Comia-o todo!

Refiro-me, claro, ao Cristo de cho­co­late! Esta doce escul­tura de 1,80m esteve para ser apre­sen­tada ao público numa gale­ria de arte em Nova Ior­que mas, face à revolta e apelo ao boi­cote levado a cabo pela The Catho­lic Lea­gue for Reli­gi­ous and Civil Rights, foi reti­rada da exposição.

A escul­tura ima­gi­na­ti­va­mente inti­tu­lada “My Sweet Lord”, de Cosimo Caval­laro, pro­cura, assim, um novo local para ser apre­sen­tada ao público em geral. Matthew Sem­ler, direc­tor artís­tico da expo­si­ção, diz não terem ficado cla­ras a razões dos pro­tes­tos: o facto de ser de cho­co­late, o facto de estar nu ou o facto do cho­co­late ser preto.

Esta noti­cia fez-me recor­dar das cari­ca­tu­ras de Maomé e de toda a polé­mica gerada à pouco mais de um ano.Vá lá, os pro­tes­tos não envol­ve­ram o incen­diar de ban­dei­ras nem o van­da­li­za­ção de embaixadas.

Algu­mas per­gun­tas surgem-me, assim de repente:

O que é que a cera ou o barro têm de mais nobre que o cho­co­late e em que é que esta escul­tura difere das outras em rela­ção aquela máxima “não idolatrarás”?

Ficando a escul­tura à mercê de uma cató­lica per­versa (que as há, feliz­mente) onde daria ela a pri­meira den­tada?

(Diá­rio Ateísta/Penso, logo, sou ateu)

Páscoa… Preparados?

Vamos entrar naquela semana em que, no final, se cele­bra nada mais, nada menos, que o maior embuste da civi­li­za­ção oci­den­tal. Con­vém, por­tanto, estar atento.

É a semana em que nos que­rem fazer crer que um pai sacri­fi­cou o seu pró­prio filho para pro­var que ele era mesmo o pro­ge­ni­tor; que o corpo do filho desa­pa­re­ceu três dias depois por­que o pai assim quis; enfim, que o filho fugiu do sepul­cro todo nu, uma vez que as rou­pas com que foi coberto depois de morto estão em expo­si­ção em Turim!

Cá por casa, mor­reu ontem um dos man­da­rins que as minhas filhas tei­mam em ter engai­o­la­dos. Tive pena que não aguen­tasse mais uma semana; daría­mos ape­nas por falta dele na gai­ola e tería­mos a cer­teza que ape­nas optara por gozar a Pri­ma­vera ao ar livre!

(Diá­rio Ateísta/Penso, logo, sou ateu)

Religião e Futebol

Uma das fra­ses famo­sas de Steve Wein­berg é algo do género: “Exis­ti­rão sem­pre pes­soas boas a fazer coi­sas boas e pes­soas más a fazer coi­sas más. Mas para pes­soas boas faze­rem coi­sas más é pre­ciso a religião.”

Acho que se pode apli­car o mesmo prin­cí­pio a outras rea­li­da­des. Senão, veja­mos: “Exis­ti­rão sem­pre pes­soas inte­li­gen­tes a dize­rem coi­sas inte­res­san­tes e pes­soas igno­ran­tes a dize­rem par­voí­ces. Mas para pes­soas inte­li­gen­tes dize­rem par­voí­ces é pre­ciso o futebol”.

O (estranho) Fim da Fé

Foi — final­mente — tra­du­zido para por­tu­guês e edi­tado por cá o já clás­sico The End of Faith, de Sam Har­ris. Lamen­ta­vel­mente, o edi­tor naci­o­nal (Tinta da China) optou pela estra­té­gia mais sim­ples, mas que neste país parece ser a única dis­po­ní­vel. Uma capa tipo romance de cor­del com pre­tos e ver­me­lhos for­tes, quiçá para acor­dar as ima­gens recal­ca­das do Inferno de Dante, e cria uma frase soberba para a ban­deira do canto supe­rior direito: “O Livro Negro da Religião”!

Claro que se esque­ce­ram de colo­car na capa, como acon­tece em mui­tas edi­ções no estran­geiro, a sim­ples frase “The New York Times Best­sel­ler”. Tudo a bem, claro está, da cre­di­bi­li­dade desta obra…

Pete Stark quebra tabu

Final­mente, um repre­sen­tante no Con­gresso dos Esta­dos Uni­dos assume não acre­di­tar em qual­quer deus!

Pete Stark, um dos repre­sen­tan­tes da Cali­fór­nia no Con­gresso, assu­miu esta semana publi­ca­mente o seu ateísmo. Espe­re­mos que a sua cora­gem sirva de exem­plo a outros que são reféns do sucesso elei­to­ral e não têm tido a mesma pos­tura. Recordo que assu­mir uma posi­ção con­trá­ria à crença em deus é con­si­de­rado sui­cí­dio poli­tico nos Esta­dos Unidos.

Vere­mos se Stark se trata de um caso iso­lado, fruto do seu elei­to­rado ser dos menos con­ser­va­do­res em todos os Esta­dos Uni­dos, ou se a cora­gem é con­ta­gi­ante. De qual­quer forma, por muito ténue que seja, é uma ponto de luz ao fundo do túnel.

Para saber mais, ler aqui.

(Diá­rio Ateísta/Penso, logo, sou ateu)

Expressões Idiomáticas Religiosas

Tenho o mau hábito de “apa­nhar” com faci­li­dade expres­sões idi­o­má­ti­cas das pes­soas com quem mais con­tacto. Isto não tem nada de mal, claro, mas ao fim de uns anos a ouvir “oh, meu deus”, “nossa senho­ra”, “san­ti­nho”, “valha-me deus”, “gra­ças a deus”, “se deus qui­ser”, entre mui­tas outras par­voí­ces, às vezes ainda me esca­pam algu­mas des­tas aber­ra­ções lin­guís­ti­cas entre os den­tes, espe­ci­al­mente quando não posso dizer um palavrão.

Fico cha­te­ado comigo mesmo quando isso acon­tece. Não por que o diga com o sen­tido reli­gi­oso ine­rente a cada uma delas, mas por que há sem­pre alguém por perto que, sabendo que sou ateu, não hesita em apontar-me o deslize.

Por isso, fica aqui a minha reso­lu­ção em aban­do­nar defi­ni­ti­va­mente a uti­li­za­ção des­tas bea­ti­ces lin­guís­ti­cas. “San­ti­nho” já há algum tempo que pas­sou a ser “Eins­tein”. Tenho que arran­jar subs­ti­tu­tos para algu­mas das outras (não uso todas). Gra­ças a deus…

Vem aí a “Grande Matança”

Anu­al­mente, o Canadá, por mui­tos con­si­de­rado um exem­plo de país, per­mite que mais de 300.000 focas bebés sejam lite­ral­mente cha­ci­na­das de forma a ali­men­tar (par­ci­al­mente) uma indús­tria maca­bra local. Os auto­res desta cha­cina, escan­da­lo­sa­mente sub­si­di­a­dos pelo governo Cana­di­ano, são pes­ca­do­res da costa leste cana­di­ana que vêem nesta opor­tu­ni­dade uma forma de aumen­ta­rem um pouco mais os seus rendimentos.

As focas são mor­tas essen­ci­al­mente por causa da sua pele. Isto faz com que as focas sejam mui­tas vezes dei­xa­das a ago­niar até à morte, caso não mor­ram do pri­meiro golpe. Isto por­que quanto menos per­feita for a sua pele menos valor comer­cial terá. De sali­en­tar que os ren­di­men­tos obti­dos pelos pes­ca­do­res locais com esta matança são ape­nas resi­du­ais, não ultra­pas­sando os 5% do seu ren­di­mento anual.

Para além da pele, existe um mer­cado muito redu­zido para o óleo de foca. Já foram tam­bém detec­ta­dos pénis de foca a serem comer­ci­a­li­za­dos em alguns paí­ses da Ásia como afro­di­sía­cos! A carne, sem nenhum valor comer­cial, é dei­xada a apo­dre­cer no gelo.

Lamen­ta­vel­mente, a União Euro­peia ainda anda com as habi­tu­ais buro­cra­cias para estu­dar um boi­cote ao pro­du­tos deri­va­dos das focas!

Para saber mais:

Stop Canada’s Cruel Seal Hunt

Stop the Seal Hunt

Canada seal hunt gets under way

Harp Seals

Saturno

Ontem, pela tar­di­nha, fui com as minhas filhas a uma ses­são de obser­va­ção astro­nó­mica no Obser­va­tó­rio da antiga Escola Poli­téc­nica. Nunca tinha olhado por um teles­có­pio. Pergunto-me, agora, como é possível?

A Lua estava radi­ante, Vénus bri­lhante de mais… Saturno foi a estrela da ses­são: soberbo. Estava muito seme­lhante a esta foto: lindo, apai­xo­nante, sedu­tor, viciante…

Obri­gado ao Prof. Máximo Fer­reira pela paci­ên­cia demons­trada com a minha filha mais nova (7 anos) e pela forma peda­gó­gica com que con­du­ziu a sessão.