica de pedir (e vene­rar) em vão a um ser ima­gi­ná­rio, na ten­ta­tiva de obter atra­vés do pai, do filho ou do espí­rito santo (outra!) — ou dos três em simul­tâ­neo, por­que parece que são um só — aquilo que se quer da vida, tanto da pró­pria como da dos outros!

Como diz o Ricardo Alves no Diá­rio Ateísta “Há gente mesmo muito estra­nha neste planeta”!

Era uma vez o Limbo…

Mas já não é! De acordo com cen­te­nas de anos de dou­trina e dogma cató­li­cos, o limbo era o local medo­nho onde fica­vam todas as cri­an­ci­nhas que mor­res­sem sem ser bap­ti­za­das. E digo era por­que o Vati­cano decre­tou o seu fim! E, pronto.

Assim, por decreto, o mundo onde vive­mos pas­sou a ser com­ple­ta­mente dife­rente, a rea­li­dade foi alte­rada e as cri­an­ças pas­sa­ram a viver num mundo muito melhor e mais justo.

Eu des­con­fio que o Al Gore está metido nisto; o limbo não ia desa­pa­re­cer assim, sem mais nem menos! Nin­guém me con­vence que não se trata já de uma con­sequên­cia da subida das águas do mar devido ao aque­ci­mento glo­bal. Se for, impõe-se a per­gunta: o que virá a seguir? O Pur­ga­tó­rio?

Este caso demons­tra bem a levi­an­dade das deci­sões reli­gi­o­sas. No Vati­cano, a rea­li­dade decide-se, não se prova. Mais grave do que isso é que quem decide, fá-lo ape­nas com a auto­ri­dade do poder e nunca com a auto­ri­dade da prova ou do conhe­ci­mento. Que isto não seja óbvio para todos é um mis­té­rio, quiçá, maior que alguns milagres!

Lá se foi o limbo… Puf! Coitado…

(Diá­rio Ateísta / Penso, logo, sou ateu)