Aborto (I)

«Con­corda com a des­pe­na­li­za­ção da inter­rup­ção volun­tá­ria da gra­vi­dez, se rea­li­zada, por opção da mulher, nas pri­mei­ras 10 sema­nas, em esta­be­le­ci­mento de saúde legal­mente autorizado?»

Esta é a per­gunta apro­vada para o futuro refe­rendo sobre o aborto. A per­gunta, de tão vaga, coloca-me algu­mas outras ques­tões que, des­co­nhe­cendo as suas res­pos­tas no acto do refe­rendo, irão con­di­ci­o­nar a minha opção.

  • Qual o regime de pri­o­ri­da­des que irá ser dado ao nível da ocu­pa­ção dos blo­cos ope­ra­tó­rios dos hos­pi­tais públi­cos quando se tiver que optar entre diver­sos casos clínicos?
  • Qual o papel do homem no meio disto tudo? Estará o homem sem­pre refém da opção da mulher? Terá o homem que acei­tar sem­pre as con­sequên­cias quer a mulher decida abor­tar, quer a mulher decida ir avante com a gra­vi­dez, inde­pen­den­te­mente da sua (do homem) pró­pria vontade?
  • Onde é que estão esta­be­le­ci­dos os limi­tes à refe­rida “opção” da mulher? Exis­tem? Não exis­tem? Essa opção tem que ser sus­ten­tada? Com que tipo de argu­men­tos? Clí­ni­cos? Sociais?
  • O que sig­ni­fica a alte­ra­ção da lei, em ter­mos futu­ros, no que res­peita à res­pon­sa­bi­li­dade do Estado em inves­tir na for­ma­ção dos jovens em áreas como a sexu­a­li­dade e o pla­ne­a­mento familiar?
  • Qual o cri­té­rio cien­tí­fico que suporta as 10 sema­nas como prazo para lega­li­zar a opção?
  • Se o “SIM” tiver mai­o­ria neste refe­rendo, daqui a 10 anos far-se-á nova­mente um refe­rendo? E se a mai­o­ria for do “ƒO”?

Estas são algu­mas ques­tões para as quais não encon­trei ainda res­pos­tas. E, garanto-vos, tenho procurado!

De qual­quer forma, exis­tem situ­a­ções onde me parece moral­mente obri­ga­tó­rio acei­tar a lega­li­za­ção do aborto. Mas, essas são as que já estão pre­vis­tas na lei actual! O que me pre­o­cupa é que, caso o “SIM” tenha mai­o­ria no refe­rendo, a lei venha a dar cober­tura a qual­quer tipo de argu­men­tos para sus­ten­ta­ção da opção da mulher. E isso não está garan­tido que não venha a acon­te­cer dada a falta de objec­ti­vi­dade da ques­tão esco­lhida para o refe­rendo. E isso é algo de que eu me recuso a ser cúmplice.

Par­ti­lha!

    7 comentários em “Aborto (I)

    1. Kota diz:

      Boas,
      este é de facto um pro­blema sério “o aborto”, ape­sar de exis­ti­rem por aí tan­tos a pas­sear livre­mente. Eu levan­tava outra ques­tão, quan­tos abor­tos são fei­tos por dia ?
      Parece que nin­guém sabe, é mais um diz que disse. Devem ser mui­tos penso eu, para que haja tanta dedi­ca­ção ao tema. Já agora não se pode sal­va­guar­dar a pos­si­bi­li­dade de o homem poder tam­bém inter­rom­per a gra­vi­dez. Tal­vez exis­tam situ­a­ções em que isso fosse impor­tante, pois con­forme exis­tem homens que deviam ser cas­tra­dos, tam­bém há mulhe­res que não deviam ter ová­rios.
      Cumpr.

    2. Helder Sanches diz:

      Porra, meu, estás cheio de alma, carago!

    3. Pingback: Helder Sanches » O Desafio Small Brother
    4. Queli Cá diz:

      ABORTO É UMA DECISÃO DE CADA UMA
      das mulhe­res que vão abortar,sendo elas as res­pon­sa­veis por seus atos. nao deve­mos pré­jul­gar que seja errado ou certo o aborto, mas abor­tar ou nao pode ser uma deci­são certa ou errada depende da oca­sião e do porquê essa mulher quer abortar.

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