A fé, a razão e os agnósticos

Tenho esta ideia que a grande mai­o­ria dos cren­tes, de qual­quer reli­gião, nunca se dedi­ca­ram seri­a­mente a pen­sar nas razões das suas cren­ças, da sua reli­gi­o­si­dade. Have­rão, obvi­a­mente, excep­ções, mas o grosso da coluna é, cer­ta­mente, com­posto por pes­soas que são — ou se dizem ser — de uma deter­mi­nada reli­gião devido ao pro­cesso de endo­cul­tu­ra­ção reli­gi­oso, isto é, seguem as tra­di­ções fami­li­a­res ou dos gru­pos soci­ais em que estão inse­ri­dos e que foram assi­mi­lando ao longo dos anos.
Os que se dedi­cam a pen­sar seri­a­mente sobre estes assun­tos podem seguir duas abor­da­gens: a fé ou a razão. E, note-se, estes cami­nhos pode­rão não ser auto exclu­si­vos (embora isso me custe muito a enten­der), podendo as res­pos­tas a todas as per­gun­tas serem pro­cu­ra­das atra­vés de ambos.

Os que pro­cu­ram as res­pos­tas ape­nas na fé transformam-se, nos casos mais extre­mos, em bea­tos ou em indi­ví­duos que encon­tram o sen­tido da vida numa qual­quer res­posta car­re­gada de ima­gens mito­ló­gi­cas, des­pre­zando a lógica e a ciên­cia. Os que seguem ambas as abor­da­gens, encon­tram na fé as res­pos­tas que a ciên­cia ainda não pode dar e algum con­forto espi­ri­tual de que pode­rão neces­si­tar. Por outro lado, encon­tram na ciên­cia a jus­ti­fi­ca­ção para poder igno­rar algu­mas regras incon­ve­ni­en­tes dos sis­te­mas orga­ni­za­dos da sua crença — reli­gião — e a ilu­são de que, ape­sar de tudo, con­se­guem ser raci­o­nais e admi­tir incon­gruên­cias nas mito­lo­gias modernas.

Final­mente, os que seguem a razão transformam-se em ateus ou, na pior das hipó­te­ses, em agnós­ti­cos. E digo na pior das hipó­te­ses por­que, ao con­trá­rio do que o lugar comum pre­tende fazer crer, os agnós­ti­cos estão equi­dis­tan­tes dos ateus e dos cren­tes. Não acre­di­tar que não se possa pro­var a exis­tên­cia ou ine­xis­tên­cia de um ou mais deu­ses é uma pos­tura des­pro­vida de lógica. Os agnós­ti­cos, ao assu­mi­rem tal posi­ção, estão a dar cre­di­bi­li­dade aos cren­tes na ques­tão do ónus da prova quando esse é um prin­ci­pio per­fei­ta­mente absurdo. Jamais o conhe­ci­mento será obtido pela prova da nega­ção. Não com­pete a nin­guém pro­var a ine­xis­tên­cia seja do que for. É quem acre­dita na exis­tên­cia de algo que terá que o pro­var. Os agnós­ti­cos ao não segui­rem este cri­té­rio estão, tam­bém eles, a assu­mir uma posi­ção muito pouco racional.

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79 Responses to A fé, a razão e os agnósticos

  1. João Ribeiro

    E pre­fere atribuir-lhe essa carac­te­rís­tica mesmo que vá con­tra a evi­dên­cia cien­tí­fica e filosófica?

  2. João, e temos alguma evi­dên­cia cien­ti­fica ou filo­só­fica de que deus exista e supondo que sim, que é eterno? Já a ciên­cia ou a filo­so­fia decla­ra­ram ine­qui­vo­ca­mente que o uni­verso foi cri­ado? Calro que não, são ques­tões ainda em aberto, para as quais ainda não temos res­posta, mas não quer dizer que não venha­mos a ter daqui a algum tempo.

    No fundo o que o João acre­dita é no deus das lacu­nas: para aquilo que não temos expli­ca­ção encai­xa­mos deus. Ora isto é pro­fun­da­mente errado. Filo­so­fi­ca­mente estou-me nas tin­tas que exista ou não, mas mesmo que exista acho que pode­mos pas­sar muito bem sem ele. O que já me inco­moda é a quan­ti­dade de cri­mes que são come­ti­dos em nome de algo que nem sequer temos a cer­teza que exista ou não, ima­gine o que seria se vies­se­mos a des­co­brir que de facto existe…

  3. João Ribeiro

    Xiqui­nho, não há evi­dên­cia cien­tí­fica por­que acho que nem é do campo da ciên­cia con­cluir se há Deus ou não. Cada um pode inter­pre­tar as res­pos­tas da ciên­cia como qui­ser… Quanto à filo­so­fia, há vários argu­men­tos, alguns dos quais eu já apon­tei que me pare­cem ser con­vin­cen­tes.
    Claro que não há unâ­ni­mi­dad quanto à ori­gem do Uni­verso, e duvido que venha a haver.. A minha posi­ção é base­ada no conhe­ci­mento actual (e não desconhecimento/lacunas) e no que é mai­o­ri­ta­ri­a­mente aceite na comu­ni­dade cien­tí­fica, outros há que estão à espera que a ciên­cia mude algu­mas das teo­rias por­que lhes é incon­ve­ni­ente para as suas cren­ças ou des­cren­ças. Se eu esti­ver errado paci­ên­cia, mais um erro entres os mui­tos na minha vida. Eu digo que Deus é eterno por­que me parece lógico (óbvio), que tem de haver algo eterno.. algo que tenha sem­pre exis­tido. Se não for o Uni­verso penso que Deus é melhor res­posta do que o Nada.

    O que já me inco­moda é a quan­ti­dade de cri­mes que são come­ti­dos em nome de algo que nem sequer temos a cer­teza que exista ou não”

    Pode ter a cer­teza que tam­bém me inco­moda a mim..

    Cum­pri­men­tos, João.

  4. João, tenho andado a ler uma inte­res­sante edi­ção do Cir­culo de Lei­to­res: A ver­da­deira his­tó­ria de Jesus, de EP San­ders. Ape­sar de ainda ir a meio, creio já ter che­gado a uma con­clu­são: mal pode­mos ter cer­te­zas do que se pas­sou há 2 mil anos, quanto mais há 14 biliões…

    Isto para lhe dizer que acho que é pre­ciso uma grande dose de fé para acre­di­tar que houve um big bang e que na noite ante­rior estava lá deus. é que mesmo a ter havido (Big Bang) não vejo como isso possa impli­car a exis­tên­cia de deus.

    Eu digo que Deus é eterno por­que me parece lógico (óbvio), que tem de haver algo eterno.”

    Repare que algu­mas outras teo­rias defen­dem que este uni­verso possa ser resul­tado do colapso de outro (Big Bang/Big Crunch), logo pode­mos ter um modelo onde um multi-universo eterno e um apa­rente big bang sejam compativeis.

    Obvi­a­mente que os meus conhe­ci­men­tos cos­mo­lo­gi­cos nem sequer me per­mi­tem estar a dis­cu­tir estes assun­tos, mas a acei­tar o mito do Big Bang tra­di­ci­o­nal (que para os lei­to­res mais dis­trai­dos, relem­bro que foi pro­posto por uma padre cató­lico) teri­a­mos de acei­tar que o tempo tb foi cri­ado o que é mani­fes­ta­mente irra­ci­o­nal. Penso que esta­mos os dois de acordo em acei­tar que o tempo é eterno, ora se já havia tempo antes do suposto big bang, é per­fei­ta­mente pro­va­vel que tb já exis­tisse uni­verso antes dele, tal­vez nou­tra forma que não cor­res­ponda à actual… Mas acha acei­tá­vel cha­mar a isto deus?

    Reno­vado cum­pri­men­tos do xiquinho

  5. Caro João, por razões várias não tive tempo para colo­car aqui uma res­posta que, obvi­a­mente era mere­cida. No entanto, o Xiqui­nho, por ante­ci­pa­ção, espe­lhou aqui uma res­posta plau­sí­vel.
    Sem que­rer entrar pelo campo do ónus da prova (seja ela cien­tí­fica ou filo­só­fica), achei inte­res­sante um excerto do seu pró­prio comen­tá­rio:
    “Eu digo que Deus é eterno por­que me parece lógico (óbvio), que tem de haver algo eterno.. algo que tenha sem­pre exis­tido. Se não for o Uni­verso penso que Deus é melhor res­posta do que o Nada“
    Parece-me, sem gran­des expli­ca­ções, que o João con­si­dera como sub­si­diá­ria a exis­tên­cia de Deus. E isto por­que afirma que a exis­tir algo eterno, e somente se esse algo não for o Uni­verso, então terá que ser deus…Não estará o João aqui a con­fun­dir a lógica com as suas con­vic­ções pes­so­ais?
    O facto de se pro­du­zir uma afir­ma­ção e adi­an­tar que pensa ser essa a melhor somente por­que lhe parece a mais lógica não quer dizer neces­sa­ri­a­mente que seja ela a que obe­dece à pró­pria mate­má­tica e fun­ci­o­na­mento da lógica. O que eu quero dizer é que o João estará a pre­su­mir, salvo melhor opi­nião, que deus existe e que é eterno (mas somente se não for o Uni­verso a ser eterno). Ora, as pre­sun­ções traduzem-se na ila­ções que as pes­soas tiram de fac­tos conhe­ci­dos para afir­mar a exis­tên­cia de fac­tos conhe­ci­dos. No entanto, essa regra (muito asso­ci­ada à ques­tão do ónus da prova) é, não raras vezes, fala­ci­osa. Por isso mesmo é que exis­tem as pre­sun­ções ili­dí­veis, isto é, aque­las que, atra­vés de prova do con­trá­rio, se afas­tam. Penso, porém, que esse é o argu­mento dos cren­tes: afir­mam (por­que pre­su­mem) a exis­tên­cia de uma divin­dade, e trans­fe­rem o ónus da prova (uma vez que essa pre­sun­ção só será afas­tada se alguém pro­var o con­trá­rio) para os não cren­tes.
    Ora isso é o que eu con­si­dero uma “fraude” ao raci­o­cí­nio lógico e ao regime da prova. Isto por­que de acordo com as regras da prova, quem tem a afir­ma­ção pri­mor­dial numa dis­cus­são ou argu­men­ta­ção é que tem que a pro­var.
    Ora, fazê-lo é o que se chama no campo do Direito (que bebeu rigo­ro­sa­mente dos ensi­na­men­tos basi­la­res e essen­ci­ais da lógica) de erro nos pres­su­pos­tos de facto…

    Abraço

  6. Tenho aqui uma cor­rec­ção a fazer no meu comen­tá­rio ante­rior: as pre­sun­ções traduzem-se nas ila­ções que as pes­soas tiram de fac­tos conhe­ci­dos para afir­mar fac­tos des­co­nhe­ci­dos. Perdoem-me o lapso.

  7. João Ribeiro

    Olá outra vez… Xiqui­nho:
    Exis­tem mais de 40 teo­rias “cien­tí­fi­cas” sobre o iní­cio do Uni­verso, que têm tan­tas pro­vas dadas como a bíblia…

    A teo­ria do Big Bang tra­di­ci­o­nal é aceite por mui­tos cien­tis­tas sendo que a mai­o­ria deles são ateus.

    O que eu que­ria dizer é que tem de haver algo que tenha sem­pre exis­tido. Não neces­sa­ri­a­mente o tempo…porque se o tempo sem­pre exis­tiu temos infi­ni­tos anos atrás de nós, e isso é um ver­da­deiro pro­blema. Stephen Haw­king disse que o tempo e espaço tive­ram ambos um início.

  8. João Ribeiro

    Manel, eu não empur­rei o onus da prova para os ateus, embora mui­tos cren­tes o façam. Eu não quis dizer que vocês têm de pro­var que o Uni­verso é eterno para pro­var que Deus não existe..
    Um ateus pode sem­pre dizer que o Uni­verso veio do nada… de um modo ou dou­tro é sem­pre milagre.

    Eu disse tam­bém que é lógico que algo tem de ser eterno, e não que é lógico que Deus existe.. O que é certo é que o Uni­verso ser eterno viola leis da ter­mo­di­nâ­mica, nome­a­da­mente se o Uni­verso é eterno devia ten­der para uma entro­pia (desor­dem) infi­nita. E o pró­prio decai­mento de pro­tões demons­tra que a maté­ria não é infi­nita. Este decai­mento demora uma car­rada de tempo mas não é infinito..

    E se a maté­ria não é infi­nita.. o algo que sem­pre exis­tiu tem de ser imaterial..

    Mas eu admito que se o Universo/ mul­ti­verso (tanto faz) for real­mente for eterno, não pre­ci­sa­mos de Deus… e você admite que se este for finito se calhar pre­ci­sa­mos mesmo de Deus?

  9. A única coisa que eu aqui pre­tendo demons­trar é que atri­buir a deus a cri­a­ção de algo para o qual não temos ainda res­posta é uma ati­tude incor­recta. Por inér­cia, tal ape­nas nos pode a con­du­zir ao obs­cu­ran­tismo e à supers­ti­ção de que fomen­tam e se ali­men­tam os para­si­tas de deus. Quero com isto dizer que estou dis­posto a acei­tar que “foi deus” desde que mo pos­sam com­pro­var, caso con­trá­rio acho que nem se devia por essa hipótese.

    Repare que as pes­soas que acre­di­tam que o uni­verso não é eterno, ape­sar de algu­mas evi­dên­cias em con­trá­rio, são as mes­mas que acre­di­tam que tem 6 mil anos, ape­sar de todas as evi­deên­cias em contrário.

    por­que se o tempo sem­pre exis­tiu temos infi­ni­tos anos atrás de nós, e isso é um ver­da­deiro pro­blema” Porquê? Ape­nas por que assim o pare­cem demons­trar os tra­ba­lhos de Eins­tein e Haw­kings? Mas ape­sar de popu­la­res, não sig­ni­fica que eles sejam quem tem a pala­vra defi­ti­niva e correcta…

    Gabri­ele Vene­zi­ano propõe-nos uma teo­ria bem inte­res­sante em:
    http://www.sciam.com/article.cfm?id=00042F0D-1A0E-1085-94F483414B7F0000
    Reco­mendo a sua lei­tura, pois mostra-nos como pude­mos teo­ri­zar um tempo infi­nito em con­jun­ção com um big bang dei­xando de fora a variá­vel deus.

    Repare que os estu­dos Haw­kings conduzem-nos a um ponto onde somos for­ça­dos a admi­tir a exis­tên­cia de um tempo ima­gi­ná­rio, ou seja, daqui a um deus tb ima­gi­ná­rio vai um passinho…

    O que é certo é que o Uni­verso ser eterno viola leis da ter­mo­di­nâ­mica“
    Para isso temos de assu­mir que é de facto um sis­tema fechado e finito… Alguma evi­dên­cia de que assim seja?

  10. João Ribeiro

    Xiqui­nho, mas acre­di­tar num deus não sig­ni­fica que tenhas de ces­sar a curi­o­si­dade e a investigação..Tens exem­plos de imen­sos reli­gi­o­sos cien­tis­tas que con­tri­bui­ram e muito para o avanço cien­tí­fico. No campo da cos­mo­lo­gia tens New­ton e Kepler por exemplo..

    Como é que o tempo pode ter exis­tido sem­pre? Como é que pode­mos ter infi­ni­tos anos atrás de nós? Isso para mim não faz muito sen­tido. Ima­gine que eu lhe digo neste momento, que daqui a infi­ni­tos anos vou criar um Uni­verso. Esse Uni­verso che­ga­ria a exis­tir? Não… Por­que é impos­sí­vel per­cor­rer infi­nito tempo.
    Há vários argu­men­tos físi­cos tam­bém, que toda a ener­gia útil do Uni­verso já esta­ria usada, e que por­tanto todo o mate­rial do Uni­verso já esta­ria “degra­dado”, por exem­plo o hidro­gé­nio já nem exis­ti­ria. É tam­bém um bocado difí­cil de con­ce­ber intui­ti­va­mente mate­ri­ais com dura­ção infinita..

    Há vários cien­tis­tas (a mai­o­ria), que acei­tam o Big Bang como iní­cio do tempo e do espaço, e con­si­de­ram ter a res­posta defi­ni­tiva para o iní­cio do Uni­verso. É claro que eles con­ti­nuam a estu­dar o fenó­meno do Big Bang para ten­ta­rem apren­der mais, mas eles não dei­xam de o mesmo con­si­de­rar um facto. Tem o mesmo exem­plo com a teo­ria da evo­lu­ção, con­ti­nua a ser estu­dada, pois ainda há várias coi­sas para com­pre­en­der, mas não deixa de ser um facto cien­tí­fico quer se goste ou não.

    Para efei­tos prá­ti­cos o Uni­verso é um sis­tema fechado. Mesmo no modelo dos Mul­ti­ver­sos, se o nosso Uni­verso é parte de um Uni­verso maior, pode con­si­de­rar este Uni­verso maior como fechado e por­tanto apli­car as leis da ter­mo­di­nâ­mica à mesma..

  11. João Ribeiro

    Des­culpe o tra­tar por tu.…que aca­bei por não cor­ri­gir nas pri­mei­ras frases.

  12. João, não tens que pedir des­culpa pelo tu, por mim podes tra­tar como der mais jeito… Se não fosse o reparo, nem repa­rava… Já segue res­posta, estou a divi­dir por par­tes. Um abraço

  13. Leia sobre AGNOSTICISMO NATURISTA em filos­do­fia, no site http://www.pampulha.elias.nom.br

  14. João Ribeiro

    Bem, por moti­vos pro­fis­si­o­nais não vou poder dedi­car tanta aten­ção ao blog a par­tir de agora. Quero só dizer ao Hél­der
    que gos­tei muito dos deba­tes que aqui tra­vei, onde sem­pre fui bem tra­tado, mesmo tendo uma posi­ção con­trá­ria à da mai­o­ria dos mem­bros, e agradeço-lhe por isso. Penso que demos todos aqui um belo exem­plo como “dis­cu­tir Deus” de forma séria e educada.

    Um abraço ao Hél­der , a todos os que se deba­te­ram comigo Xiqui­nho, João etc… e aos res­tan­tes membros.

    Feli­ci­da­des e um óptimo Natal!

  15. Helder Sanches

    João Ribeiro,

    Tenho pena dessa ausên­cia anun­ci­ada. Fico a aguar­dar o regresso para breve. Será um bom motivo para fes­te­jar­mos e esses são sem­pre bem vin­dos. :)

    Até breve e sucesso nes­ses “moti­vos profissionais”.

  16. Caro Hel­der Sanches,

    Depois de “passear” pelo seu blo­gue veri­fi­quei o seguinte:

    Parece-me que a ques­tão gira em torno do res­peito das pes­soas que acre­di­tam em algo supe­rior. Eu não acre­dito em deus, mas tam­bém não vou pre­gar aos outros a minha falta de crença. Tornarnos-iamos tão fun­da­men­ta­lis­tas como mui­tos dos que defen­dem uni­ca­mente a exis­tên­cia de um deus ou deu­ses. O livro do Richard Daw­kins é sem dúvida alguma uma refle­xão inte­res­sante para aque­les que têm dúvi­das. Mas, acima de tudo, o cisma da ques­tão reside nas ins­ti­tui­ções e nos ele­men­tos que com­põem quer a Igreja Cató­lica, Evan­gé­lica, Muçul­mana, etc; que arro­gam ter um poder moral e de sapi­ên­cia supe­rior aos demais, cri­ando peque­nas e gran­des fac­ções ditatoriais.

    Cum­pri­men­tos.

  17. Não com­pete a nin­guém pro­var a ine­xis­tên­cia seja do que for. É quem acre­dita na exis­tên­cia de algo que terá que pro­var. Os agnós­ti­cos ao não segui­rem este cri­té­rio estão, tam­bém eles, a assu­mir uma posi­ção muito pouco racional.”

    Em lógica, se uma tese A é falsa, então a tese (não A) é ver­da­deira. Quando o senhor afirma que nem os agnós­ti­cos, nem nin­guém devem pro­var a ine­xis­tên­cia de algo, por­que “isto é irra­ci­o­nal”, o senhor em ver­dade está des­men­tindo um dos con­cei­tos básico de lógica. Por­tanto, segundo o senhor, pode ser ver­dade que A == (não A).

    Jamais o conhe­ci­mento será obtido pela prova da nega­ção“
    Há sécu­los que lógi­cos e mate­má­ti­cos usar o meca­nismo conhe­cido como reduc­tio ad absur­dum ou redu­ção ao absurdo ou prova por con­tra­di­ção. Isto é usado quando é difí­cil pro­var que uma tese A é ver­da­deira. Então tenta-se pro­var que a tese (não A) é ver­da­deira. Se por acaso chegar-se à con­clu­são de que a tese (não A) é falsa, ou em outras pala­vras: um absurdo; por con­se­guinte conclui-se que a tese A é verdadeira.

    Quando agnós­ti­cos dizem que não con­se­guem pro­var a exis­tên­cia ou ine­xis­tên­cia de Deus, eles sim­ples­mente dizem que eles não con­se­guem che­gar à uma con­clu­são, nem pela reso­lu­ção direta da equa­ção, nem pela reso­lu­ção da sua negativa.

    Ao escre­ver que o conhe­ci­mento de Deus ou do quer que seja é impos­sí­vel de obter atra­vés da prova da sua nega­ção o senhor come­teu um erro crasso de lógica e foi bas­tante irracional.

  18. Miguel Pereira

    Neste belo pla­neta que é nosso e é unico no uni­verso dis­po­mos de todas as res­pos­tas para as vos­sas duvi­das e para as vos­sas cer­te­zas…
    Teo­ria da evo­lu­ção das espé­cies?? con­tra­ria todas as leis e não tem lógica… A teo­ria cri­a­ci­o­nista é muito mais válida, e quem o prova é a cien­cia… sim, por­que a cien­cia não pode ser de forma alguma des­pre­zada… e não como mui­tos pseudo-filosofos que tanto falam em cien­cia e dela não enten­dem rigo­ro­sa­mente nada…

  19. Isto das gan­zas é o que dá! Nunca se sabe a dis­tin­ção entre o estado deli­rante e a realidade…

  20. Eis a minha modesta opinião:

    Cada um deve acre­di­tar no que qui­ser, o que não é admis­sí­vel é impor­tu­na­rem os demais com as suas cren­ças. E quando digo impor­tu­na­rem, estou a referir-me a anda­rem a bater à porta das pes­soas, a entu­pi­rem as ruas de pro­cis­sões e a pre­ga­rem as suas cren­ças a cri­an­ci­nhas nas esco­las como se estas fos­sem um dado comprovado.

  21. João Ribeiro

    Caro Hel­der, estou de volta! Já estava com sau­da­des disto, vou come­çar a pos­tar tam­bém no por­tal ateu ;) .

    Abraço

  22. Israel Rolim

    Tu rou­baste.
    * Tenho que apre­sen­tar pro­vas pra fazer valer tal afirmação.

    Tu não rou­baste.
    *Como posso te defen­der “sem pro­vas” se outros te acusam?

    Hel­der.
    Você é um tanto “par­cial” e anti-perspectivista. :-)

  23. Haddammann

    Algo aqui …
    Até agora dis­cus­sões e mais dis­cus­sões …
    Niti­da­mente a ques­tão é:
    Fé é uma infe­rên­cia.
    Você pode infe­rir qual­quer coisa; por exem­plo; que a Terra é qua­drada.
    No momento em que você prega isso na cabeça de alguém, e é aceito, é CRENÇA.
    Não inte­ressa o que seja. Doi­deira, malu­quice, seja lá o que for.
    Se for imposto é RELIGIÃO.
    Agora. Pra uma infe­rên­cia pas­sar a ape­nas uma sim­ples pre­missa, aí exige algo mais até que raci­o­cí­nio (pois este é ine­rente à con­jun­tura da forma de qual­quer ser vivo), exige REFLEXÃO. Efe­ti­var esse fenô­meno psi­co­ló­gico (a Refle­xão) implica o aporte de CONSCIÊNCIA, que é uma expe­ri­ên­cia com­pro­vada pelo saber humano; exem­plo: Aqui tenho uma maçâ e uma banana, jun­tas tenho uma adi­ção de duas fru­tas. Outro exem­plo: Aqui tenho duas maçãs, jun­tando as duas tenho uma mul­ti­pli­ca­ção de duas fru­tas. Essa sim­pli­ci­dade aqui vai parar lá na Física Nuclear (e são con­cei­tos rou­ba­dos, pla­gi­a­dos, boi­co­ta­dos, desde 1985), onde a Lógica Espa­cial (Aí cana­lhas man­dan­tes reli­gi­o­sos e aman­co­mu­na­dos de asse­clas, ESTOU VIVO) epis­te­mo­lo­gi­ca­mente nomeia as impor­tân­cias míni­mas e pri­me­vas, que fazem ações por indu­ções (atra­ção, expul­são e tole­rân­cia) entre si, de pontos-onda-não-mistos.
    Muito bem. Como decla­rar tais coi­sas, se den­tro dos con­luios dos cana­lhas que nos enga­nam à milê­nios, dis­tor­cem tudo com sofis­mas, e não é dei­xado ver ABSOLUTAMENTE NADA que a Refle­xão Humana pro­duz? Num bairro, numa cidade inteira, gente pode ter esfre­gado na cara o pro­duto de uma refle­xão e sim­ples­mente nenhum, por tal domí­nio psi­co­ló­gico a que está sub­me­tido, é capaz de sequer notar, muito menos de ver. É isso que mui­tas vezes o estu­di­oso, o ser humano que dedica-se a uma inves­ti­ga­ção idô­nea, sin­cera, fazendo jus ao que é como ser vivo num con­texto pri­vi­le­gi­ado na evo­lu­ção, sente des­gosto pelo que “esper­tos’ fazem com a pró­pria espé­cie. Mas uns não estão dis­pos­tos a se des­gas­tar em tris­teza, e par­tem para o embate neces­sá­rio para fazer valer os valo­res, e con­cei­tos legí­ti­mos da vida, que a Natu­reza o outor­gou a defen­der pelo porte da consciência.

  24. Haddammann

    JESUS reina no inferno … Lans hou­ses entu­pi­das de guri­zins e guri­zi­nhas só jogando matança (gri­tando com jogo que jorra san­gue); pas­to­res e padres vão ao céu com tanta ale­gria e dinheiro. O Mucêgo-Mor vici­ado em rou­bar e men­tir JOGA DESCARADAMENTE dis­si­mu­la­ção sobre um povo aco­var­dado e frouxo; for­çado psi­co­lo­gi­ca­mente a ser babá de cachorro e empor­ca­lhar as cida­des. INTENTA-SE CRIAR O SOCIALISMO PULHÍTICO CATÃLICO PROTESTANTE BANCÁRIO. Investe-se for­te­mente para VIGIAR E CALAR A INTERNET. ASSASSINATO PROPOSITAL DE JOVENS E VIOLÊNCIA CONTRA A INFÃNCIA ser­vem pra for­jar o engen­dra­mento de vigia sobre cada pes­soa na Soci­e­dade. É a Des­graça com­pleta ESPALHANDO NOJO sobre o Brio das Nações. Ver­go­nha, entra­mos no mais fundo esgôto civil.
    Dois casos além do esta­pa­fúr­dio e esdrú­xulo caso da exco­mu­nhão de médi­cos e mãe por motivo de aborto no caso da cri­ança estru­pada aos nove anos.
    Em Bra­sí­lia garo­tos de rua indi­ca­ram uma entrada na cate­dral onde eram “esco­lhi­dos” para diver­são, e ins­truí­dos para que ‘domi­nas­sem’ outros cri­an­ças de rua.
    Em Tau­baté um garoto, de madru­gada, com fome, frio, não vol­tava pra casa toda vez que sua mãe era visi­tada pelo ‘pas­tor’ para ‘orá-la’ e ‘abençoá-la’, o que acon­te­cia coin­ci­den­te­mente quando seu pai se embe­be­dava e ficava tam­bém pela rua. Nota: O garoto era inte­li­gente, e de muito boa apa­rên­cia.
    Tal­vez esse ele­mento ‘divino’ acon­se­lhava a mãe do garoto a fazer uma limo­nada como outros fazem quando há sepa­ra­ção, oferecendo-se como ado­çan­tes. É algo como a ‘boa salada’ que nos foi colo­cada no escra­chado con­luio teo-pulhítico que apo­drece a nação bra­si­leira.
    As tra­mas são tão já des­ca­ra­das que qual­quer um pode notar: O estu­pro duma cri­ança raquí­tica é coisa amena, o pre­sí­di­o­ente apa­rece na mídia como sal­va­dor com tanto podrer quanto os sídi­ous nazis­tas cren­tó­li­cos.
    Já não há mais como espe­rar. O Desen­lace é irre­ver­sí­vel e iminente.

  25. eu sou agnos­tica …e digo que é a melhor esco­lha …pois como pode afir­mar que deus ou outros seres para­nor­mais exis­tem sem os ter visto? e como pode afir­mar que nao exis­tem? sem os ter visto?

    agnos­ti­cismo é sim­ples­mente nao negar ou afir­mar aquilo do que não temos provas

    tam­bem há agnos­ti­cos como no meu caso, q esco­lhem dizer “nao sei , nem tu sabes nem me inte­ressa saber”

    nao há mal nenhum nessa esco­lha pois nin­guem pode saber a verdade…

    eu é me pouco impor­tante saber pois vivo como gosto …tenho alguns morais (pelo menos os neces­sa­rios) e nao é por nao ter reli­gião q sou infeliz..antes pelo con­tra­rio sou bem feliz pois nao tenho codi­gos morais des­ne­ces­sa­rios nem ido­lizo figu­ras imaginarias

    email se qui­se­rem falar:

  26. Space Shanty

    Tam­bém tenho por con­vic­ção que o homem não che­gará tão cedo a “saber tudo” sobre tudo.
    Por causa dessa “inca­pa­ci­dade” ou “limi­ta­ção” não nego nem afirmo algo que não cabe em meu cérebro.

    Entendo que a “razão“enquanto ins­tru­mento jul­ga­dor é supe­rior à “fé”, mas não que a razão seja omni­po­tente, pois sem­pre exis­tirá um “Uni­verso maior” do que ela “julga”, ou seja, o Homem enquanto habi­tante cós­mico será sem­pre “obser­va­dor” da “causa e efeito” Uni­ver­sais seja micro, macro ou multi.
    Com cer­teza “A Huma­ni­dade” não detém a pala­vra final de tudo. Nisto acre­dito!
    Abraços.

  27. Sérgio Sodré

    Não posso con­cor­dar com a forma de apre­sen­tar a ques­tão de Deus como se só hou­vesse três alter­na­ti­vas: Teísmo com crença numa reli­gião esta­be­le­cida; Ateísmo; Agnos­ti­cismo.
    Não é cor­recto dei­xar de lado o Deísmo que aceita a exis­tên­cia de um Deus cri­a­dor mas rejeita qual­quer reli­gião e até qual­quer inter­ven­ção do divino no Mundo e na His­tó­ria; bem como, na ques­tão de Deus, não se pode dei­xar de lado as mui­tas e diver­sas for­mas de pan­teísmo que, de uma ou dou­tra forma, ligam Deus ao Uni­verso.
    Deus não coin­cide neces­sa­ri­a­mente a defi­ni­ção extraída da Biblia.
    Quanto à Razão: quando a ciên­cia expli­car cabal­mente por­que existe Algo ao invés do Nada. Quando expli­car como Algo deriva do Nada (abso­luta impos­si­bli­dade raci­o­nal, excepto se tra­tar­mos o Nada como se fosse Algo) então Deus mor­rerá. Até lá a Razão terá muito que penar… prin­ci­pal­mente hoje em que a ten­dên­cia cien­tí­fica é para acei­tar que o Uni­verso teve um começo atra­vés do Big Bang.
    Para os “devi­dos efei­tos” quero decla­rar a minha sim­pa­tia (não pro­pri­a­mente crença) pelo Pan­teísmo Ema­na­tista, por um Deus gera­dor do Uni­verso a par­tir da sua pró­pria subs­tân­cia, ao invés de um Deus cri­a­dor a par­tir do Nada (nada pode vir do nada, nem por um prin­ci­pio fisíco nem por Deus).

  28. Carlos Cardoso

    Quanto à ques­tão de deus parece-me que só há duas posi­ções pos­sí­veis: ou se acre­dita na exis­tên­cia de um prin­cí­pio cri­a­dor externo ao uni­verso ou não se acre­dita. Por mais vol­tas que lhe dêem não há meio termo entre acre­di­tar e não acreditar.

    Se o deus cor­res­ponde a um dos das múl­ti­plas reli­giões ou se não inter­fere no uni­verso já são deta­lhes que dis­tin­guem aque­les que acre­di­tam na sua existência.

    A posi­ção dos agnós­ti­cos tam­bém não é uma alter­na­tiva: a ques­tão não é pro­var uma exis­tên­cia ou uma ine­xis­tên­cia mas acre­di­tar ou não nessa existência.

  29. Oiced Mocam

    Huma­nismo — isso é com você !

    É pos­sí­vel expli­car em ter­mos cla­ros, o que é exa­ta­mente a filo­so­fia Huma­nista moderna. É fácil resu­mir as idéias bási­cas sus­ten­ta­das em comum tanto pelos huma­nis­tas secu­la­res como pelos huma­nis­tas reli­gi­o­sos. Essas idéias são as seguintes:

    1. O Huma­nismo é uma daque­las filo­so­fias para pes­soas que pen­sam por si mes­mas, Não existe área do pen­sa­mento em que um huma­nista tenha receio de desa­fiar e explorar.

    2. O Huma­nismo é uma filo­so­fia que se con­cen­tra nos meios de com­pre­en­der a rea­li­dade. Os huma­nis­tas não afir­mam pos­suir ou ter acesso a um suposto conhe­ci­mento transcendental.

    3. O Huma­nismo é uma filo­so­fia de razão e ciên­cia em busca do conhe­ci­mento. Por­tanto, quando se coloca a ques­tão de qual é o meio mais válido para se adqui­rir conhe­ci­mento sobre o mundo, os huma­nis­tas rejei­tam a fé arbi­trá­ria, a auto­ri­dade, a reve­la­ção e os esta­dos alte­ra­dos de consciência.

    4. O Huma­nismo é uma filo­so­fia de ima­gi­na­ção. Os huma­nis­tas reco­nhe­cem que sen­ti­men­tos intui­ti­vos, pres­sen­ti­men­tos, espe­cu­la­ção, cen­te­lhas de ins­pi­ra­ção, emo­ção, esta­dos alte­ra­dos de cons­ci­ên­cia, e até expe­ri­ên­cia reli­gi­osa, embora não váli­dos, como meios de se adqui­rir conhe­ci­mento, são fon­tes úteis de idéias que nos podem levar a novas manei­ras de olhar o mundo. Essas idéias depois de raci­o­nal­mente aces­sa­das por sua uti­li­dade, podem em seguida ser pos­tas para fun­ci­o­nar, geral­mente como abor­da­gens alter­na­ti­vas para a solu­ção de problemas.

    5. O Huma­nismo é uma filo­so­fia para o aqui e agora. Os huma­nis­tas enca­ram os valo­res como tendo sen­tido ape­nas no con­texto da vida humana, mais do que na pro­messa de uma suposta vida após a morte.

    6. O Huma­nismo é uma filo­so­fia de com­pai­xão. A ética huma­nista preocupa-se ape­nas em aten­der às neces­si­da­des huma­nas e em res­pon­der aos pro­ble­mas huma­nos – tanto pelo indi­ví­duo como pela soci­e­dade – e não dedica aten­ção alguma à satis­fa­ção dos dese­jos de supos­tas enti­da­des teológicas.

    7. O Huma­nismo é uma filo­so­fia rea­lista. Os huma­nis­tas reco­nhe­cem a exis­tên­cia de dile­mas morais e a neces­si­dade de cui­da­dosa con­si­de­ra­ção sobre as con­seqüên­cias ime­di­a­tas e futu­ras na tomada moral das decisões.

    8. O Huma­nismo está em sin­to­nia com a ciên­cia de hoje. Os huma­nis­tas reco­nhe­cem, por­tanto, que vive­mos em um uni­verso natu­ral de grande tama­nho e idade, que evo­luí­mos neste pla­neta no decor­rer de um longo período de tempo, que não existe uma evi­dên­cia pre­mente de “alma” dis­so­ciá­vel, e que os seres huma­nos têm deter­mi­na­das neces­si­da­des ina­tas que for­mam efe­ti­va­mente a base de qual­quer sis­tema de valo­res ori­en­tado para o homem.

    9. O Huma­nismo está em sin­to­nia com o pen­sa­mento social escla­re­cido de nos­sos dias. Os huma­nis­tas são com­pro­mis­sa­dos com as liber­da­des civis, os direi­tos huma­nos, a sepa­ra­ção entre Igreja e Estado, a exten­são da demo­cra­cia par­ti­ci­pa­tiva, não só no governo, mas no local de tra­ba­lho e na escola, uma expan­são da cons­ci­ên­cia glo­bal e per­muta de pro­du­tos e idéias inter­na­ci­o­nal­mente, e uma abor­da­gem aberta para a reso­lu­ção dos pro­ble­mas soci­ais, uma abor­da­gem que per­mita a expe­ri­ên­cia de novas alternativas.

    10. O Huma­nismo está em sin­to­nia com novos avan­ços tec­no­ló­gi­cos. Os huma­nis­tas têm boa-vontade em par­ti­ci­par de des­co­ber­tas cien­tí­fi­cas e tec­no­ló­gi­cas emer­gen­tes, de modo a exer­ce­rem sua influên­cia moral sobre essas revo­lu­ções à medida que sur­gem, espe­ci­al­mente no inte­resse de pro­te­ger o meio ambiente.

    11. O Huma­nismo, em suma, é uma filo­so­fia para aque­les que amam a vida. Os huma­nis­tas assu­mem res­pon­sa­bi­li­dade por suas pró­prias vidas e apre­ciam a aven­tura de par­ti­ci­par de novas des­co­ber­tas, bus­car novo conhe­ci­mento, explo­rar novas pos­si­bi­li­da­des. Em vez de se satis­fa­ze­rem com res­pos­tas pré-fabricadas para as gran­des ques­tões da vida, os huma­nis­tas apre­ciam o cará­ter aberto de uma busca a liber­dade de des­co­berta que esse pro­ce­der traz como sua herança.

    Embora alguns pos­sam suge­rir que esta filo­so­fia sem­pre teve pou­cos e excên­tri­cos segui­do­res, os fatos da his­tó­ria mos­tram o con­trá­rio. Entre as moder­nas ade­sões ao Huma­nismo, contam-se: Mar­ga­ret San­ger, fun­da­dora do Pla­ne­ja­mento Fami­liar, Huma­nista do Ano de 1957 da Asso­ci­a­ção Huma­nista Ame­ri­cana; os psi­có­lo­gos huma­nis­tas pio­nei­ros Carl Rogers e Abraham Mas­low, tam­bém Huma­nis­tas do Ano; Albert Eins­tein, que ade­riu à Asso­ci­a­ção Huma­nista Ame­ri­cana nos anos cinqüenta; Ber­trand Rusell, que ade­riu nos anos ses­senta; o pio­neiro dos direi­tos civis, A. Phi­lip Ran­dolph, que foi o Huma­nista do Ano de 1970 e o futu­rista R. Buck­mi­nis­ter Ful­ler, Huma­nista do Ano de 1969.
    As Nações Uni­das são um exem­plo espe­cí­fico do Huma­nismo em ação. Uma das gran­des rea­li­za­ções dessa orga­ni­za­ção foi var­rer a varíola da face da terra.
    Enquanto isso, huma­nis­tas como Andrei Sakha­rov, Huma­nista do ano de 1980, têm se levan­tado em favor dos direi­tos huma­nos sem­pre que estes são supri­mi­dos. Betty Fri­e­dan e Glo­ria Stei­nem lutam pelos direi­tos huma­nos, Mathilde Krim com­bate a epi­de­mia da Aids, e Mar­ga­ret Atwood é uma das mais comen­ta­das defen­so­ras da liber­dade lite­rá­ria no mundo.

    A lista de cien­tis­tas inclui uma mul­ti­dão: Stephen Jay Gould, Donald John­son, Richard Lea­key, E. O . Wil­son, Fran­cis Crick, Jonas Salk e mui­tos outros – todos mem­bros da asso­ci­a­ção Huma­nista Ame­ri­cana, cujo pre­si­dente nos anos 80 foi o cien­tista e escri­tor Isaac Asimov.

    Tal­vez isso tenha sido o que levou George San­tayana a decla­rar que o Huma­nismo é “uma rea­li­za­ção, não uma doutrina”.

    Por­tanto, no Huma­nismo moderno pode-se encon­trar uma filo­so­fia ou uma reli­gião sin­to­ni­zada com o conhe­ci­mento moderno; que ele tem ins­pi­rado as artes, da mesma forma que as ciên­cias; a filan­tro­pia, tanto quanto a crí­tica. E mesmo na crí­tica, é tole­rante, defen­dendo o direito que têm todas as pes­soas de esco­lher outros cami­nhos, de falar e escre­ver livre­mente, de viver suas vidas segundo seu pró­prio discernimento.

    Então, a esco­lha é sua. Você é um Humanista?

    Você não pre­cisa res­pon­der nem sim, nem não. Pois esta não é uma pro­po­si­ção de “ou isso ou aquilo”. O Huma­nismo está a sua dis­po­si­ção – você pode adotá-lo ou recusá-lo. Pode pegar um pou­qui­nho ou pegar bas­tante. Ou até con­ti­nuar acre­di­tando na grande estu­pi­dez de que o mundo – o cos­mos inteiro — tem 6 mil anos de idade, que os dinos­sau­ros sobre­vi­ve­ram aos pares na arca de Noé, que o homem foi mode­lado a par­tir do barro e do hálito divino em um jar­dim com uma cobra falante, pela mão de um Deus invi­sí­vel e na volta pres­tes a acon­te­cer de Jesus Cristo para jul­gar os vivos e os mor­tos. Cada indi­ví­duo pre­cisa encon­trar a ver­dade e as mudan­ças por si mesmo. Isso é com você!

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