Jesus, Séc. XXI

José Luis de Jesus MirandaAjoelhem-se e rezem ou ergam os bra­ços aos céus e gri­tem “Ale­luia”, con­forme pre­fe­ri­rem. O Filho de Deus che­gou! Desta vez não vem para fazer mila­gres ou falar em pará­bo­las; o objec­tivo é edu­car(!) e, no pro­cesso, arre­ca­dar uns milhões, viver bem e gozar a vida (eterna).

José Luis de Jesus Miranda auto intitula-se o ver­da­deiro Jesus, filho de Deus, regres­sado após dois mil anos. Até aqui, pode-se dizer, tudo bem. Em todo o mundo devem ser milha­res os lou­cos ou esqui­zo­fré­ni­cos que, anu­al­mente, ale­gam tama­nha iden­ti­dade. O que já não é muito habi­tual é que milha­res de pes­soas os sigam em diver­sas par­tes do globo.

Mais de 300 con­gre­ga­ções em mais de 20 paí­ses, um canal de saté­lite a trans­mi­tir 24 horas por dia, um pro­grama de rádio e diver­sos sites na inter­net, dizem bem das pro­por­ções da para­nóia à volta da Growing in Grace (Cres­cendo em Graça), nome da sua organização.

Tatuagem 666Homem sufi­ci­en­te­mente iró­nico para não escon­der a sua tatu­a­gem com o número dito da besta, o Zé con­trola todos os aspec­tos da sua orga­ni­za­ção, como bom empre­sá­rio que se preze, e certifica-se que a reco­lha de dádi­vas é exe­cu­tada logo no ini­cio das ceri­mó­nias, onde aceita car­tões de cré­dito, não vá algum dos ado­ra­do­res esquecer-se de levar con­sigo dinheiro vivo.

Sin­ce­ra­mente, tenho alguma difi­cul­dade em cri­ti­car o Zé. Ele até prega que o Diabo, o Inferno e o pecado não exis­tem, as ora­ções são uma perca de tempo e que os 10 Man­da­men­tos são irre­le­van­tes! Posso qualificá-lo como char­la­tão e pouco mais. Já para os seus segui­do­res, encon­tro uma série de adjec­ti­vos para os qualificar.

(Diá­rio Ateísta/Penso, logo, Sou Ateu)

One Nation Under God (1)

A soci­e­dade ame­ri­cana, mer­gu­lhada na sua mul­ti­pli­ci­dade cul­tu­ral, não se con­se­gue livrar do fas­cí­nio pelas mito­lo­gias moder­nas. Recen­te­mente, uma son­da­gem efec­tu­ada pela Gal­lup, uma das mais con­cei­tu­a­das orga­ni­za­ções em ter­mos de estudo da opi­nião pública norte-americana, revela que, em igual­dade de cir­cuns­tân­cias dos can­di­da­tos, o elei­to­rado ame­ri­cano teria como última opção um can­di­dato assu­mi­da­mente ateu!

Devo dizer que con­si­dero este tipo de son­da­gens, por si só, degra­dan­tes. Uma soci­e­dade em que ainda fazem sen­tido este tipo de son­da­gens está, com cer­teza, ainda muito longe de atin­gir o pleno está­gio de soci­e­dade justa e demons­tra uma fixa­ção em valo­res fic­tí­cios de mora­li­dade, no mínimo, doentios.

Não vejo na son­da­gem uma única hipó­tese onde encai­xa­ria uma posi­ção pes­soal. Não me con­sigo ima­gi­nar a limi­tar o meu voto por qual­quer das carac­te­rís­ti­cas a vota­ção. Valo­res como inte­gri­dade, seri­e­dade, capa­ci­dade de lide­rança ou sen­tido de jus­tiça são, assim, arre­mes­sa­dos para fora da dis­cus­são como se de fac­to­res supér­fluos se tratassem!

Já no ano pas­sado, um estudo da Uni­ver­si­dade do Min­ne­sota reve­lava que os ateus seriam o grupo que menos con­fi­ança trans­mi­tia aos norte-americanos, isto ape­sar de repre­sen­ta­rem menos de 3% da população.

Neste estudo, uma vez mais, o fac­tor da mora­li­dade é apon­tado como deci­sivo para estes resul­ta­dos. A ilu­são de que numa soci­e­dade ateísta se assis­ti­ria ao declí­nio da mora­li­dade é vista pelos norte-americanos como um argu­mento válido! Isto só tem jus­ti­fi­ca­ção numa soci­e­dade into­xi­cada cul­tu­ral­mente pela religião.

Podem-se encon­trar razões recen­tes na soci­e­dade norte-americana para esta forte influên­cia reli­gi­osa – os aten­ta­dos do 11 de Setem­bro, o recurso escan­da­loso a Deus nos dis­cur­sos de George W. Bush – mas, na ver­dade, enquanto a tole­rân­cia parece aumen­tar em rela­ção a outras mino­rias, os ateus per­ma­ne­cem lá bem no fundo da lista de preferências.

Natu­ral­mente, as reac­ções come­çam a sur­gir; Sam Har­ris, Richard Daw­kins e Daniel C. Den­nett são ape­nas as faces mais visí­veis do que, espero, virá a ser um forte movi­mento cívico con­tra a fan­ta­sia, a mito­lo­gia, o mis­ti­cismo e a ficção.

(Diá­rio Ateísta/Penso, logo, Sou Ateu)

YouTube censura Ateísmo

Ao que tudo indica, o You­Tube, empresa con­tro­lada pela Goo­gle, tal como a Gmail e o Blog­ger (pen­sa­vam que era só a Micro­soft a ten­tar mono­po­li­zar isto tudo?), come­çou a enve­re­dar por um cami­nho algo estra­nho de censura.

Nick Gis­burne é um ateu que tem uti­li­zado fre­quen­te­mente o You­Tube para divul­ga­ção dos seus vídeos em que pro­move o ateísmo e cri­tica o fenó­meno reli­gi­oso em geral. Nick pro­du­ziu um vídeo com pas­sa­gens do Corão que com­pi­lou a par­tir deste site. As pas­sa­gens em causa expu­nham a vio­lên­cia explí­cita do Corão.

Nick viu o vídeo em causa ser banido e, por último, após várias ten­ta­ti­vas de novo “uplo­ad” do vídeo, aca­bou por ser ele pró­prio sus­penso do You­Tube. Curi­o­sa­mente, durante o pro­cesso, Nick criou um vídeo seme­lhante mas com pas­sa­gens vio­len­tas da Bíblia que foi, tam­bém ele, apagado.

Será este mais um exem­plo de como na soci­e­dade norte-americana o ateísmo se encon­tra na base da cadeia ali­men­tar? Ou estará o You­Tube, agora que é con­tro­lado pela Goo­gle, a ter que se pre­o­cu­par com a pres­são de gru­pos eco­nó­mi­cos influentes?

O que é lamen­tá­vel é o bran­que­a­mento que, ao abrigo da defesa de algu­mas sen­si­bi­li­da­des, se tenta fazer aos aspec­tos mais obs­cu­ros das reli­giões. Será que para a You­Tube é assim tão poli­ti­ca­mente incor­recto ser-se ateu?

É impres­cin­dí­vel estar atento a este tipo de fenó­me­nos pois, se a moda pega, a liber­dade de expres­são será posta em causa não ape­nas nas cari­ca­tu­ras mas no humor em geral.

Está a ser cri­ada uma cam­pa­nha de soli­da­ri­e­dade em todos estes sites de forma a levar este assunto à pri­meira página do motor de busca da Goo­gle. Mais ou menos como guer­ri­lhar nas trin­chei­ras do ini­migo! O Nick explica tudo aqui.

(Diá­rio Ateísta/Penso, logo, Sou Ateu)

Fluxogramas da Fé e Ciência

Via Pharyn­gula

Esque­ma­ti­zar pro­ces­sos é um método vali­oso para a apre­ci­a­ção e vali­da­ção dos mes­mos. Para quem, como eu, tem alguma for­ma­ção em pro­gra­ma­ção (lembram-se do COBOL?), um flu­xo­grama é sem­pre uma fer­ra­menta vali­osa para des­co­brir os pon­tos fra­cos (ou for­tes) de qual­quer processo.

Ao ana­li­sar os flu­xo­gra­mas que se seguem não posso dei­xar de com­pre­en­der por­que é que tanta gente se deixa atrair pela Fé. Repa­rem na sua simplicidade!

Pena que seja a sua única virtude!

Flu­xo­grama da Ciência

Flu­xo­grama da Fé

(Tam­bém no “Diá­rio Ateísta”)

Querido Diário

Diário Ateísta

Estreei-me hoje como cola­bo­ra­dor do Diá­rio Ateísta.

Embora nem sem­pre esti­vesse de acordo com o cami­nho seguido em alguns dos arti­gos ali escri­tos, nunca dei­xei de con­si­de­rar o DA como a refe­rên­cia essen­cial do ateísmo em lín­gua portuguesa.

Espero estar à altura de uma pres­ta­ção que con­tri­bua para um DA dinâ­mico, inci­sivo e plu­ra­lista, con­tri­buindo, assim, para a pro­mo­ção de um mundo menos cin­zento e obce­cado com o misticismo.