A Semana Natalícia

Esta é uma semana muito com­pli­cada. Para além da azá­fama tra­di­ci­o­nal da época, juntam-se o aumento de trá­fego e, feliz­mente, o aumento de tra­ba­lho, tanto no bar como no café, razões mais que sufi­ci­en­tes para me afas­tar do PC mais do que é habi­tual. Não tenho tido, por isso, dis­po­ni­bi­li­dade para pos­tar como dese­java. No entanto, ficam aqui algu­mas refe­rên­cias de coi­sas inte­res­san­tes na blo­gos­fera dos últi­mos dias:

- O Ateísmo e a cele­bra­ção do Natal — Alguns arti­gos online sobre a cele­bra­ção do Natal pelos ateus

- Pass-aram-se — O Ludwig aborda a ques­tão da nova empresa cri­ada para cobrar os direi­tos cone­xos à divul­ga­ção musi­cal em espa­ços públi­cos. É um assunto que eu quero abor­dar, até por­que no Palpita-me já rece­be­mos a car­ti­nha de apre­sen­ta­ção da Pas­s­mú­sica

- The Carl Sagan memo­rial blog-a-thon — Comemoram-se hoje 10 anos sobre a morte de Carl Sagan. Sagan foi um dos auto­res que mais me influ­en­ciou a cami­nho de uma pen­sa­mento cép­tico, cri­tico e raci­o­nal. Esta é a home­na­gem feita na blo­gos­fera a um dos mai­o­res comu­ni­ca­do­res e cien­tis­tas do nosso tempo. O que sem­pre mais me impres­si­o­nou em Sagan foi a sua capa­ci­dade de comu­ni­ca­ção e a faci­li­dade em huma­ni­zar os mais com­ple­xos desa­fios da ciên­cia em geral e da astro­no­mia em particular

- A Para­nóia politico-religiosa — Nem sei o que dizer sobre este vídeo

-Glo­bal Orgasm — É claro que se não tive­rem mais des­cul­pas para ter um orgasmo den­tro de 48 horas, esta parece ser uma boa razão! Embora, claro, se trate ape­nas de folclore.

Within You Without You / Tomorrow Never Knows

Já aqui fiz refe­rên­cia ao “novo” CD dos Bea­tles, “Love”. Fica aqui um chei­ri­nho de um dos temas que mais me impres­si­o­nou. O som do CD é muito melhor que o do vídeo.

Vai um cigarrinho ateu?

Eu sei que esta máxima é muito pri­má­ria, mas já há algum tempo que tinha von­tade de pro­tes­tar con­tra a caça ao fuma­dor. Eu fumo, é ver­dade, e não me orgu­lho disso. Mas, con­ve­nha­mos, tam­bém não tenho nenhum peso na cons­ci­ên­cia em rela­ção aos fuma­do­res pas­si­vos. Uma ati­tude cívica q.b. é sufi­ci­ente para nin­guém ter que levar com o meu fumo.

Com­pre­en­de­ria melhor uma ten­ta­tiva de proi­bi­ção do tabaco do que algu­mas ten­ta­ti­vas hipó­cri­tas por parte do governo em rela­ção aos fuma­do­res. Mamam nos impos­tos, mamam nas coi­mas, mamam onde que­rem… hum!?! Bem…
Cá por mim, vou mamar num cigarro!

Olha!… Sou um bright!

What is a bright?

  • A bright is a per­son who has a natu­ra­lis­tic worldview
  • A bright’s world­view is free of super­na­tu­ral and mys­ti­cal elements
  • The ethics and acti­ons of a bright are based on a natu­ra­lis­tic worldview
Embora não goste de eti­que­tas, a defi­ni­ção de bright é tão sim­ples e con­se­gue, con­se­quen­te­mente, abri­gar um tão vasto leque de linhas de pen­sa­mento que não me inco­modo em ser cono­tado com esta defi­ni­ção. Isto por­que, con­forme se pode ler no site the-brights.net

Per­sons who have a natu­ra­lis­tic world­view should not be cul­tu­rally sti­fled or civi­cally mar­gi­na­li­zed due to society’s exten­sive super­na­tu­ra­lism. Rather, they ought to be accep­ted as fel­low citi­zens and full par­ti­ci­pants in the cul­tu­ral and poli­ti­cal landscape.

Embora seja ainda muito recente, é já impres­si­o­nante o “cali­bre” de alguns dos ade­ren­tes e entu­si­as­tas deste movi­mento. De des­ta­car ainda o fórum e, por mera curi­o­si­dade, a lista de “cha­vões” suge­ri­dos. Alguns são muito, mesmo, muito criativos.

Hasta la vista, Baby Jesus

Para desa­nu­viar, nada melhor que um Arnold em for­mato light…

Via Kama­das Gang

A fé, a razão e os agnósticos

Tenho esta ideia que a grande mai­o­ria dos cren­tes, de qual­quer reli­gião, nunca se dedi­ca­ram seri­a­mente a pen­sar nas razões das suas cren­ças, da sua reli­gi­o­si­dade. Have­rão, obvi­a­mente, excep­ções, mas o grosso da coluna é, cer­ta­mente, com­posto por pes­soas que são — ou se dizem ser — de uma deter­mi­nada reli­gião devido ao pro­cesso de endo­cul­tu­ra­ção reli­gi­oso, isto é, seguem as tra­di­ções fami­li­a­res ou dos gru­pos soci­ais em que estão inse­ri­dos e que foram assi­mi­lando ao longo dos anos.
Os que se dedi­cam a pen­sar seri­a­mente sobre estes assun­tos podem seguir duas abor­da­gens: a fé ou a razão. E, note-se, estes cami­nhos pode­rão não ser auto exclu­si­vos (embora isso me custe muito a enten­der), podendo as res­pos­tas a todas as per­gun­tas serem pro­cu­ra­das atra­vés de ambos.

Os que pro­cu­ram as res­pos­tas ape­nas na fé transformam-se, nos casos mais extre­mos, em bea­tos ou em indi­ví­duos que encon­tram o sen­tido da vida numa qual­quer res­posta car­re­gada de ima­gens mito­ló­gi­cas, des­pre­zando a lógica e a ciên­cia. Os que seguem ambas as abor­da­gens, encon­tram na fé as res­pos­tas que a ciên­cia ainda não pode dar e algum con­forto espi­ri­tual de que pode­rão neces­si­tar. Por outro lado, encon­tram na ciên­cia a jus­ti­fi­ca­ção para poder igno­rar algu­mas regras incon­ve­ni­en­tes dos sis­te­mas orga­ni­za­dos da sua crença — reli­gião — e a ilu­são de que, ape­sar de tudo, con­se­guem ser raci­o­nais e admi­tir incon­gruên­cias nas mito­lo­gias modernas.

Final­mente, os que seguem a razão transformam-se em ateus ou, na pior das hipó­te­ses, em agnós­ti­cos. E digo na pior das hipó­te­ses por­que, ao con­trá­rio do que o lugar comum pre­tende fazer crer, os agnós­ti­cos estão equi­dis­tan­tes dos ateus e dos cren­tes. Não acre­di­tar que não se possa pro­var a exis­tên­cia ou ine­xis­tên­cia de um ou mais deu­ses é uma pos­tura des­pro­vida de lógica. Os agnós­ti­cos, ao assu­mi­rem tal posi­ção, estão a dar cre­di­bi­li­dade aos cren­tes na ques­tão do ónus da prova quando esse é um prin­ci­pio per­fei­ta­mente absurdo. Jamais o conhe­ci­mento será obtido pela prova da nega­ção. Não com­pete a nin­guém pro­var a ine­xis­tên­cia seja do que for. É quem acre­dita na exis­tên­cia de algo que terá que o pro­var. Os agnós­ti­cos ao não segui­rem este cri­té­rio estão, tam­bém eles, a assu­mir uma posi­ção muito pouco racional.

Crenças à la Infinito

Existe um canal na TV Cabo que se intro­mete cons­tan­te­mente nos meus momen­tos de zap­ping. Nada a pro­pó­sito, a TV Cabo, na sua gre­lha actual, coloca o canal Infi­nito na mesma sec­ção dos outros canais de docu­men­tá­rios, ou seja, entre o canal 40 e 49.

O canal Infi­nito parece um des­file de pro­gra­mas pre­pa­ra­dos espe­ci­fi­ca­mente para ofen­der a inte­li­gên­cia de qual­quer ser pen­sante; astro­lo­gia, apa­ri­ções, car­to­man­cia, anjos, mila­gres, ovnis, devo­ções, bru­xa­rias, etc, etc, etc…

No entanto, existe uma espé­cie de pérola ali pelo meio, muito dis­far­çada, na qual eu tro­pe­cei num dos meus mui­tos zap­pings. O pro­grama dá pelo nome de “Cren­ças” e do des­cri­tivo no site do canal Infi­nito consta o seguinte:

Como é que a reli­gião define espi­ri­tu­al­mente uma cri­a­tura clonada?

Já que a reli­gião pensa sobre­tudo no bem da famí­lia… não é mais sau­dá­vel um bom divór­cio que um mau casamento?

É pos­sí­vel pen­sar numa reli­gião que aco­lha todas as pes­soas, incluindo as que são con­si­de­ra­das dife­ren­tes, como os homossexuais?

Não é hipó­crita con­de­nar a infi­de­li­dade numa soci­e­dade como a de hoje?

Estes temas, e mui­tos mais, serão ana­li­sa­dos neste novo espaço que Infi­nito apre­senta em exclu­sivo, pela mão do reco­nhe­cido jor­na­lista argen­tino Este­ban Mirol.
Um pai­nel de cinco repre­sen­tan­tes das reli­giões mais impor­tan­tes do mundo –cato­li­cismo, judaísmo, hin­duísmo, isla­mismo e agnos­ti­cismo– jun­ta­mente com espe­ci­a­lis­tas e com Este­ban Mirol, deba­tem todas as sema­nas um tema da nossa rea­li­dade social.

Por outro lado, um audi­tó­rio de estu­dan­tes uni­ver­si­tá­rios poderá ques­ti­o­nar as dis­tin­tas posi­ções reli­gi­o­sas face a fac­tos como a SIDA, o divór­cio, a infi­de­li­dade, a homos­se­xu­a­li­dade, entre outros. Par­ti­cipe desta aná­lise semana a semana e debata junto dos que mais sabem do tema.

Não vou abor­dar, por agora, o facto de con­si­de­ra­rem o agnos­ti­cismo uma reli­gião. Dei­xa­rei a minha opi­nião para outro artigo sobre essa ques­tão. Fica, no entanto, a referência.

Cren­ças” vai para o ar à quinta-feira pelas 20.00 horas e repete aos domin­gos pelas 19.00 horas.

God is a concept

God is a con­cept,
By which we can mea­sure,
Our pain”

O autor desta frase foi John Len­non. Faz hoje 26 anos que John Len­non foi assas­si­nado à porta do edi­fí­cio onde morava em Nova Iorque.

Ainda durante a sua car­reira enquanto mem­bro mais caris­má­tico dos Bea­tles, John Len­non dedicou-se à sen­si­bi­li­za­ção e ao apelo à paz. Can­ções como “All you need is love” ou “Ima­gine” são um exem­plo da obra de Len­non enquanto Bea­tle e a solo.

Em 1966, John Len­non afir­mou que os Bea­tles eram mais popu­la­res que Jesus Cristo para as novas gera­ções no mundo oci­den­tal. Essa afir­ma­ção foi logo uti­li­zada pelos mais radi­cais cris­tãos norte ame­ri­ca­nos e valeu aos Bea­tles terem sido bani­dos de mui­tas rádios por toda a Amé­rica do Norte. Foram ainda orga­ni­za­das “quei­mas” públi­cas de dis­cos, revis­tas, livros e mate­rial indi­fe­ren­ci­ado alu­sivo aos Beatles.

Em finais dos anos 60 e prin­cí­pios da década de 70, John Len­non, já a resi­dir nos Esta­dos Uni­dos, foi per­se­guido pelo FBI devido ao seu envol­vi­mento em cam­pa­nhas con­tra a guerra do Viet­nam. Recen­te­mente, foi estre­ado um docu­men­tá­rio -The US vs. John Len­non — sobre todo esse processo.

Foi assas­si­nado aos 40 anos. Aquela velha máxima de que não há pes­soas insubs­ti­tuí­veis parece não fun­ci­o­nar com o John…