IVG — Importa Votar, Gente!

Come­çou ofi­ci­al­mente a cam­pa­nha para o refe­rendo de dia 11 de Feve­reiro. Custa-me a enten­der a repe­ti­ção exaus­tiva das mes­mas razões de sem­pre, quer do lado do “SIM”, quer do lado do “ƒO”. Sobre­tudo quando é evi­dente que, na maior parte dos casos, a argu­men­ta­ção em defesa de qual­quer das posi­ções é base­ada em prin­cí­pios hipó­cri­tas ao ser­viço de inte­res­ses polí­ti­cos, reli­gi­o­sos e até económicos.

Não me parece que hajam mui­tos inde­ci­sos. A maior parte dos elei­to­res já terão acom­pa­nhado todo este pro­cesso em 1998. Tal como a maior parte, já estou satu­rado de tanta argu­men­ta­ção barata, ora recor­rendo, por uns, a slo­gans à la PREC, ou, por outros, a valo­res Estado-Novo.

Parece-me ser mais impor­tante a cam­pa­nha pelo dever cívico. Expli­car aos elei­to­res que não se devem abs­ter e que dia 11 de Feve­reiro a deci­são, seja ela qual for, será, efec­ti­va­mente, resul­tado da von­tade dos por­tu­gue­ses e não ape­nas de alguns. Se a taxa de abs­ten­ção for nova­mente ele­vada terei de rever a minha con­vic­ção de que o futuro pas­sará pelo modelo de demo­cra­cia representativa.

Intelligent Design em Terras de Sua Majestade

The GuardianA his­tó­ria fez com que o Reino Unido e os EUA ficas­sem com mui­tas carac­te­rís­ti­cas comuns; o idi­oma e os sis­te­mas de medi­ção ou, mais recen­te­mente, o dis­pa­rate da inva­são do Ira­que, por exem­plo. Pois fiquem a saber que as seme­lhan­ças não se ficam por aqui.

Segundo a edi­ção online do Guar­dian, os estu­dan­tes ingle­ses pas­sa­rão a dis­cu­tir, incluído no seu pro­grama, o cri­a­ci­o­nismo e a já len­dá­ria teo­ria do Intel­li­gent Design (recuso-me a tra­du­zir a expres­são para não con­tri­buir para a pro­li­fe­ra­ção da ideia nos paí­ses lusófonos).

Jedi ChurchSegundo a mesma notí­cia, esta nova lei tem como objec­tivo que os alu­nos deba­tam o rela­ci­o­na­mento entre reli­gião e ciên­cia. Isto, à pri­ori, pode pare­cer muito inte­res­sante. Mas, pergunta-se: por­que não incluir, por exem­plo, a astro­lo­gia? Ou a car­to­man­cia? E, já agora — por­que não — a reli­gião Jedi?

Esta ânsia oci­den­tal em colo­car ciên­cia e reli­gião ao mesmo nível é um per­feito dis­pa­rate! Torna-se ainda mais peri­goso quando se con­fun­dem as coi­sas e se começa a dis­far­çar pre­ga­ção com debate. Sim, por­que ao nível do ensino secun­dá­rio falar em cri­a­ci­o­nismo ao mesmo tempo que se fala da cri­a­ção do uni­verso ou das ori­gens da Vida e do Homem não pode ter boas intenções.

Não há argu­mento, dis­cus­são, debate ou refle­xão que o justifique.

John Lennon Forum — A Lennon Inspired Community

Con­forme tinha anun­ci­ado, decidi encer­rar o John Len­non Forum, refe­rên­cia na web entre a comu­ni­dade bea­tle­ma­níaca como “o fórum” de John Lennon.

É ver­dade que já espe­rava algu­mas reac­ções dos mem­bros mais acti­vos da comu­ni­dade de uti­li­za­do­res. Não espe­rava era que fos­sem assim! Não me res­tou outra hipó­tese… Tive que rever a minha deci­são e apre­sen­tei esta pro­posta que está a ser bem aceite pelos membros.

Tenho estado a tra­ba­lhar no novo site, daí a minha ausên­cia daqui. A coisa está bem enca­mi­nhada e cli­cando na foto podem ver melhor o aspecto que o novo site terá. Mais uns dias e vol­tará tudo ao normal.

Anormalidade de Expressão

Ainda me recordo dos pré­dios de Lis­boa cons­tan­te­mente “for­ra­dos” pelos car­ta­zes de par­ti­dos polí­ti­cos, movi­men­tos cívi­cos, sin­di­ca­tos e anún­cios de greve. Eram os anos do pós 25 de Abril. Aos car­ta­zes juntavam-se as fra­ses, ora revo­lu­ci­o­ná­rias, ora reac­ci­o­ná­rias, pin­ta­das nas mes­mas facha­das. Houve, pelo iní­cio dos anos 80, uma cam­pa­nha qual­quer pela parte da CML que pre­ten­dia sen­si­bi­li­zar os pro­pa­gan­dis­tas a uti­li­za­rem os locais apro­pri­a­dos para a colo­ca­ção de car­ta­zes. Deu tra­ba­lho mas conseguiu-se que a cidade ficasse mais bonita ou, se pre­fe­ri­rem, com um aspecto mais lavadinho.

Pas­sa­dos alguns anos, deparamo-nos com uma cidade repleta de gra­fit­tis, de men­sa­gens fazias, que fun­ci­o­nam, mais ou menos, como as miji­nhas dos cães ao virar ao esquina. Veja-se o exem­plo do Bairro Alto. Mesmo os pré­dios que são res­tau­ra­dos são rapi­da­mente alvo do van­da­lismo dos gangs folei­ros ainda antes de reti­ra­rem os andaimes.

Liber­dade de expres­são? Não. Falta de res­peito pelo espaço público e pela pro­pri­e­dade pri­vada, é o que é.

Ameaças Carnavalescas

Fui ame­a­çado pela minha mulher de que este ano irá comprar-me uma más­cara de Car­na­val. Motivo da mas­cara: Ves­tes do Papa! ´Tou lixado!

Se conduzir… compre o álcool numa estação de serviço

Nunca tinha repa­rado! Qual não foi o meu espanto ao entrar hoje na esta­ção da BP na Av. Índia para pagar o rea­bas­te­ci­mento que aca­bara de fazer quando vi a exce­lente gar­ra­feira exposta estra­te­gi­ca­mente atrás do ope­ra­dor de caixa: whis­kies, vod­kas, lico­res, por aí fora… Ao olhar à volta, lá esta­vam, tam­bém, uma vari­e­dade con­si­de­rá­vel de cervejas!

Álcool? À venda numa esta­ção de ser­viço? You gotta be kidding…

A ICAR e os Referendos

Com­pre­endo por que é que algu­mas das cam­pa­nhas que reflec­tem a posi­ção da ICAR — e que por ela são influ­en­ci­a­das — em rela­ção ao refe­rendo do pró­ximo dia 11 de Feve­reiro pare­cem tão desesperadas.

Afi­nal, no único refe­rendo regis­tado há 2000 anos o ven­ce­dor foi Barrabás!

Os Feriados Nacionais

Há quem pense que as únicas coi­sas boas que Por­tu­gal ainda retém da sua influên­cia cristã são os imen­sos feri­a­dos que con­so­lam o apu­rado espí­rito calão da alma lusa.
Caso não tenham repa­rado, aqui fica a lista com­pleta de feri­a­dos naci­o­nais para 2007:

Dia Mês Dia da semana Feri­ado
1 Janeiro Segunda-feira Ano Novo
20 Feve­reiro Terça-feira Car­na­val
6 Abril Sexta-feira Sexta-feira Santa
8 Abril Domingo Pás­coa
25 Abril Quarta-feira Dia da Liberdade
1 Maio Terça-feira Dia do Trabalhador
7 Junho Quinta-feira Corpo de Deus
10 Junho Domingo Dia de Portugal
15 Agosto Quarta-feira Assun­ção de Nossa Senhora
5 Outu­bro Sexta-feira Implan­ta­ção da República
1 Novem­bro Quinta-feira Todos os Santos
1 Dezem­bro Sábado Res­tau­ra­ção da Independência
8 Dezem­bro Sábado Ima­cu­lada Conceição
25 Dezem­bro Terça-feira Natal

A negrito estão os feri­a­dos reli­gi­o­sos. São 7! Se tiver­mos em conta que os feri­a­dos muni­ci­pais estão, geral­mente, asso­ci­a­dos ao um qual­quer santo padro­eiro, facil­mente cons­ta­ta­mos que qual­quer por­tu­guês goza de 8 feri­a­dos por ano por moti­vos religiosos!

Isto diz muito sobre diver­sas maté­rias: a efec­tiva lai­ci­dade do Estado, o res­peito por outras cren­ças, o res­peito pela ausên­cia de cren­ças, a hipo­cri­sia quando se fala de pro­du­ti­vi­dade e por aí fora.

Vamos fazer con­tas (para as nos­sas con­tas vamos menos­pre­zar o facto de alguns feri­a­dos pode­rem calhar ao fim-de-semana; em com­pen­sa­ção, vamos igno­rar as pon­tes ofe­re­ci­das pelo Estado):
Em núme­ros redon­dos, o ano tem 52 sema­nas. Cada semana tem 5 dias úteis. 5 vezes 52 são 260. Obte­mos, por­tanto, 3.08% de dias em que não se faz nada por moti­vos reli­gi­o­sos! Está des­ven­dada a ori­gem do défice.

Uma decisão difícil

Em Agosto de 2003 criei o John Len­non Forum. A ideia era criar um espaço onde os fãs de John Len­non e dos Bea­tles por esse mundo fora pudes­sem dis­cu­tir entre si os tópi­cos que esti­ve­ram pre­sen­tes ao longo da car­reira de John Len­non, tanto nos Bea­tles como a solo.

Os 2 pri­mei­ros anos foram de uma acti­vi­dade espec­ta­cu­lar; con­se­gui que o fórum cati­vasse mem­bros de todo o mundo e promoveram-se dis­cus­sões inte­res­san­tís­si­mas sobre diver­sos temas.

De há 1 ano a esta parte as coi­sas arre­fe­ce­ram por diver­sos moti­vos. Últi­ma­mente, o spam assi­nou a sen­tença final do fórum. Hoje comu­ni­quei aos mem­bros que encer­ra­rei o fórum.

É um dia triste!

Blowind in the Wind, Live Aid, 1985

Recordo-me de ver estas ima­gens em directo. Recordo-me de, logo na altura, ter ficado com a sen­sa­ção que esta ter­rí­vel per­for­mance iria ficar não ape­nas na his­tó­ria do Live Aid mas na his­tó­ria da música ao vivo. É que é difí­cil ser tudo tão mau e tão pouco pro­fis­si­o­nal. Dylan com uma pedrada des­co­mu­nal, Ron Wood com­ple­ta­mente “aos papéis” durante todo o tema e Keith Richards, pro­va­vel­mente, a pen­sar que deviam ter tocado antes o “Jum­ping Jack Flash”!

Isto é tão mau que se torna ines­que­cí­vel… e maravilhoso!